Entrevista: Vinicius Cruz (Vinicinho)

Destaque entre os leves no seleto time comandado por Carlson Gracie, Vinicinho, como é conhecido por amigos e no mundo do BJJ, conta um pouco da sua experiência na...

Destaque entre os leves no seleto time comandado por Carlson Gracie, Vinicinho, como é conhecido por amigos e no mundo do BJJ, conta um pouco da sua experiência na luta, poesia e revela algumas curiosidades, como a gastronomia oriental e um hábito bem peculiar quando não veste a sua “armadura de trabalho”.

Vinicinho, você é um dos pupilos mais novos a ser graduado faixa-preta pelo saudoso mestre Carlson Gracie, mas tudo tem um começo, certo? Então, como foi a sua primeira experiência ao entrar no famoso  tatame da Figueiredo Magalhães (localização do Clube Carlson Gracie).



Minhas primeiras vezes lá na academia, eu ainda era aluno do Manimal.  Em meados da década de 80, eu fugia do curso de inglês e ia lá pro Carlson, na aula do Marcelo Alonso e do Carlson Gracie Jr.

Você, juntamente com Parrumpinha, era um dos atletas de peso muito leve, se comparado aos grandes lutadores formados pelo Carlson. Como era treinar com tantos atletas acima do seu peso e conseguir desenvolver um Jiu-Jítsu técnico e competitivo?

O Carlson sempre foi um grande celeiro, com muitos atletas de todos os pesos. E, apesar de existirem muitos atletas leves de qualidade lá, eu sempre gostei de me testar com os pesados e afiar as posições com os mais fortes fisicamente. Não há dúvidas que essa diversidade técnica e física contribuiu muito para a evolução não só minha, mas de todos que se dedicavam ali diariamente.

Vinicius antiga da Carlson (Foto: acervo pessoal / Facebook )

Vinicius antiga da Carlson (Foto: acervo pessoal / Facebook
)

Na sua época, o time da Carlson era um “exército de campeões”. Alguns nomes como Murilo Bustamante, Zé Mario, Wallid Smail, Osiris Maia, Amaury Bitteti e Ricardo Libório já eram nomes importantes no esporte… Como era conviver com tantos talentos no mesmo tatame? Como era a relação diária deste time?

Foram os dias mais felizes da minha vida. O que posso dizer é que sinto muita saudade dessa época e, apesar desse profissionalismo que tomou conta da luta, muito me entristece ver cada um para um lado, e lutando entre si. Chegar naquele tatame e ver essa galera lá, tendo a chance de treinar com eles e dividir a vida de atleta era como realizar um sonho todos os dias.

Como competidor, você conseguiu muitos triunfos e também sentiu o dissabor da derrota, normal como um grande competidor que você é… Quais os adversários mais difíceis que você já enfrentou, atrapalhando a sua subida em alguns pódios na carreira esportiva?

Sem dúvida o meu maior adversário foi o Robinho (Robson Moura). Perdi finais importantes pra ele que teriam alavancado um pouco mais o meu currículo. Mas não sou frustrado com isso, fiz o que pude, treinei e dei o meu máximo, mas é difícil vencer um gênio da arte suave como ele é. Com aquela habilidade eu vi pouquíssimos nesses quase 30 anos de treino.

Vinicius Cruz (Foto: acervo pessoal / Facebook)

Vinicius Cruz (Foto: acervo pessoal / Facebook)

Momento “Trocação” com Vinícius Cruz:

Se não fosse lutador, você seria …

Triste.

Carlson Gracie é… 

A personificação da bondade e da humanidade. Igual a ele só de mil em mil anos.

Depois de um treino ou uma competição desgastante, cairia bem um(a) ….

Depende. Se eu ganhei a competição, cairia bem uma pizza. Se eu perdi, cairia bem mais treino.

O Vinicinho é um cara…

Diferente como outro qualquer.

Música:

Rock and Roll.

Prato predileto:

Strogonoff de carne. Um “japa” (comida) também não dispenso.

Vestuário:

Passo quase todas as horas do meu dia de kimono. Em casa, só ando nu (risos).

Vinicus Cruz poeta (Foto: acervo pessoal / Facebook)

Vinicus Cruz poeta (Foto: acervo pessoal / Facebook)

É verdade que você deixou a Cidade Maravilhosa para dar aulas em outro país? Conte um pouco desta nova experiência?

Infelizmente no nosso país viver da luta é para poucos. É triste você ter que deixar tudo pra trás e viver com dignidade, sendo professor de luta.  Tem sido uma experiência ótima. Estou cercado de grandes amigos, um treino espetacular capitaneado pelos professores Flavius Virginio e Flávio Serafin. Enfim, levo uma vida muito sossegada.

Você, ao contrário da maioria, não seguiu a formação na área da saúde. O Direito e a poesia fazem parte da sua formação educacional e cultural… Relate um pouco da sua escolha acadêmica e esse seu lado “´papel, caneta e poesias para exaltar”?

Descobri a poesia por meio de dois grandes amigos poetas — Sergio Gramático Junior e Pedro Lago — e me apaixonei pela leitura e pela transmissão de sentimentos ali presente. A poesia é pra mim uma forma de desopilar e digerir certas coisas, e exaltar outras. Sinto-me muito privilegiado por ter conhecido a poesia e por conseguir fazer uso dela.

Recado final aos leitores internautas do NOCAUTE NA REDE!

Trate bem seu companheiro de treino e nunca vire as costas e traia o seu professor. Um abraço a todos.

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Escrito por André Vieira Ribeiro



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