O poder das mulheres. Conheça a árbitra Charyana Gamballe

Quem acompanha o mundo o MMA mais de perto percebeu que, na última semana, muito se falou sobre Charyana Gamballe, a árbitra que se destacou durante o Imortal FC...
Foto: Bello Arte Fotográfica

Quem acompanha o mundo o MMA mais de perto percebeu que, na última semana, muito se falou sobre Charyana Gamballe, a árbitra que se destacou durante o Imortal FC 5, evento televisionado pelo Esporte Interativo. Ela  mostrou que as mulheres podem dominar o octógono, tanto como lutadoras, quanto como árbitras.

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É claro que o Nocaute na Rede não ficaria de fora, entrevistamos Charyana para entender como é a carreira de uma arbitra. Falamos sobre os preconceitos que ela sofre nessa carreira, a luta diária para se consolidar em um ambiente tão masculinizado e, é claro, sobre o seu futuro no MMA!

Equipe Nocaute na Rede: Charyana, em eventos anteriores, pudemos ouvir alguns comentários machistas e maldosos sobre você, uma arbitragem feminina ainda gera esse tipo de coisa. Conta pra gente um pouquinho sobre essa dificuldade sobre ser árbitra e ser mulher em um ambiente tão machista e masculinizado:

Charyana Gamballe arbitrou a luta principal do evento, vencida por Wendell Negão Foto: Bello Arte Fotográfica

Charyana Gamballe arbitrou a luta principal do evento, vencida por Wendell Negão
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Charyana: Embora o MMA tenha angariado muitas mulheres, no Brasil, 40% dos lutadores são mulheres, isso não ocorre nas equipes técnicas: arbitragem, staff… é muito difícil! Hoje nós somos mais ou menos dez mulheres arbitrando lutas de MMA nacionalmente e em um mundo que é extremamente masculino, acaba sendo difícil a gente entrar porque soa como uma invasão. A gente precisa trabalhar muito, às vezes muito melhor que um outro árbitro, isso só para poder entrar nesse mundo.

Equipe Nocaute na Rede: Como foi o seu desenvolvimento como árbitra? Arbitrar um evento como o Imortal, não é fácil, muito menos de uma hora pra outra. Como foi esse desenvolvimento?

Charyana: O meu envolvimento com artes marciais começou aos 4 anos, com o judô. Lutei 15 anos de judô e depois passei para o Jiu-jitsu. Eu treino na Gile Ribeiro, onde há muitos atletas de MMA, nos mais diversos eventos. Então eu me inseri nesse mundo através da academia, mas o meu encanto não foi como atleta, mas sim como árbitra. Me apaixonei desde o primeiro evento que eu participei. A partir daí, eu comecei a procurar por uma formação, e ninguém melhor que o Mario Yamazaki, uma das maiores figuras do MMA, para me ensinar. Fui para São Paulo e fiz o curso de desenvolvimento de árbitros com ele e foi assim que comecei a galgar o meu espaço em Curitiba. Tive a honra de participar de alguns eventos onde os organizadores me abraçaram, sabendo que, aqui no Sul, eu era a única árbitra de MMA. Josafá, Stefano e Bernardo, eles foram meus grandes apoiadores. Além deles, tive a oportunidade de conhecer o Roberto Thomaz, o Robertão, um dos grandes árbitros do Brasil, “meu querido ogro”, que me abriu vários espaços e me orientou, dando feedbacks sobre as lutas e me colocando nesse mundo tão fechado. O aprendizado que tenho com ele é quase que diário. Hoje, já são dois anos arbitrando nos grandes eventos nacionais.

Foto: Bello Arte Fotográfica

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Equipe Nocaute na Rede: Para os atletas, o Imortal FC é uma grande porta de entrada para os eventos internacionais, até mesmo para o UFC. E para os árbitros? Será que essa pode ser a sua porta de entrada para o UFC, que atualmente só tem uma árbitra?

Charyana: Tem muita dificuldade, né? O Imortal, por ser um evento televisionado, te dá a oportunidade de ser reconhecida em vários lugares. Mas a gente sempre espera crescer, não é? Independente de ser o UFC ou outro evento, a disposição para trabalhar pela paixão e pela adrenalina que o MMA traz, o UFC pode ser um sonho, mas existem grandes eventos e será uma grande honra poder participar.

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