Análises, Resultados e Bônus – A Leitura do UFC 203: Miocic vs. Overeem

Kauê Macedo analisa os principais combates do UFC 203
Foto: Esther Lin/MMAFighting.com

Depois de uma noite intensa de lutas, fica para trás mais um grande evento do UFC. Dessa vez, que ficou nos livros foi o UFC 203, que contou com uma disputa de cinturão insana entre Stipe Miocic e Alistair Overeem, uma revanche cheia de controversas entre Fabrício Werdum e Travis Browne, a estreia preocupante de CM Punk no MMA e várias outras lutas interessantes.

A luta principal foi válida pelo título mundial do UFC dos pesos pesados, em que o campeão Stipe Miocic se manteve no trono de suor e sangue com um nocaute no primeiro round em cima de Alistair Overeem.



O holandês Overeem, que é um multi campeão nos esportes de combate, tendo conquistados títulos importantíssimos no K-1, Strikeforce e Dream, começou bem a luta ao colocar sua estratégia em prática com perfeição, utilizando bastante o trabalho de pernas, mantendo a longa distância e esperando a hora certa de entrar no raio de ação do adversário, estratégia essa que funcionou perfeitamente contra Junior Cigano e Andrei Arlovski. Miocic, por sua vez, veio com seu jogo padrão também, lutando como um pressure figther, controlando o centro do octógono, tendo o maior volume de golpes e sendo mais agressivo.

Alistair foi quem começou com a vantagem, principalmente por entrar com um belo golpe de esquerda, que mandou o campeão a knockdown. The Reem ainda encaixou uma bela guilhotina, mas Miocic se defendeu bem e conseguiu se recuperar da turbulência.

Depois de voltar a trocação e ter sua consciência normal de volta, Miocic voltou a colocar seu plano em jogo, dessa vez com mais intensidade, e foi isso que definiu o combate. Stipe começou a ser bem mais agressivo, acertando golpes bem contundentes, encurralando Overeem contra a grade e o atordoando repetidamente com ótimas combinações, até que o orgulho de Cleveland conseguiu a primeira e única queda da luta. Miocic caiu por cima, conseguiu estabilizar a posição contra um oponente duríssimo no cão (Overeem tem 19 finalizações, o que representa 46% de suas vitórias) e esmagou sua cabeça com um ground and pound violento, mandando o gigante holandês para a vala e fazendo sua primeira defesa de cinturão com sucesso.

Overeem melhorou muito nas mãos de Greg Jackson e Mike Winkeljohn, mas aquela história de que ele “bate como um leão e apanha como um gatinho” (que é bem exagerada) acabou se repetindo. Já Miocic vem se mostrando um monstro no primeiro round, já são três nocautes consecutivos nos primeiros cinco minutos de luta, e o oitavo em toda sua carreira. Independente de quem for o próximo desafiante, já sabemos que ele não terá vida fácil.

Na co-luta principal, Fabricio Werdum dominou a luta, mas acabou saindo da arena com a moral lá em baixo. No primeiro round, Werdum abriu com um chute voador que explodiu na cabeça de Travis Browne, que esperava de tudo, menos isso. No decorrer dos primeiros cinco minutos, o brasileiro foi melhor em pé, colocando pressão e acertando boas combinações, e conseguiu um belo knockdown, onde conseguiu cair por cima do adversário e colocar em prática o melhor jiu-jitsu da divisão. Marquei 10-8 nesse round (quem discorda é melhor dar uma relida no sistema de pontuação, só por via das duvidas).

O segundo e o terceiro round continuou com a dominância de Fabrício, mas com bem menos intensidade. Travis cresceu um pouco na luta no último round, mas não foi nada que ameaçasse a encaminhada vitória do brasileiro por decisão.

Werdum entrou no UFC 198 como um herói nacional, mas seu comportamento após a luta deste sábado (domingo, para falar a verdade) foi bem dispensável. Ele chutou o coitado do Edmond Tarvedyan, que estava reclamando sobre alguma coisa. Travis Browne viu e foi peitar o brasileiro, mas aparentemente percebeu que apanharia de novo e resolver ficar na dele. Enquanto isso, Renato Babalu foi sumonado de algum lugar e lutava para passar pelo segurança que bloqueava sua entrada no octógono. Ainda bem que não deu em nada grave, se fosse os irmãos Diaz, acompanhados dos meninos comportados Jake Shields e Gilbert Melendez, é bem provável que a coisa ficasse um pouquinho mais séria.

