Em prol da união no boxe nacional, Raphael Zumbano solta o verbo: “Estou revoltado, o boxe no meu país não pode ser assim, chega dessa bagunça! ” | Nocaute na Rede

Em prol da união no boxe nacional, Raphael Zumbano solta o verbo: “Estou revoltado, o boxe no meu país não pode ser assim, chega dessa bagunça! ”

O boxeador criou um grupo que reúne lutadores, ex-atletas, dirigentes e entusiastas da Nobre Arte.
Zumbano em companhia de seu primo, o maior peso galo de todos os tempos, Éder Jofre. (Fonte: boxeando.net).

Zumbano em companhia de seu primo, o maior peso galo de todos os tempos, Éder Jofre. (Fonte: boxeando.net).

Raphael Zumbano dispensa apresentações. O pugilista brasileiro que traz no DNA a tradição da família Zumbano/Jofre e que coleciona diversas vitórias em seu cartel está revoltado com a situação do boxe tupiniquim.

Zumbano tem uma vasta experiência e participa de forma habitual dos treinamentos do campeão mundial de boxe Deontay Wilder.

Zumbano em companhia do campeão mundial peso pesado, Deontay Wilder (Fonte: Round 13).

E por conta dessa expertise, Zumbano consegue traçar um paralelo entre as regras e condutas praticadas no boxe em âmbito mundial com as regras estabelecidas no Brasil e apontar, com propriedade, aquilo que reconhece como “monopólio das entidades no Brasil”.

 “Tive uma grande decepção com o boxe brasileiro, nada que eu não soubesse que poderia acontecer, afinal de contas, estamos falando de boxe. E confesso: estou revoltado com a situação do boxe brasileiro, o boxe no meu país não pode ser assim, chega dessa bagunça! Dirigentes completamente despreparados, que só pensam em monopólio (o que é proibido no Brasil, salvo com autorização). A “Lei Pelé” erroneamente, ao meu ver, permite a existência de diversas federações, ligas e afins para cada modalidade, e já que a lei permite, quem é “A” ou “B” para dizer que a sua entidade é maior e ou menor? Que a sua entidade é a que pode fazer isso e aquilo? Se a lei brasileira permite, o atleta, desde que seja brasileiro, não precisa de autorização da entidade “A” ou “B” para viajar para fora do Brasil ou para lutar. Caso a entidade “H” esteja regulamentada e com tudo em dia, nada e nem ninguém pode exigir nada do atleta, tampouco suspende-lo no BoxRec. É proibido por lei, impedir alguém de exercer sua profissão! No boxe isso só pode acontecer se ficar comprovado algo que impeça o atleta de lutar (alteração em exames, prazo de afastamento por KO/TKO e coisas do tipo). Nenhuma entidade pode suspender o atleta mundialmente com o argumento de que o atleta lutou por uma entidade diferente, ou porque viajou com autorização de outra entidade. Outra questão: porque só o curso de uma entidade vale e o curso da outra não vale? Porque só a arbitragem de um vale e da outra não? Quem formou os instrutores de determinada entidade, que se diz apta e única para formar instrutores de boxe, árbitros e jurados? Porque só os instrutores de uma entidade são aptos e os da outra não? Como eu disse no começo e sempre digo, a lei se sobrepõe a qualquer coisa, a legislação permite, ninguém pode falar nada diferente dela. A entidade quer suspender algum atleta, suspenda, mas suspenda apenas em sua entidade, ela não pode suspender em caráter geral, ninguém é obrigado a aceitar, concordar e compactuar com determinadas normas… se o atleta se incomodar com as regras de alguma entidade, ele é livre para procurar a entidade que melhor atenda suas expectativas e necessidades, desde que a entidade escolhida esteja regulamentada e embasada nas determinações da lei. No boxe em âmbito mundial, existem diversas entidades. Dentre elas, falando e boxe masculino, quatro são as que detém maior credibilidade (WBA/WBC/WBO/IBF) e nenhuma delas proíbe que o atleta lute por outra. Se assim fosse, não existiria unificação de títulos! Eu mesmo já lutei por estas quatro e por outras de menor expressão no boxe mundial; já fui detentor dos títulos latinos das quatro principais entidades mundiais (na ordem que eu os conquistei, IBF/WBO/WBA/WBC). Antes dos referenciados títulos, disputei os regionais, Mundo Hispano WBC, Fedebol WBA e nem por isso eu fui suspenso! Porque no Brasil se você lutar por “A” a “B” é suspenso? Isso é irregular! O que podem fazer é colocar em seu regulamento interno que, caso o atleta lute por outra entidade, o mesmo ficaria “impedido” de lutar por outra sem a prévia autorização e/ou podendo ser suspenso e até banido do quadro daquela entidade… até aí tudo bem, cada um faz o regulamento interno como desejar, o atleta fica ciente para escolher onde quer lutar. Agora PROIBIR e SUSPENDER MUNDIALMENTE, isso é ABSURDO, é ABUSIVO! Enquanto os atletas aceitarem determinadas coisas, nada mudará! O atleta precisa entender que ele é o artista e sem ele NÃO tem o show, as lutas! Sem o show, não existirão treinadores, managers, promotores e nem entidades. Claro que o atleta precisa ter bom senso e não abusar. O que deveria ser prioridade no boxe brasileiro e não é, diz respeito ao bem-estar do atleta. Vejo diversas entidades de boxe “amadores” e profissionais com extrema condição de fazer algo muito bom para o esporte, mas a ganância do poder, o autoritarismo, a vontade de aparecer mais que o artista (atleta) e mais do que o próprio esporte, se sobrepõe e atrapalha o andamento deste. Dirigente deveria ser como árbitro de boxe e de futebol, quanto menos aparecer, melhor… estão ali, apenas para fazer as regras serem cumpridas. Deveria existir um bom senso entre os dirigentes, deixar de lado o ego e lutar em prol da união, sentar e conversar, chegar em um consenso do que é o melhor para o esporte. Ninguém é dono da razão, cada um tem uma maneira de ver e de realizar algo, desde que estejam aparados pela lei, e claro, pelas regras em âmbito mundial no boxe. Mesmo assim, existem diversas regras mundiais, cada entidade tem a sua, no geral, elas são iguais, mas mesmo assim, cada uma tem a sua cartilha, porque no Brasil isso não pode acontecer? Eu particularmente, sou contra a criação de diversas entidades, acredito que deveria existir um bom senso uma união em favor do boxe, somar e nunca dividir. VIVA o BOXE brasileiro! ”

