Análise, Resultados e Bônus: A Leitura do UFC 199: Rockhold vs. Bisping

    Não tenho palavras para fazer uma introdução desse evento tão grandioso, vamos direto ao que interessa:   Numa das histórias mais bonitas da história do MMA, Michael...

 

Michael Bisping (Foto: Reprodução)

Michael Bisping (Foto: Reprodução)

 



Não tenho palavras para fazer uma introdução desse evento tão grandioso, vamos direto ao que interessa:

 

Numa das histórias mais bonitas da história do MMA, Michael Bisping nocauteou Luke Rockhold e se tornou o novo campeão peso médio do UFC. Michael fez sua primeira luta oficial pelo UFC em 2006, onde venceu o torneio do The Ultimate Fighter, e levou dez longos anos para conseguir sua disputa de cinturão. No começo do ano, Michael Bisping liderou o card do Fight Night no Reino Unido, onde venceu dezoito lutas e não perdeu nenhuma, e bateu Anderson Silva, o melhor peso médio da história. Na madrugada deste domingo, nocauteou Rockhold em menos de quatro minutos de luta e se tornou o primeiro campeão da Inglaterra no UFC.

A luta estava parelha, afinal, era apenas o inicio do round e ambos os lutadores ainda não tinham soltado seu jogo por completo. Rockhold, como de costume, ia usando seu efetivo contragolpe em forma de cruzado, com a mão da frente de sua base, jogado por cima do golpe do adversário, além de trabalhar seus chutes, variando corpo e cabeça, e usar bastante o footwork. Michael Bisping, confiante que só, ia usando sua guarda de forma bem fechada e procurando por aberturas, enquanto ia pressionando, andando para frente e tentando usar seu excelente volume de golpes (que causa pesadelos em Anderson Silva até hoje). Na segunda metade do terceiro minuto de luta, os lutadores chegaram no pocket, na curta distância, até que Michael Bisping achou um buraco e entrou com uma combinação, explodindo um cruzado no queixo do campeão, que foi a knockdown e se levantou rapidamente, mas Michael acertou outro bom golpe e o mandou novamente ao chão, onde encerrou a luta com ground and pound e se tornou o novo campeão peso médio do UFC. Que momento incrível.

 

Outra história magnífica é a que Dominick Cruz está escrevendo. Ele era o campeão do WEC e foi promovido a campeão do UFC, totalizando cinco vitórias consecutivas valendo o cinturão do peso galo. Mas lesões graves atrapalharam seu reinado e ele ficou fora durante três anos, até se recuperar, voltar aos octógonos e atropelar Takeya Mizukagi. Mais lesões o atrapalharam e ele ficou mais quase dois anos parados, até se recuperar e enfrentar o TJ Dillashaw, o campeão que tinha surgido enquanto ele esteve fora. Desde então, Dominick bateu Dillashaw, o segundo melhor peso galo do mundo, e hoje manteve seu reinado com mais uma vitória espetacular.

O primeiro round se desenvolveu bastante no grappling, mas foi a única coisa diferente em toda a luta. Dominick Cruz usou seu footwork sensacional, que só perde para Ronda Rousey como “coisa mais bonita do MMA”, fez a manutenção de distância perfeita, frustrou Urijah Faber como poucos e controlou toda a luta. A arte de entrar, bater e sair sem ser atingido é algo lindo de se ver no MMA (pelo menos para quem é um entusiasta da parte técnica e tática do jogo), sempre que Dominick entra no octógono, sei que vou apreciar ainda mais sua técnica.

O nível de trocação que vemos no MMA é inferior ao que vemos no mais alto nível do boxe profissional, do kickboxing e do muay thai, mas tenho certeza que o MMA vai evoluir muito nos próximos anos até chegar perto desse nível, e atletas como Dominick Cruz e Demetrious Johnson estão fazendo essa evolução acontecer. Ver o Brock Lesnar de volta é legal, sei disso, também fiquei feliz com o anuncio, mas nunca podemos esquecer-nos de apreciar, respeitar e valorizar o nível técnico e tático do MMA, afinal, por mais que o Ultimate seja uma empresa privada e só consiga nos proporcionar grandes lutas por causa da parte financeira, nenhum esporte existe por entretenimento, e sim pela competição. Quem vive de entretenimento é a (ou “o”, não sei ao certo) WWE, e o MMA passa longe disso. Portanto, obrigado, Dominick Cruz!

