UFC 245: Análise Técnica e Tática de Kamaru Usman vs. Colby Covington

Kauê Macedo analisa Kamaru Usman vs. Colby Covington para a luta que acontece neste sábado no UFC 245
Foto: Reprodução (UFC.com)

Seis anos após o final da era GSP no peso meio-médio do UFC, a categoria finalmente terá uma disputa de cinturão que envolve dois nomes da nova geração. Não apenas dois nomes, mas os dois melhores do mundo: Kamaru Usman e Colby Covington.

Com sequências de vitórias impressionantes e dominantes, características muito parecidas e um cinturão para cada (um linear e outro interino), Kamaru Usman e Colby Covington protagonizam uma das disputas de cinturão mais intrigantes do ano. Não apenas pela animosidade criada nos últimos meses, mas por um confronto de estilos intrigantes, muito parecidos e do mais alto nível.



Luta bem difícil de prever com precisão, vale a pena aceitar o desafio.

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Análise Técnica

Kamaru Usman

Kamaru Usman tem background no wrestling e adaptou bem seu jogo de quedas ao MMA, mas sua trocação foi fundamental para alcançar o mais alto patamar da categoria. Usman mantém a luta na média distância, sempre avançando, mesclando fintas e passadas lineares, e recuando linearmente ou lateralmente quando necessário.

O atual campeão é um lutador de pressão, que gosta de estar avançando e procura sempre controlar o centro do octógono. Essa noção de espaços no cage é fundamental para que seu jogo seja bem aplicado, pois limita significativamente as opções de o adversário escapar, fazendo com que fique cada vez mais acuado e abrindo brechas para a imposição do seu jogo de luta agarrada.

Até mesmo contra Rafael dos Anjos, que é um ótimo exemplo de lutador de pressão na trocação, Usman foi capaz de controlar o centro do octógono durante boa parte da luta, mesmo quando não estava investindo em quedas ou aplicando o controle através do clinch

Ele utilizada fintas constantemente, ameaçando tanto golpear com os punhos quanto mudar o nível da luta. Essa estratégia é eficiente não apenas para ser imprevisível nos ataques, mas para aumentar a preocupação do adversário e limitar suas investidas. Quanto mais um lutador que está com as costas perto da grade fica receoso e menos ele ataca, maior são as chances dele não conseguir escapar daquela posição.

Contra Woodley, que não é um lutador que faz questão de ficar com as costas perto da grade, Usman controlou o centro do octógono magistralmente, não deixando espaços para o até então campeão escapar do seu jogo de pressão.

A trocação é composta, sobretudo, de golpes longos e retos. Sua boa noção de distância permite que consiga golpear sem se expor muito, avançando apenas o necessário para entrar no raio de ação e conectar.

Esses golpes longos e retos são bons não apenas para manter o controle dos espaços no cage ou para ponuar, são também uma boa porta de entrada para quedas, aplicadas com uma boa variação de técnicas, tanto a partir da distância entrando nas pernas quanto a partir do clinch.

Muitas vezes, as quedas parecem bem telegrafadas, começando a abaixar sua postura desde a longa distância e já estando com os braços completamente esticados no meio do caminho, deixando a imprevisibilidade de lado. Isso é compensando com o bom timing que ele tem, mas, ainda assim, às vezes é surpreendente como ele consegue aplicar sem esconder seu jogo.

O percentual de acertos nas quedas não é alto, mas isso é compensado por um alto volume de tentativas. Até o momento, Usman conseguiu completar quedas em todos os adversários que tentou. Em apenas duas lutas Usman não levou para o chão (propositalmente), contra Demian Maia e Sérgio Moraes, dois ex-campeões mundiais de jiu-jitsu.

No clinch, Usman mantém um bom controle posicional, prendendo os adversários na grade, sempre aplicando golpes (sem muita contundência, mas efetivos e desgastantes) e buscando brechas para entrar em queda e levar a luta para o chão.

Quando a luta chega ao chão, Usman mostra um ótimo controle posicional, colocando pressão e dando poucos espaços para o adversário se defender. Ele tem um certo nível técnico no jiu-jitsu que o permite passar a guarda e consegui manter a posição dominante. Falta volume de golpes e tentativas de finalização, mas o trabalho que ele faz no chão é bem feito e efetivo.

Colby Covington

Colby Covingrton tem um estilo parecido com o de Usman, é um wrestler de origem, que coloca muita pressão na trocação e busca trabalhar seu jogo sufocante de luta agarrada, mas tem suas particularidades.

Na trocação, Covington mantém a luta da média para a curta distância, avançando sempre com uma movimentação lateral, tentando fazer o adversário ficar mais próximo da grade para começar a trabalhar o clinch ou entrar com uma queda.

Apesar de chutar com alguma frequência, a trocação de Colby é focada no boxe. Seu arsenal ofensivo com as mãos é relativamente grande, mas não é aplicado com muita técnica.

Colby trabalha com um alto volume de golpes, aplicando golpes longos e retos, como jabs e diretos, e utiliza bastante cruzados e uppercuts, sempre da média para a curta distância. O volume de golpes é bem alto e chega a compensar a falta de contundência, mas a precisão é bem precária e acaba abrindo brechas para muitos contragolpes, como aconteceu contra Rafael dos Anjos, ou dando confiança ao adversário, como aconteceu contra Demian Maia, onde o brasileiro teve seus momentos trabalhando combinações de jab e direto.

Controlar o centro do octógono é um dos maiores objetivos de Covington, mas falta técnica para concretizar. A falta de precisão, técnica e contundência na trocação faz com que os adversários do americano não recuem, mas tentem retalhar suas investidas. Isso atrapalha muito Covington, que precisa se arriscar mais e colocar ainda mais pressão para levar os adversários até a grade.