Em sua carreira, Zumbano enfrentou grandes nomes do boxe mundial, como o campeão peso pesado Anthony Joshua (Fonte: Sky Sports).

Zumbano termina com um trecho de uma música que diz: “Todo mundo devia nessa história se ligar; por que tem muito amigo que vai pro ringue lutar; esquecer os atritos, deixar a briga pra lá; e entender o sentido quando o atleta se apresentar…”

Raphael Zumbano ressalta que criou um grupo no aplicativo WhatsApp para solidificar a união em prol do boxe brasileiro e publicou em vários grupos no Facebook:

“Por favor, leiam o que vou postar e se quiserem e concordarem, compartilhem! Criei um grupo no WhatsApp que conta com mais de 120 pessoas do boxe brasileiro… pessoas que eu tenho o contato, dentre elas, atletas, ex-atletas, dirigentes (de várias entidades), árbitros, jurados e treinadores. O objetivo do grupo é a UNIÃO das entidades, para discutirmos o que podemos fazer para melhorar o boxe brasileiro. Está muito legal o grupo e estamos tendo uma grande participação, inclusive o Mike Miranda já se pronunciou no grupo diversas vezes, apoiando a iniciativa e dando excelentes notícias para o boxe brasileiro. Quem quiser participar, para somar com o boxe brasileiro, avisa no inbox que será adicionado com prazer. É um grupo democrático, todos podem participar. Coloquei quem eu tenho o contato, inclusive pessoas que tenho um ponto de vista discordante, mas como eu disse, o objetivo é SOMAR e NUNCA dividir.”

Zumbano ressalta que Mike Miranda, Representante Nacional do CNB (Conselho Nacional de Boxe) se prontifica a lutar pela união das entidades.

O referido grupo traz pessoas ligadas ao esporte em todos os cantos do país e, segundo o pugilista, já retornou resultados positivos em relação à referida união.

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Entusiasta da Nobre Arte e do MMA desde tenra idade. Posso me gabar de ter nascido em uma geração que acompanhou as lutas de Mike Tyson, Maguila, Holyfield, Foreman, Roy Jones Jr, Popó, entre outros e de ter acompanhado os primórdios do MMA (antigo Vale Tudo), desde o chute de Gerard Gordeau em Teila Tuli, o massacre que Rickson Gracie promoveu no Japão, até os dias de hoje, com atletas marciais completos como Jon Jones. Nasci em Curitiba, terra da Chute Boxe e de valorosos guerreiros e espero trazer um pouco dessa experiência para os leitores do Nocaute na Rede.
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