Entrevista: Fernando “Pinduka”

Faixa Vermelha e Branca de Jiu-Jítsu (8º grau) fala sobre o inicio no esporte; o aprendizado e influência de Carlson Gracie na sua vida; o épico combate com Marcos...

Faixa Vermelha e Branca de Jiu-Jítsu (8º grau) fala sobre o inicio no esporte; o aprendizado e influência de Carlson Gracie na sua vida; o épico combate com Marcos Ruas e opina sobre os mais técnicos atletas de competição na arte suave atualmente.

Pinduka na época de Carlson Gracie (Foto: Arquivo Pessoal)

Pinduka na época de Carlson Gracie (Foto: Arquivo Pessoal)

Mestre Pinduka, há quantos anos na prática do Jiu-Jitsu?



Iniciei em 1966 com o Prof. Hélio Vígio. Quando ele se tornou policial ficou sem tempo de dedicar-se à academia e me indicou ao Prof. Carlson Gracie, em 1968, quando iniciei sob seu comando. Agora, em 2016, faço 50 anos de prática.

Você é formado pelo saudoso mestre Carlson Gracie e hoje um dos mais graduados, ainda vivo (faixa vermelha e branca – 8º grau), que sempre defendeu a filosofia e a metodologia de ensino da Escola Gracie… O que o Carlson tinha e prezava em seus ensinamentos que era tão diferente das outras academias? 

O grande diferencial do Carlson é que ele ensinava e cobrava uma perfeita execução de todas as posições clássicas do BJJ e preconizava  intenso volume de treino. Como o material humano era muito diverso e numeroso,  as seletivas da academia eram mais disputadas do que os próprios  campeonatos. Talvez as outras academias não tivessem um ritmo de treino tão intenso como o nosso, e isso seria fator de um possível diferencial. 

Qual aquele treino (atleta) que você falava: “treino cascagrossa esse aqui….” ? 

Eu aprendi treinando sempre com os mais graduados. Eram os que me faziam aprender  perdendo, para que eu pudesse ganhar nas competições. Quando eu era faixa azul, treinava só com marrom e preta e dificilmente treinava com alguém da minha faixa. Aprendi muito com os graduados da minha época que faziam parte da primeira geração de alunos do Carlson. Entre eles: Carley Gracie, Rocian Gracie, Rolls Gracie (faixa marrom na época) Edir, o Monge Ata, Rorion Gracie, Reyson Gracie, Sergio Iris, Tony de Pádua, Vander de Souza, Mário Cupertino, Fábio Macieira e um exército de pupilos ávidos em aprender. Eu fui da segunda geração. 

E nas competições da sua época, quem era a famosa “pedra no sapato” no caminho do Fernando “Pinduka”? 

Não tinha pedra no sapato. Eu era orientado para lutar sempre da mesma forma, ofensivamente e desenvolvendo as posições clássicas com exatidão e sempre objetivando as finalizações, que quando não acontecia, a vitória vinha por pontuação alta. Era um BJJ muito diferente do que existe hoje; sem jogo truncado e sem amarrações. Era um Jiu-Jítsu pra frente. 

Não há como deixar de perguntar sobre a lendária luta entre o pupilo de Carlson Gracie e aquele lutador com um estilo peculiar que marcou o mundo da luta, em 1983… Como foi o famoso embate entre Fernando “Pinduka” X Marco Ruas?  (Assista ao combate épico no fim da matéria)

A luta aconteceu no Maracanãzinho em 30 de novembro de 1984. Era um desafio entre o Jiu-Jítsu X Luta Livre. O BJJ sendo desafiado logo após a morte de Rolls Gracie. Os escolhidos para defenderem o Jiu-Jítsu não tiveram tempo hábil para o treinamento, pois já tinha uma data marcada para o evento. Eu tive apenas 10 dias para um preparo físico, técnico, tático e emocional. Tive a grande colaboração do Mestre Hélio Gracie e do Mestre Reyson Gracie para que eu pudesse acelerar a minha preparação para luta e mostrar no evento a possibilidade de ganhar com alguma finalização. Ninguém conhecia ninguém. Eu não conhecia o Ruas (Marco Ruas). Depois vim saber que era um grande atleta e que além da luta livre, ele praticava outras modalidades. Um verdadeiro atleta e pronto para ingressar no que é hoje o MMA. E oito anos mais novo do que eu. Com as regras da competição, que apresentava uma luta de 15 minutos com 3 rounds de 5 minutos. Eu me senti muito prejudicado no meu desempenho e na ordem de sequência de movimentos, onde eu tinha que bloquear os golpes traumáticos, clinchar, derrubar e finalizar, e cinco minutos eram um tempo muito escasso para que eu pudesse desenvolver toda essa dinâmica contra um adversário muito bem preparado. Diante desses fatos o empate acabou sendo justo. Talvez, se as regras fossem mais reais, como nas antigas lutas dos Mestres Hélio e Carlson Gracie, o resultado poderia ter sido outro. 

Pinduka em competição (Foto: Arquivo Pessoal)

Pinduka em competição (Foto: Arquivo Pessoal)

A maioria das Escolas de BJJ está intensificando, e muito, o esporte para competição, porém esquecendo a sua origem primária, principalmente a parte de defesa pessoal… Qual a sua opinião sobre o tema? O Senhor ainda ministra aulas de defesa pessoal na sua academia?  

O verdadeiro BJJ não pode existir sem a defesa pessoal que é a sua essência. O Jiu-Jítsu como esporte é muito válido. Eu participei como atleta por 15 anos e mais 15 como professor levando as minhas equipes para competições. Na minha academia, eu emprego esse método visando valorizar um BJJ com bases no desenvolvimento da saúde física, mental e espiritual. 

Falando um pouco de competição atual, quais os nomes em destaque, na sua análise, que hoje mostram um Jiu-Jítsu que o agrada e merecem a sua crítica positiva? 

Por estar voltado para um BJJ mais arte marcial, estou um pouco afastado das competições. Aqueles que eu pude acompanhar e que desenvolvem um Jiu-Jítsu mais parecido com o da minha época, que buscam a finalização, são: Roger Gracie, Kron Gracie, Ronaldo Jacaré, Rodolfo Vieira, Marcos  Buchecha, entre outros. 

Trocação com Fernando “Pinduka”

Vale-Tudo X MMA

Vale-Tudo.

Ser Carlson Gracie é … 

Ser campeão.

Se não fosse o Pinduka do Jiu-Jítsu, o Fernando seria… 

Um zagueiro viril do Flamengo.

Livro:

Manuel do Guerreiro da Luz.

Música:

Keith Jarret.

Gastronomia: 

Japonesa.

Recado final aos seguidores do NOCAUTE NA REDE! 

O jiu jitsu é uma arte marcial científica de ataque e defesa, é muito mais que uma simples competição, é uma alavanca propulsora para vencer na vida de forma plena e saudável, e no desenvolvimento emocional e espiritual. SÓ O JIU-JITSU SALVA!

Por fim, assista ao combate épico entre Fernando “Pinduka” X Marco Ruas.

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Escrito por André Vieira Ribeiro



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