Entrevista: Haroldo Bunn

Apreciador de um bom churrasco, o multicampeão de BJJ e do antigo Vale-Tudo, o lutador e policial federal Haroldo Bunn, conhecido por “Cabelinho”, fala ao NR sobre a sua...

Apreciador de um bom churrasco, o multicampeão de BJJ e do antigo Vale-Tudo, o lutador e policial federal Haroldo Bunn, conhecido por “Cabelinho”, fala ao NR sobre a sua carreira no tatame, octógono e a vida na segurança pública 

Haroldo, como foi o seu início no BJJ e quem o iniciou nos primeiros passos no tatame?   

Foi o professor Jorge Maldonado, na Academia Walnic, no Jacaré, subúrbio do Rio de Janeiro. A mesma academia onde começaram alguns outros grandes lutadores como André Marola e Chico Mello, que hoje também treinam na Nova União. 

Haroldo Bunn

Haroldo Bunn

Você se destacou nas faixas coloridas até chegar à faixa-preta. Conte um pouco da sua trajetória competitiva na arte suave?  

Comecei a competir com 14 anos na faixa amarela, todo mês eu lutava. Não havia CBJJ, não havia tantos campeonatos como há hoje, mas eu ia para Niterói (RJ) lutar na Liga Niteroiense, lutava a FJJ-Rio e todas as competições que apareciam. Lutava competições como Copa Atlântico Sul, lutei o primeiro brasileiro, o primeiro Panamericano e o primeiro mundial da modalidade. Participei ativamente da evolução e profissionalização do Jiu-Jitsu. 

Não há como deixar de destacar o ápice da sua carreira como atleta de BJJ ao bater um dos grandes competidores dos anos 80 e 90, Jean Jacques Machado, naquela chave de pé que você executou, fincando de vez o seu nome entre os melhores da modalidade… Relate como foi esse confronto?  

Naquele ano eu já estava focado no Vale-Tudo, já havia vencido 2 torneio de 8 lutadores (3 lutas na mesma noite, sem luvas e poucas regras), mas meu professor na época Alexandre Paiva falou para eu lutar, pois a Alliance queria chegar forte na competição. No dia, havia vencido três lutas por finalização e cruzei com o jean Jacques que também havia finalizado os seus três confrontos, porém todos diziam que ele me finalizaria rapidamente, como havia feito com outros adversários. Ele era um dos maiores lutadores da época, estava no auge, havia vencido o ADCC em Abu Dhabi, só que aprendi que ninguém vence luta antes dela começar, resultado: Finalizei-o em 16 segundos e eliminei um dos maiores favoritos do campeonato. Em seguida, na semifinal cedi a vitória para meu antigo professor Alexandre (Gigi) que foi campeão, e eu fiquei com a terceira colocação. O mesmo aconteceu quando lutei o primeiro brasileiro contra o Vítor Belfort (UFC) que na época já era um grande pupilo do Carlson e o venci sagrando-me campeão brasileiro. 

Haroldo Bunn

Haroldo Bunn

Hoje, você defende uma bandeira de grande peso no MMA mundial, a Nova União… Como foi a sua chegada nesta equipe e como está o seu trabalho defendendo o time de André Pederneiras e cia?  

Um dia quando estava dando instrução no BOPE do Rio de Janeiro encontrei o Dedé no batalhão, ele estava terminando de organizar o Shooto BOPE e me perguntou se eu estava interessado em lutar, respondi que estava 6 anos sem treinar MMA e que não conseguiria realizar um camp(treinamento) para luta, então ele disse: “Porra, você lutava sem tempo, sem luva e sem regra, tenho certeza que fará uma boa luta em qualquer condições”. No mesmo momento, o meu companheiro da Polícia federal ligou para nosso chefe em Brasília, que de imediato conseguiu me deixar trabalhando no Rio para que eu conseguisse treinar para a luta. Então fiz o camp todo com o Dedé e passei a treinar e lutar pela Nova União. Esse foi o grande momento que me fez retornar às competições de MMA. Voltei a competir Jiu-Jitsu também, esse ano já fui campeão em competições no Brasil e na Alemanha e ano que vem quero lutar as principais competições de Jiu-Jitsu e No Gi. Já tinha bons amigos na Nova União e depois desses anos treinando lá estou completamente realizado em estar nessa equipe extraordinária e poder representar essa bandeira. 

