Análise NR: Quem merece ser o próximo desafiante ao cinturão dos meio-pesados?

Análise NR: Quem merece ser o próximo desafiante ao cinturão dos meio-pesados?

Lutadores vivem a expectativa da decisão de DC, que por sua vez mostra preferência em lutar nos pesados

No UFC 226, Daniel Cormier nocauteou Stipe Miocic e se tornou campeão mundial em duas categorias do UFC de forma simultânea, pesados e meio-pesados. Após o combate, Brock Lesnar foi até o octógono e rolou um grande showzinho a lá WWE, dando a entender que Cormier vs Lesnar já é uma realidade.

No entanto, por conta da USADA, Brock Lesnar só estará liberado para competir pelo Ultimate em 2019. Enquanto isso, Cormier disse que pode defender seu cinturão dos meio-pesados e inclusive já tem até um adversário de preferência, simplesmente Maurício Shogun, um ex-campeão da divisão.

Apesar de sorrir ao falar, Cormier declarou que estava falando sério, que o brasileiro é uma lenda e que gostaria de enfrentá-lo nesse tempo antes da luta com Brock. Rapidamente o assunto tomou conta dos fãs de MMA pelos grupos e fóruns na internet, grande maioria declarando achar isso algo sem sentido ou até mesmo um absurdo. Mas, será que de fato isso é um absurdo? Será que uma oportunidade a Shogun nesse momento seria algo totalmente fora de cogitação? Quem então seria o merecedor nesse atual momento? Confira agora nesta análise.

Primeiramente, para analisarmos bem, faremos vários recortes para melhor compreensão da análise, começando pelo posicionamento no ranking. Hoje o ranking dos meio-pesados do UFC encontra-se na seguinte ordem (do #1 ao #8): Alexander Gustafsson, Volkan Oezdemir, Glover Teixeira, Ilir Latifi, Jan Blachowicz, Jimi Manuwa, Ovince St Preux e Maurício Shogun (colocamos até o Shogun porque afinal o que motivou esse texto foi o fato de Daniel Cormier dizer que gostaria de dar uma chance para o ex-campeão). Segundamente, desses nomes, logo de cara já eliminamos três: Jimi Manuwa, Glover Teixeira e Ovince St Preux.

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Jimi Manuwa (Foto: Reprodução)

Jimi Manuwa (#6) vem de duas derrotas consecutivas, ambas para lutadores que encontram-se no top 5 atualmente, Volkan Oezdemir (#2) e Jan Blachowicz (#5). Só aí já “barra” o cara de uma disputa de cinturão agora. Vai ter que “remar” bastante pra conseguir chegar novamente no grupo do topo que briga pelo ‘tittle shot’.

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Glover Teixeira (Foto: Reprodução)

Glover Teixeira (#3) atualmente vem de uma vitória por nocaute sobre Misha Cirkunov, o #10 atualmente. No entanto, fazendo um recorte um pouquinho maior, ele vem numa alternância de vitórias e derrotas nas últimas quatro lutas, sendo que suas derrotas foram por nocautes avassaladores, o primeiro para Anthony Johnson (aposentado) e a última para Alexander Gustafsson (#1). Além de Cirkunov, Glover venceu Jared Cannonier, não ranqueado atualmente e numa performance longe de suas melhores.

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Ovince St Preux (Foto: Reprodução)

Ovince St Preux (#7) vem de 4 vitórias nas últimas 5 lutas. Olhando apenas os números isso parece bom. No entanto, o lutador bateu dois lutadores que são ranqueados, Corey Anderson (#9) e Tyson Pedro (#13), Yushin Okami (que hoje já luta até como meio-médio) e Marcos Pezão (que não é ranqueado). Sua única derrota foi para Ilir Latifi, atualmente o #4. O que complica mais ainda a situação de OSP é que fazendo um recorte um pouco maior, antes de iniciar essa “boa fase” ao vencer Marcos Pezão, ele vinha de 3 derrotas consecutivas, Jon Jones (afastado por doping), Jimi Manuwa (#6) e Volkan Oezdemir (#2). Então, isso mostra que quando o OSP enfrenta grandes desafios, ele costuma não se sair bem. Nos confrontos diretos ele tem levado a pior, fato que também entra na análise.

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Maurício Shogun (Foto: Reprodução)

Chegamos ao ponto de responder a algumas questões lá do início: será que de fato isso é um absurdo? Será que uma oportunidade a Shogun nesse momento seria algo totalmente fora de cogitação? As respostas para essas duas questões são uma só, SIM. O Shogun nesse momento vem de três vitórias consecutivas, é o #8, Rogério Minotouro (não-ranqueado), Corey Anderson (#9) e Gian Villante (não-ranqueado). Shogun conquistou boas vitórias sobre dois não-ranqueados. Quando enfrentou o único ranqueado, venceu, mas de uma forma bem duvidosa. Para muita gente o Corey inclusive deveria ter saído com a vitória, fato que eu não concordo, mas que deve ser levado em consideração. Então o Shogun, nesse momento, ainda não merece uma disputa de cinturão, é algo totalmente fora de cogitação, principalmente se levarmos em consideração outros nomes que estão aqui na nossa disputa. Precisa vencer pelo menos mais uma ou duas, de preferências oponentes de grande relevância, pelo menos top 5. A oportunidade seria agora contra o Oezdemir, no entanto o UFC acabou cancelando essa luta e dando novos oponentes ao brasileiro e ao suíço.