 

Outra grande história aconteceu nesse evento, ainda não terminei. Dan Henderson é um dos maiores lutadores de todos os tempos, representou os Estados Unidos no wrestling nas olimpíadas, foi campeão peso médio do Pride nocauteando o lendário Wanderlei Silva, venceu o torneio e o cinturão dos meio-médios do Pride em cima de Murilo Bustamante, foi campeão meio-pesado do Strikeforce, fez lutas incríveis no UFC e NOCAUTEOU O FEDOR EMELIANENKO. Que homem!

Neste histórico UFC 199, Hendo fez uma das melhores lutas da noite, onde enfrentou o temível cubano Hector Lombard, que é mais forte que um caminhão de pequeno porte a 100km/h. Dan Henderson começou melhor, acertando uma bela direita na cabeça de Hector, que sentiu o golpe, mas se “recuperou” devolvendo na mesma moeda e mandando o velhote a knockdown. Esse quebra pau seguiu da mesma forma até o segundo round, quando Henderson entrou com um chute alto de direita, que acertou o cubano mas foi segurado logo em seguida, eis que Dan tira uma cotovelada brilhante da cartola e manda Lombard para o chão. Hector estava praticamente apagado, mas o extinto matador de Dan Henderson o fez dar conta do recado com ground and pound e deixou o cubano semi morto no octógono. Grande vitória do lendário lutador, que disse que essa pode ter sido sua última luta. Se realmente for, que descanse em paz pelo resto de seus dias.

 

Também quero destacar a vitória espetacular de Max Hollaway, que dominou o duríssimo Ricardo Lamas e conseguiu vencer todos os rounds da luta. Esse garoto tem muito talento, é o presente e o futuro do peso pena, e deve disputar o cinturão da categoria mais cedo ou mais tarde.

Dustin Poirier também foi sensacional nessa noite e conseguiu nocautear Bobby Green com menos de três minutos de luta. O diamante ainda vai dar o que falar no peso leve.

Curiosamente, os dois lutadores que citados acima que foram excepcionais em suas performances, foram absurdamente dominados por Conor McGregor. E tem quem duvide do irlandês.

Beneil Dariush foi muito bem contra James Vick, controlou bem a luta na trocação e terminou com um nocaute fulminante. Jéssica Andrade estreou nos penas brutalizando a ex-desafiante ao cinturão Jessica Penne, conseguindo um belo nocaute técnico no segundo round.

 

 Os bônus da noite ficaram assim:

Marco Polo Reyes (que não é o Marco Polo explorador dos séculos XIII e XIV) e Dong Hyun Kim (que não é o Dong Hyun Kim top contender dos meio-médios) fizeram a luta da noite, que foi uma reviravolta absurda, até que Reyes acabou com a festa nocauteando no último round.

As bombas de Michael Bisping (sobre Luke Rockhold) e Dan Henderson (sobre Hector Lombard) garantiram os prêmios de performance da noite.

 

Confira também todos os resultados do evento:

Michael Bisping nocauteou Luke Rockhold no 1º round;

Dominick Cruz venceu Urijah Faber por decisão unânime;

Max Holloway venceu Ricardo Lamas por decisão unânime;

Dan Henderson nocauteou Hector Lombard no 2º round;

Dustin Poirier nocauteou Bobby Green no 1º round;

Brian Ortega nocauteou Clay Guida no 3º assalto;

Beneil Dariush nocauteou James Vick no 1º assalto;

Jéssica ‘Bate Estaca’ nocauteou Jessica Penne no 2º round;

Alex Caceres venceu Cole Miller por decisão unânime;

Sean Strickland venceu Tom Breese por decisão dividida;

Luis ‘Frankenstein’ nocauteou Jonathan Wilson no 2º round;

A luta entre Kevin Casey e Elvis Mutapcic terminou empatada;

Marco Polo Reyes nocauteou Dong Hyun Kim no 3º round.

 

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Jornalista freelancer. Matérias publicadas em Nocaute na Rede, Correio Paulista, Medium, Shion Magazine, NetFighter e Pitaco Esportivo. contato: [email protected]
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