O que muda com as novas regras unificadas no MMA

Confira as novas regras que já estão vigentes desde do 1° de janeiro e o que esperar de diferente nas lutas
(Foto:Divulgação)

Aprovada em agosto de 2016 pela Associação das Comissões de Boxe (ABC) dos Estados Unidos, com um placar elástico de 42 a favor e somente uma contra (a de Nova Jersey), as novas regras unificadas do MMA passaram a valer a partir do dia 1° de janeiro deste ano. A ideia dessas novas medidas poderá trazer um pouco mais de “justiça” aos resultados das lutas que forem decidida pelos juízes laterais do Cage, uma vez que em muitas lutas no últimos anos apresentaram resultados controversos.

Além disso, as novas regras trarão mais rigor a aqueles lutadores que atuarem com os dedos abertos (em riste), onde as causas de acidentes com golpes ilegais (dedada no olho) deverão ser punidos mais frequentes com a perda de um ponto.

Confira nesta matéria as regras unificados e uma análise do que poderemos esperar dos desfechos das lutas e para alguns lutadores.

Novas Regras Unificada do MMA

1) Regra de três apoios – A partir de agora, o atleta poderá ser atingido em “3 apoios”, ou seja, aquela “tática” do lutador de colocar uma mão no chão tendo pés e joelho já apoiados para evitar levar chutes e joelhadas na cabeça, em decorrência de estar sendo dominado no clinch ou cinturado pelo oponente, não terá mais essa “dádiva”. Só poderá estar imune apenas em 4 apoios, sendo as duas mãos e os dois pés no solo. Com esta regra, caso estivesse em vigor um mês atrás (em dezembro de 2016), Tim Means sairia vencedor daquela luta contra Alex “Cowboy” por TKO (nocaute técnico), uma vez que as joelhadas naquela posição seriam legais.

Tim Means aplica joelhadas em Alex Cowboy, na posição de três apoios (Foto: MMA Junkie)

Tim Means aplica joelhadas em Alex Cowboy, na posição de três apoios (Foto: MMA Junkie)

2) Dedo no olho – devido as frequentes ocorrência dessa ilegalidade e a falta de punição por conta do “bom senso” da regra e dos árbitros, agora não haverá tanta flexibilidade, podendo o árbitro punir com 1 ponto ou mais (recorrência do mesmo ato) ao lutador que atingir seu adversário com o dedo no olho sem precisar dar um “alerta”. O lutador precisará manter o tempo todo os dedos para cima (claro que não poderá atingir o olho lutador de baixo para cima caso seja mais baixo que seu oponente) ou fechadas. [Jon Jones que se cuide!];

3) Calcanhar (golpes) nos rins e a pressão na clavícula tornam-se a válidas nas novas regras;

4) Vestimentas das lutadoras – devido a alguns “acidentes” de lutadoras terem seus seios aparecerem nas telas, além de prejudicarem as mesmas em ter que se preocuparem em também se “defenderem” disso, serão obrigatório que as lutadoras usem camisetas rashaguard ou usarem top esportivo por baixo da camiseta.

Pontuação e definição da ordem de julgamento das lutas

A nova forma de um juiz lateral avaliar a luta, onde terá mais flexibilidade para pontuar, será uma das mudanças mais justas e significativas no MMA/UFC. Conforme o MMA crescia tecnicamente, mais lutas chegaram mais vezes nas mãos dos juízes, onde não sabiam “o que fazer” para pontuar uma luta tão equilibrada no round ou decidir uma luta que houvesse grande domínio, no entanto pontuar SEMPRE como 10-9, excluindo a pontuação 10-8 ou até um 10-7. Para definir o vencedor de um round, será observado os seguintes quesitos:

1) Trocação e Grappling efetivo: será o principal quesito de decidir o vencedor do round;

2) Agressividade: em caso de equilíbrio da norma anterior, seguirá neste quesito;

3) Controle do Cage/Octógono: por fim, o controle no centro do cage será a última avaliação do juiz para determinar o vencedor.

O vencedor nos quesítos acima, levará a maior pontuação, 10, e o que perder o round, levará 9 ou menos.

O domínio, a duração e o dano são os critérios a serem considerados na avaliação do juiz para definir a flexibilidade da pontuação.

10 – 8: caso o lutador domine seu adversário em dois dos três critérios acima, deverá ser pontuado com 10 – 8.

10 – 7: considerada lenda essa pontuação, onde foi usada pouquíssimas vezes, o 10 – 7 deverá ser considerado quase como se fosse um 10 – 8 claríssimo na regra antiga. Um lutador pode ter domínio em três critérios e, ainda, caso o lutador não tenha a luta paralisada pelo árbitro por nocaute técnico por conta do encerramento do round, poderá o juiz avaliar como 10 – 7.