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Jan Blachowicz (Foto: Reprodução)

Junto com Shogun, quem vai pra “casa” Jan Blachowicz (#5). O polonês veio devagarzinho, chegou a ter 4 derrotas em 5 lutas disputadas, mas atualmente soma 3 vitórias consecutivas, Devin Clark (não-ranqueado), Jared Cannonier (não-ranqueado) e Jimi Manuwa (#6). Bater um poderoso ‘striker como Manuwa, que ainda é o atual #6, é um até um argumento razoavelmente bom pra se contar a favor. No entanto, não dá pra se credenciar a uma disputa de título batendo em dois lutadores que não são sequer ranqueados.

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Ilir Latifi (Foto: Reprodução)

Não muito a frente de Blachowicz, temos Ilir Latifi (#4). Nas últimas 6 lutas são 5 vitórias. As três primeiras foram sobre oponentes não muito relevantes. Na sequência veio uma derrota para Ryan Bader e logo depois as duas vitórias da sequência atual, aí sim sobre nomes relevantes, Tyson Pedro (#3) e Ovince St Preux (#7). Além de vencer dois ranqueados, foram duas performances bem dominantes, uma terminada em decisão e a outra por finalização. Essa junção foi boa para deixar Latifi na frente dos outros citados, mas não na frente de caras como Gustafsson e Oezdemir.

Chegamos então aos lutadores que mais merecem uma oportunidade neste momento para disputar o cinturão meio-pesado. Alexander Gustafsson e Volkan Oezdemir são tão merecedores que farão um ‘tittle shot’ misturado com ‘tittle eliminator’. O vencedor parte para duelar contra o campeão, enquanto o perdedor receberá o seu “volte duas casas”.

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Volkan Oezdemir (Foto: Reprodução)

Ozdemir chegou ao UFC e realizou 4 lutas em menos de 1 ano. Venceu 3 lutadores do top 10 do UFC, Ovince St Preux (#7), Misha Cirkunov (#10) e Jimi Manuwa (#6). Lembrando que no confronto contra Manuwa, valia o ‘tittle shot’ e Volkan nocauteou com menos de 1 minuto de combate. Na sequência acabou perdendo para Daniel Cormier. Oezdemir, ao bater Gustafsson se tornará indiscutivelmente o desafiante. Pelo bom número de vitórias em um curto tempo, pelos lutadores que bateu e também pelos outros lutadores atrás dele não terem feito o suficiente para ultrapassá-lo nessa “corrida”.

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Alexander Gustafsson (Foto: Reprodução)

 

 

O único que restou foi Alexander Gustafsson, o número #1 da divisão e que merece com sobras ser o desafiante. Já merecia neste momento e merecerá a um nível absurdo caso venha a bater o Oezdemir. Após perder para Cormier na disputa de título – uma luta equilibradíssima que terminou em vitória de DC por decisão dividida – já esteve em ação duas vezes, vencendo Jan Blachowicz (#5) de forma bem dominante e nocauteando Glover Teixeira (#3). Gustafsson não tem a maior sequência de vitórias entre todos os concorrentes aqui apresentado, mas é o que tem a melhor, o único que bateu dois oponentes de dentro do Top 5. Ninguém enfrentou caras mais relevantes.  Se bater o Oezdemir, terá vitórias sobre 3 caras de dentro do Top 5. Se você procurar bem, será raríssimo encontrar alguém que tenha enfrentado tantos Tops para chegar a uma disputa de cinta. Então temos ainda o confronto direto, citado anteriormente como algo bem relevante na nossa análise.

Diante de todos esses motivos, não tem como dizer que Alexander Gustafsson não seja merecedor de disputar mais uma vez o cinturão da categoria – essa será a terceira. Tem motivos de sobra para tal realização. Agora é esperar o UFC 227, dia 4 de agosto, quando Oezdemir x Gustafsson irão se enfrentar. A sorte está lançada.

Abraços a todos e até a próxima ANÁLISE NR.

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Pai, marido, neto, amante da família; filho de Deus; Graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) na Universidade Federal do Maranhão; Editor chefe do Nocaute na Rede,; Redator nas seções de MMA nacional e internacional; Apaixonado por rádios, jornais, livros, podcasts, filmes, séries, comidas, esportes em geral; MMA é uma paixão absurda; Praticante de MMA e muay thai; Crítico Social
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