Quando consegue aplicar esse controle (e ele sempre dá um jeito), Colby faz variações entre quedas e clinch. A pressão no clinch é forte e o controle posicional é bem efetivo, mantendo o adversário preso e dando poucos espaços para ser golpeado. As quedas tem um ótimo nível técnico e volume de tentativas alto, desgastando os adversários e, eventualmente, levando qualquer um ao chão. Até o momento, Colby colocou todos os adversários que tentou para baixo. Assim como Usman, o único que ele não quedou foi o Demian Maia, que é um pesadelo para qualquer um no chão (Ben Askren tentou provar o contrário e acabou finalizado).

Quando consegue a queda, Covington não tem um controle tão efetivo no solo e acaba deixando a posição escapar vez ou outra. Isso é compensado pelo alto volume de quedas, colocando os adversários para baixo de novo e de novo.

O ground n’ pound também tem um volume alto, mas a falta de contundência atrapalha bastante a sua efetividade. Esse é um caso diferente de Khabib Nurmagomedov, por exemplo. O russo tem poder nas mãos e mesmo assim dificilmente consegue um nocaute no ground n’ pound. Isso acontece porque a posição em que eles se colocam, geralmente aquele controle posicional na grade, pegando parte da lateral e parte das costas do adversário, impossibilita uma geração de força alta. Colby também é atrapalhado por isso, mas mesmo que não fosse, também seria raro vê-lo nocauteando alguém, devido à baixa potência.

Análise Tática

Para analisar essa luta, é necessário responder três questões principais:

1) Quem vai pressionar mais e controlar o centro do octógono?

2) Quem vai ser mais efetivo na trocação, tendo o melhor balanço entre volume de golpes e contundência?

3) Quem vai quedar mais e controlar mais tempo a luta no chão?

A tendência é que Colby Covington pressione mais, pois é o lutador mais agressivo e com maior volume de golpes, além de ser o que mais se abre defensivamente e o que menos tem medo de errar. Obviamente, isso pode ser uma faca de dois gumes, pois pode acabar sendo engolido por contragolpes.

Apesar da maior pressão de Colby, a tendência é que Kamaru Usman tenha o melhor controle do centro do octógono. O nigeriano é mais técnico na trocação e tem uma movimentação mais fluída. O alto nível técnico no wrestling também pode tirar o receio que muitos tem de ser quedado, o que diminuiu bastante a capacidade de responder a pressão do americano.

Colby dificilmente superará o campeão na contundência, isso é uma questão corporal e ele não terá como mudar a menos que consiga conectar os golpes mais bem encaixados de sua vida e balançar a ponta do queixo do adversário.

Usman também dificilmente superará o volume de golpes do americano, já que seu jogo na trocação não é baseado em alto volume, mas sim em golpes mais fortes e bem escolhidos.

Isso faz com que a balança na trocação pese mais para o lado de Usman, que é mais técnico e deve conseguir controlar aspectos muito importantes como a distância e o centro do octógono. Assim, poderá conectar os melhores golpes, mesmo que em menor quantidade.

O wrestling será o grande diferencial nessa luta. Usman já provou que pode quedar e controlar um excelente wrestler ao dominar Tyron Woodley na última luta, coisa que Covington ainda não teve a oportunidade de mostrar.

Colby também fica em desvantagem em outro aspecto do wrestling, ele já foi quedado por Rafael dos Anjos (três vezes) e Dong Hyun Kin (duas vezes), enquanto Usman mantém o percuntual de 100% de quedas defendidas.

No chão, a vantagem também é de Usman, que prefere puxar os adversários para fora da grade e manter o controle posicional por cima, colocando pressão e passando a guarda, enquanto Colby trabalha na grade, quedando quantas vezes for necessário.

Apesar de ser um ótimo lutador e um dos três melhores do mundo na categoria, Colby Covington tem algumas desvantagens que são cruciais para conseguir a vitória nessa luta. Pode-se dizer que Kamaru Usman é o casamento mais difícil para ele na categoria, pois até contra Tyron Woodley era teria boas chances de vitória.

Existem dois cenários em que a vitória de Colby Covington é possível. O primeiro é ele aplicando um volume de golpes alto o suficiente para impressionar os juizes, colocando pressão e anulando a movimentação de Usman. O segundo é ele conseguindo ter um maior controle no clinch e conseguindo mais quedas, o que também deve influenciar bastante os juízes. Um terceiro também é possível, apesar de bem improvável, no qual ele consegue superar tanto no volume de golpes na trocação quanto no controle no clinch e nas quedas.

Para Usman, os cenários são mais possíveis. O campeão tem uma pequena vantagem técnica e tática na trocação, sendo o melhor lutador em qualidade de golpes, manutenção de distância e controle de octógono. Também já se provou contra um grande wrestler, conseguindo controlar a luta tanto no clinch quanto com quedas, e também se mantém sem nunca ter sido quedado no UFC, ao contrário do desafiante.

A maior probabilidade da luta é que Usman controle mais a luta em todos os setores. Não necessariamente um controle absoluto, como fez contra Tyron Woodley, mas um controle bom o suficiente para vencer pelo menos três rounds e sair vitorioso na decisão dos juízes.

Prognóstico: Kamaru Usman

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Bacharelando em Jornalismo, Analista de MMA e boxe no PitacoEsportivo.com e Nocaute na Rede. Contatos: [email protected] (via e-mail) e @kauemcd (via Twitter)
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