Voltando a falar da luta, que é o que realmente interessa nessa coluna. Werdum foi dominante contra Travis Browne e provavelmente vai querer mais uma chance de lutar pelo cinturão, mas poucos meses atrás, um tal de Cain Velasquez, que pra mim é o melhor (em nível técnico) peso pesado da história, atropelou esse mesmo Travis Browne e poucos minutos, o que deve deixar Werdum para trás na fila pelo ouro. Travis Browne já foi muito melhor, isso não é segredo para ninguém; pouco tempo atrás, ele tinha um bom trabalho de pernas e tirava ótimos chutes da cartola (lembra quando ele nocauteou Alistair Overeem? Então…), mas hoje em dia virou sombra do que foi um tipo. Parece que temos um Antonio Pezão norte-americano. Uma pena que ele vai acabar sendo conhecido pelo grande público apenas como “o namorado da Ronda Rousey”.

Também tivemos a estreia do CM Punk, um estrela do WWE, no esporte mais complexo do mundo. Ele enfrentou o promissor Mickey Gall, de apenas 24 anos, que é maior e tem maior envergadura. Não sei se o UFC queria mesmo alguém desse nível para enfrentar CM Punk ou se eles não pesquisaram a fundo quem era o garoto (Gall é faixa marrom de jiu-jitsu e já venceu torneios importantes de luta agarrada na NAGA e na Grapplers Quest) e acabaram entregando um mini demônio nas mãos de um coroa de 37 anos que queria superar um desafio pessoal.

CM Punk começou a luta de modo estranho, como já era esperado, partindo para cima numa velocidade acima do comum no esporte e buscando o primeiro golpe assim que entrou no raio de ação do adversário. Micley Gall, que não e bobo nem nada, foi direto para a queda e colocou o adversário de costas para grade. Assim que teve o mínimo espaço, Gall entrou com um ground and pound assustadoramente brutal (mais sinistro do que estamos acostumados a ver no MMA) e amassou completamente o rosto de CM Punk. A luta se estendeu nisso e acabou num mata leão do jovem Mickey, que de quebra ainda desafiou Sage Northcutt.

Não sabia o que esperar de CM Punk, já que a única informação técnica que tinha dele era oriunda dos vídeos de seus treinos publicados pelo UFC. Ele é um cara normal, assim como eu e provavelmente assim como você que está lendo. Esses caras que lutam no octógono do UFC não são normais, são completamente fora de série, são algumas das pessoas mais perigosas (em relação a um combate corpo a corpo) do mundo, e com o nível técnico de hoje em dia, não tenho duvida alguma em dizer que são dos mais perigosos da história da humanidade. E é isso que acontece quando uma pessoa normal decide lutar contra um lutador profissional. Aconteceria a mesma coisa se fosse eu ou você (desconsidere isso se você for um lutador profissional), talvez até pior, muito pior.

Em relação a Mickey Gall, é bom o garoto ter um pouco de cuidado e noção do que está fazendo. Ele teve a sorte de enfrentar e atropelar uma super estrela em frente de milhões de pessoas, mas não pode se vender como um freak show. E é exatamente isso que ele está fazendo ao desafiar Sage Northcutt, um garoto de vinte anos, que luta na categoria de baixo e que é menor em todos os sentidos. Tomara que o UFC tome conta dele, já que é um garoto promissor.

Além disso, o UFC 203 também viabilizou a performance impressionante de Jimmie Rivera em cima do veterano Urijah Faber, vencendo todos os três rounds e se firmando como mais um grande prospecto no peso galo; Na categoria peso palha feminino, a brasileira Jéssica Bate-Estaca conseguiu uma grande vitória ao finalizar a duríssima Joanne Calderwood, uma das melhores lutadores peso por peso do mundo; e Bethe Correia também se recuperou da má fase ao bater Jessica Eye, numa luta bem apertada.

 

Confira todos os resultados oficiais da noite:

CARD PRINCIPAL

Stipe Miocic venceu Alistair Overeem por nocaute técnico aos 4m27s do R1

Fabricio Werdum venceu Travis Browne por decisão unânime (29-28, 29-27, 30-27)

Mickey Gall venceu CM Punk por finalização aos 2m14s do R1

Jimmie Rivera venceu Urijah Faber por decisão unânime (triplo 30-27)

Jéssica Bate-Estaca venceu Joanne Calderwood por finalização aos 4m18s do R1

CARD PRELIMINAR

Bethe Correia venceu Jessica Eye por decisão dividida (29-28, 28-29, 29-28)

Brad Tavares venceu Caio Monstro por decisão dividida (29-28, 28-29, 30-27)

Nik Lentz venceu Michael McBride por nocaute técnico aos 4m17s do R2

Drew Dober venceu Jason Gonzalez por nocaute técnico a 1m45s do R1

Yancy Medeiros venceu Sean Spencer por finalização aos 49s do R2

Bônus:

Performance da noite: Yance Medeiros e Jéssica Andrade

Luta da noite: Stipe Miocic x Alistair Overeem

 

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Jornalista freelancer. Matérias publicadas em Nocaute na Rede, Correio Paulista, Medium, Shion Magazine, NetFighter e Pitaco Esportivo. contato: [email protected]
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