Do Maranhão para o mundo: Armando Matos

Atleta/professor busca patrocínio para retornar à Tailândia e lutar novamente pela competição mais famosa do muay thai mundial
Armando Matos na entrada para o combate no Max Muay Thai (Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Todo praticante de muay thai tem um desejo em comum: viajar até a Tailândia, o berço do esporte, e “beber água da fonte”, aprender com os especialistas da terra-mãe da modalidade e ir ainda mais longe, competir por lá. Armando Matos conseguiu realizar esse sonho.

Morador da capital maranhense, São Luís, Armando Matos, hoje com 31 anos, iniciou na “arte das oito armas” em 2007.



“Em 2007 estava sem motivação para treinar musculação, mas não queria ficar parado. Já tinha treinado judô e até pensei em retomar os treinos, mas não fiquei muito animado. Certo dia passei na frente de uma academia na avenida do bairro que moro e vi que ela oferecia a modalidade. Fui pra casa, pesquisei e no outro dia voltei pra uma aula experimental. Até hoje estou no esporte”.

Em 2012, começou a ser professor de muay thai. Após 5 anos, em 2017, veio a oportunidade de ir até a Tailândia, num convite feito por seu mestre, Samuel Armando Matos e seu companheiro de equipe, Sampet ‘Dial’, campeão do Max Muay Thai. O treinamento seria na academia Sansuk Gym, localizada em Pattaya, sob a tutela do mestre Pairojnoi Siamchai, que já fez mais de 400 lutas na carreira.

“O mestre Samuel Paiva veio a São Luís para realizar um seminário com minha equipe. Durante uma conversa, ele revelou que iria para a Tailândia, passar 40 dias treinando, e me convidou para ir junto. Fiquei empolgado, porque treinar muay thai no berço do esporte é um sonho para todo atleta e professor. Queria ir pra lá me aperfeiçoar”.

As dificuldades para a realização de um sonho foram muitas. Sem nenhum grande empresário para patrocinar, a ajuda de amigos e a realização de rifas e o trabalho com alguns “bicos” foram às saídas encontradas para conseguir juntar o dinheiro necessário.

“Não consegui patrocínio nenhum para a viagem. Já tinha até luta para fazer em um grande evento tailandês, mas não era o suficiente para atrair patrocinadores. Então eu tive que fazer uma rifa, onde faturei R$ 500,00. Um amigo advogado, Everardo Júnior, disponibilizou um cartão onde comprar as passagens de forma parcelada. Isso também me ajudou demais. E acabei fazendo alguns “bicos” para conseguir o dinheiro que ainda faltava. Sou músico, então fiz alguns shows, trabalhei em fiscalização de jogos escolares e tive doações valiosas de amigos e familiares, destacando meu tio, Waldemar Baganha, que deu uma singela quantia”.

Armando Matos e os companheiros na Sansuk Gym (Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Com EXCUSIVIDADE ao Nocaute na Rede, o atleta/professor falou ainda sobre recepção dos tailandeses, problemas com idioma, alimentação e clima, além de competição e aprendizado no campo.

Nocaute na Rede: Como que foi a recepção dos companheiros tailandeses?

Armando Matos: Comigo os tailandeses foram incríveis. Inclusive nos falamos até hoje pelas redes sociais e sinto muito a falta deles. Não tive problema de relação com nenhum gringo que assim como eu treinava lá. Nesse quesito fui muito bem tratado.

Nocaute na Rede: Idioma, foi um problema?

Armando Matos: De inicio sim. Apesar de eu falar inglês, espanhol e um pouco de francês, isso só servia para me comunicar com os gringos que lá estavam. Com os tailandeses, a maioria fala mal o inglês. Mas a gente usava o google tradutor e muita mimica. Eles mostravam o que queriam que eu fizesse e eu copiava. No final, deu tudo certo.

Nocaute na Rede: Quais as dificuldades enfrentadas na Tailândia (dinheiro, alimentação, clima, outros)?

Armando Matos: Na Tailândia é tudo pago e bastante caro. Você tem que ir preparado, senão passa maus bocados. A coisa mais barata lá é comida. Demorei a me adaptar a ela porque o tempero é muito diferente. É bem apimentada. Depois disso foi só alegria. A Tailândia é muito quente, acho que ate mais que o Brasil, então eu bebia muita água. Era um calor insuportável. Tive dificuldade com alguns costumes dos tailandeses. Coisas que para eu eram normais, para eles eram ofensivas e vice-versa. Depois que entendi, isso também deixou de ser problema.

Nocaute na Rede: Ficou quanto tempo treinando na Tailândia?

Armando Matos: Fiquei 1 mês completo por lá.

Armando Matos e seu companheiro de equipe, Sanpet ‘Dial’, campeão do Max Muay Thai (Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Nocaute na Rede: Qual – ou quais – competição que disputou por lá? Venceu ou não?

Armando Matos: Eu lutei uma competição bem famosa por aqui, o Max Muay Thai. Não ganhei minha luta, pois acabei sofrendo um acidente na Tailândia, uma queda de moto, e bati a lombar que doía muito. Durante a luta, eu estava até vencendo, mas no terceiro round tive que parar porque não estava sentindo minhas pernas, pois a dor lombar estava irradiando pra elas. Por estar longe de casa e não ter saúde publica lá, optei por me preservar e parei a luta.

Nocaute na Rede: Quais aprendizados, pelo menos os que considerados mais importante, trouxe da Tailândia?

Armando Matos: Melhorei muito minha técnica. Aprendi a forma tailandesa de jogar o muay thai. Com os tailandeses eu aprendi a ser humilde, mais do que já era, pois vi que ali se luta pra sobreviver. Vencer ou perder não importa, e sim levar dinheiro pra casa. Claro que ninguém quer perder, mas eu vi muita gente ovacionada mesmo perdendo, por ter lutado com o coração, e isso foi fantástico. Aqui se tem muita vaidade por títulos. Lá, além de títulos se percebe que realmente o muay thai é um estilo de vida.

Nocaute na Rede: Planeja voltar? Se sim, já tem alguma data prevista?

Armando Matos: Planejo sim. Agora estou focado em fazer minha equipe crescer e colocar meus atletas nas próximas competições. Se tudo der certo, em 2020 retornarei para mais uma temporada. 2019 quero começar a escrever meu nome como treinador de fato, pois só dava aulas comerciais e como ‘personal’. Agora criei uma equipe de competição e vamos humildemente buscar nosso espaço ao sol no mundo das lutas.



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Pai, marido, neto, amante da família; filho de Deus; Graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) na Universidade Federal do Maranhão; Editor chefe do Nocaute na Rede,; Redator nas seções de MMA nacional e internacional; Apaixonado por rádios, jornais, livros, podcasts, filmes, séries, comidas, esportes em geral; MMA é uma paixão absurda; Praticante de MMA e muay thai; Crítico Social
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