Dillashaw on fire – as armas dentro e fora do cage que o fizeram retornar em alto nível

Ontem, sábado, 24, o americano TJ Dillashaw finalmente retornou ao octógono do UFC, após mais de 2 anos afastado por conta de um doping. E seu retorno não foi...
Dillashaw se manteve forte e bem preparado em seu retorno ao MMA (Créditos: reprodução/ instagram do lutador)

Ontem, sábado, 24, o americano TJ Dillashaw finalmente retornou ao octógono do UFC, após mais de 2 anos afastado por conta de um doping. E seu retorno não foi enfrentando qualquer nome, mas contra Cory Sandhagen, garoto de 29 anos, atual número dois da categoria e apontado por muita gente como provável futuro campeão da categoria peso-galo e que, até este momento, pelo Ultimate, só havia sido derrotado uma vez em oito combates, justamente pelo atual campeão Aljamain Sterling.

O combate foi muito disputado, com os dois lutadores desde o ínicio trocando chumbo o tempo todo. Apesar de acertar bons golpes trabalhando bem sua envergadura, Cory não intimidava o ex-campeão. Mesmo após ter um corte, que deixou seu rosto bem ensaguentando por todo o restante da luta, Dillashaw não tinha medo. Usava guarda baixa, apostava na boa capacidade de esquiva e na velocidade para entrar no raio de ação do oponente e deixar socos fortes.



T.J. Dillashaw vs. Cory Sandhagen UFC Vegas 32 official scorecard - MMA  Fighting

Dillashaw impõe pressão e vence em seu retorno ao UFC (Créditos: reprodução/ MMA Fighting)

A medida que o combate foi passando, o “motor” de Sandhagen foi arrefecendo. Os socos não tinham a mesma potência e chutes e joelhadas foram deixando de aparecer. E o que deixou o cara dessa maneira foi o jogo de grappling do seu adversário. TJ abusou desse tipo de jogo. Quando não conseguia derrubar, colocava Cory pra fazer muita força no jogo de grade e esse jogo de isometria vai cansando. Mas como Dillashaw passou mais de dois anos fora, agora retorna aos 35 anos e consegue fazer um jogo com tanta intensidade contra um garoto de 29 anos e no auge físico?

A verdade é que enquanto Dillashaw esteve fora, continuou treinando de forma insana. O cara não parou de trabalhar forte. Se procurar nas redes sociais dele, é comum ver inclusive vídeos de treinamentos muito intensos. Ele inclusive ficou grande, forte, com massa muscular. Tem muito cara que em off de apenas 4 ou 5 meses acaba crescendo, mas não de massa magra e sim a base de fast food e cerveja.

TJ é o tipico atleta por quase 24 horas, algo que vem se tornando cada vez mais comum nos dias de hoje, mas que, entre os lutadores da geração dele, nessa faixa de 35 anos pra cima, não é muito comum. Outra coisa a ser bem colocada é a capacidade de absorção de golpes. Vários socos de Sandhagen entraram limpos, mas somente uma vez o ex-campeão sentiu. E também não demorou nada a se recuperar, mostrando também a boa capacidade de recuperação nestes momentos.

Dillashaw sempre foi um lutador que fez poucas lutas na carreira. São apenas 21 em 11 anos, o que dá uma média de duas anualmente. Para termos uma ideia, Sandhagen é profissional a apenas 6 anos e já tem 17 lutas, uma média de quase três por ano. De todas essas perdeu apenas quatro, sendo duas por nocautes. E essas nocautes foram sofridos em momentos bem específicos. A primeira para John Dodson, na final do TUF 14, em 2011, quando tinha apenas quatro lutas profissionais, e a outra em 2019, quando resolveu descer para o peso-mosca para enfrentar o então campeão Henry Cejudo, buscando conquistar seu segundo cinturão – na época ele era o campeão dos 61kg.

Outra coisa fundamental para este retorno é a alimentação do ex-campeão. TJ já declarou em entrevistas e até mesmo no countdown, produto audiovisual desenvolvido pelo UFC para promoção de grandes lutas, que gosta de comer bem, priorizando sempre alimentos mais naturais ou o menos industrializado possível. Doces, refrigerantes, fast foods e bebidas alcoolicas são coisas que não entram em seu cardápio ou são consumidas com muita raridade. Vemos cada vez mais no esporte que atletas com essa base alimentar, logicamente que aliada a outros fatores, como o treino, fazem com que um atleta possa competir em alto nível por muito mais tempo.

TJ Dillashaw toma o cinturão de Renan Barão com atuação magistral e nocaute  técnico no UFC 173 | MMA Brasil

Dillashaw tomando o cinturão de Renan Barão (Créditos: reprodução do instagram do lutador)

Somando todos os fatores citados, da pouca quantidade de batalhas e golpes absorvidos, o que faz com que o corpo não tenha sofrido tanto, o treinamento duro diariamente e a nutrição de forma adequada são fundamentais para que um atleta, numa categoria como a dos galos, de lutadores que têm como características a velocidade e o bom preparo físico, passe mais de dois anos sem entrar em ação e retorne se apresentando no mais alto nível. TJ Dillashaw é exemplo a ser seguido. E na nova atualização do ranking, já deve retornar tomando o lugar de Cory Sandhagen, o segundo lugar. Lembrem-se que ele foi retirado do ranking apenas por causa do afastamento devido ao doping, porque ia ficar inativo, não por derrota. Então é justo já retornar, com essa vitória, na segunda posição. E uma disputa de titulo já praticamente certa. Resta apenas Aljamain Sterling x Petr Yan fazerem a revanche e o ex-campeão deve ser colocado em posição para recuperar seu antigo trono.

Confira nossa matéria sobre brasileiro que vai disputar cinturão, contra ex-UFC, na Sérvia.

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Pai, marido, neto, amante da família; filho de Deus; Graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) na Universidade Federal do Maranhão; Editor chefe do Nocaute na Rede, sonha em seguir carreira na área esportiva; Redator nas seções de MMA nacional e internacional; Apaixonado por rádios, jornais, livros, podcasts, filmes, séries, comidas, esportes em geral (principalmente MMA, futebol e basquete); Praticante de MMA e muay thai;
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