Edson Barboza venceu Gilbert Melendez por decisão unânime / foto: Getty Images

Edson Barboza venceu Gilbert Melendez por decisão unânime (foto: Getty Images)

O que poderemos esperar das lutas?

Com as novas regras unificadas do MMA, as lutas deverão sofrer mudanças significativas da forma que estamos habitualmente acostumados a acompanhar. Podemos dizer que, a princípio, as lutas deverão ter um aumento em acabar por nocaute técnico, haja vista que as joelhadas permitidas em três apoio terão impacto muito maior na definição das lutas, uma vez que, assim como o extinto Pride, terão uma semelhança com os famosos “Tiro de meta”.  Com isso, já podemos esperar que os juízes terão menos trabalho para se preocuparem. Poderemos ver lutas um pouco menos amarrada, já que os golpes nos rins com o calcanhar poderá fazer lutadores “amarrões” não fiquem o tempo todo segurando o lutador de costa pro chão dentro da guarda.

Por fim, a respeito das lutas chegarem nas mãos dos juízes, é possível ter um aumento nos resultados por empates, uma vez que se um lutador vencer dois rounds por 10-9, mas no terceiro round perder o domínio e sofrer bons danos, acabe levando um 10-8 e a luta terminar em 28-28. Porém, também haverá placares mais “elásticos”. Não será nenhuma surpresa de um lutador, como, por exemplo, o russo Nurmagomedov vencer por 30-25, 30-24 ou até, quem sabe, um 30-23.

O que mudará para os lutadores

Para os lutadores, aqueles que se adaptarem mais rápido com estas novas medidas, com certeza já sairão na frente dos demais. Em tese, aqueles que tiverem jogo forte no grappling e no clinch, poderão ter mais facilidade em forçar seus adversários a ficar pressionados nas grades (onde é mais propenso recorrer na posição de 3 apoios) e levar as joelhadas na cabeça, o que poderão obter mais vitórias por nocaute e nocaute técnico.

No caso de alguns Wrestler’s “carrapatos”, em específico daqueles que entram mais vezes na guarda do oponente, poderá não ser uma boa ideia a partir de agora, uma vez que seus adversários, sabendo da possibilidade de se defender através dos golpes nos rins com o calcanhar, deverão usar à vontade essa nova arma de combate e castigar essa parte do corpo do lutador de modo a não só não ficar submisso as marretadas e cotoveladas do Ground a Pound de costa para chão como também até mesmo partir dali para pontuar com golpes mais contundentes e obter vantagem ou igualar nos danos que poderá causar. Além disso, o trabalho de jogo de chão de lutadores, que tenham como background o Jiu-Jitsu, deverão ficar um pouco mais limitado (para quem joga por cima), o que precisarão obter meios mais rápido de desvencilhar da guarda do oponente, uma vez que também correm riscos de sofrerem com golpes na região dos rins; no entanto, a famosa frase, “é sempre ruim jogar de costa para o chão mesmo para os amantes da ‘arte suave'”, não será mais tão ruim assim, porque são novas armas acrescentadas para sair da posição de desvantagem e, ainda, pode facilitar em fazer “raspagens”.

Por fim, as novas regras serão, sem dúvidas, muito mais benéficas para o espetáculo das lutas do que maléficas. Os resultados nas mãos dos juízes (a meu ver) serão mais justos, as lutas serão menos amarradas e mais movimentadas, os lutadores poderão lutar com mais liberdade, sem esquecer (é claro), de que as dedadas dos olhos não serão mais toleradas, o que fará com que os atletas tenham mais prudência em manter a distância com a palma da mão sem os dedos em riste no rosto do oponente.

(Foto: MMA Weekly)

(Foto: MMA Weekly)

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4 Comentários nesta publicação.
  • Elber
    11 janeiro 2017 at 18:13
    Responder

    Matéria extremamente útil para os apostadores pré e ao vivo de MMA. Parabéns Albert!!

    • Albert Alves
      12 janeiro 2017 at 22:51
      Responder

      #TamoJunto!

  • Hugo
    12 janeiro 2017 at 20:17
    Responder

    Se o atleta tiver o joelho no chão, continuam a ser ilegais os golpes à cabeça.

  • zspilman
    18 janeiro 2017 at 13:40
    Responder

    Sobre la regla de los 3 puntos de apoyo: Dice claro, “si el peleador tiene cualquier parte del cuerpo que no sean las plantas de los pies o las manos en la lona, es un peleador en el piso y no puede ser pateado o recibir rodillas en la cabeza.

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