Haroldo Bunn (Foto: VANDERLEI ALMEIDA )

Haroldo Bunn (Foto: VANDERLEI ALMEIDA )

Além do tatame, você tem uma familiaridade com as lutas e octógono. Desde a época do Vale-Tudo, Haroldo “Cabelinho” era figurinha fácil de ver nos desafios dos eventos nacionais e internacionais… Conte um pouco da sua trajetória nesta modalidade?  

Luto Vale-Tudo (atual MMA) desde meus 15 anos. Testemunhei ativamente a transição do Vale-Tudo para o MMA profissional. Antigamente, lutávamos por nossas academias, por nossa modalidade, não éramos profissionais, mas tínhamos coragem, bravura e disposição bem maiores. Por outro lado, hoje tudo é muito mais profissional tanto dentro como fora do octógono e quem não se profissionalizar ficará marginalizado. Hoje eu treino em Brasília Luta- Livre no Cerrado MMA com o professor Renato Ferreira. Aprendo Luta Livre com o mestre Leitão dentro da Academia Nova União no Rio e treino com o Pedro Rizzo, isso era completamente impossível há duas décadas. Ao todo são 24 anos treinando Vale-Tudo e MMA. Para se ter uma idéia: quando eu fiz luta de mainevent no Japão contra o Hayato Sakurai, o Dedé fez o Co-mainevent contra o Rumina Sato, dois dos maiores lutadores da época. Vou lutar o próximo Shooto do BOPE e ainda quero me testar, me colocar em desafio, gosto disso. 

Mas não é só de luta que vive Haroldo Cabelinho. Você tem um oficio de grande periculosidade. Conte um pouco do seu trabalho fora de octógonos e tatames?   

Sou Agente da Polícia Federal e assim que entrei para polícia fiz o curso para pertencer à unidade de elite. As unidades de elite de todas as polícias fornecem vagas em seus cursos para policiais de outras unidades de elite. Quando apareceu a oportunidade de fazer o curso do BOPE-PMERJ me inscrevi e me formei lá também. Em seguida fiz o curso da CORE-PCERJ e sou o único policial que conseguiu se formar nos cursos das três principais unidades de elite policial do Brasil. Fiz mais algumas especializações como sniper e operador de helicóptero. Nenhuma outra polícia no mundo possui tantos confrontos com armas de guerra como essas polícias. É um trabalho difícil, perigoso e único no mundo, prova disso é que atualmente estou ministrando seminários na Alemanha para policiais se prepararem para combater os terroristas. 

Haroldo Bunn

Haroldo Bunn

Como é conciliar a vida de Policial e lutador? Tem algum projeto juntando os dois oficios?    

É difícil, mas como falamos nas operações especiais: “O fácil não cabe a nós!”. É difícil ficar sem viajar a trabalho, a Polícia Federal atua em todo o Brasil, então faço missões na Amazônia, em Foz do Iguaçu, no Rio de Janeiro e outros estados, e dificulta a continuidade dos treinos. Porém, há o ponto positivo, hoje a Polícia Federal reconhece a importância de o policial federal estar bem preparado, tanto fisicamente como tecnicamente, e por isso incentiva os treinamentos de artes marciais, buscando fornecer aos policiais mais um recurso que possibilite resolver os conflitos sem o uso da arma letal. Por isso, quando eu luto um evento de MMA eu o faço representando oficialmente a Polícia Federal recebendo ordem de missão, ou seja, minha missão é lutar pela Academia Nacional de Polícia. 

Trocação com Haroldo “Cabelinho”  

Jiu-Jitsu pra mim é…

Um estilo de vida.  

É melhor um inimigo abatido ou um adversário finalizado?  

O melhor é sempre a missão cumprida, seja ela qual for. 

Meu melhor momento como lutador foi…   

Finalização contra o Jean Jacques.

 Música:

Rock e clássica.

Gastronomia:

Churrasco. 

Livro:

A última carta do Tenente.

Não saio de casa sem… 

Minha pistola.

Recado final aos internautas do NOCAUTE NA REDE!  

Todos os dias perguntem o que de bom é possível fazer por quem cruzar conosco. Vibrando com esse pensamento e agindo assim certamente coisas boas vem até nós. 

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Escrito por André Vieira Ribeiro

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EspeciaisJiu JitsuLutas

Criado em 14 de agosto de 2013, o Nocaute na Rede tem como principal objetivo FORTALECER o crescimento do esporte pelo Brasil e mundo a fora, é por isso que desde o início divulgamos os pequenos eventos e atletas que estão começando no cenário nacional.
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