Especial UFC 213: O que esperar de Amanda Nunes vs Valentina Shevchenko

A luta principal do UFC 213 valerá o cinturão peso galo feminino.
Valentina desafia Amanda após a sua última vitória (FOTO: BJPenn.com)

 

O MMA brasileiro está em xeque. Após a derrota de José Aldo no UFC 212, em plena Arena Jeunesse no Rio de Janeiro, o nosso país passou a ter apenas um cinturão do maior evento de MMA do mundo. De quebra, vimos Wilson Reis ser trucidado pelo fantástico Demetrious Johnson; Ronaldo Jacaré ser despachado na trocação pelo prospecto Robert Whittaker e Glover Teixeira sendo dominado por 5 rounds até ser nocauteado. Não fosse a vitória de Demian Maia contra Jorge Masvidal, hoje sequer teríamos algum desafiante ao cinturão.

Nesse momento, as esperanças recaem sobre o último cinturão, ostentado pela pojuquense Amanda Nunes. O duelo ocorrerá no dia 8 de Julho, na T-Mobile Arena, em Las Vegas, Nevada. A transmissão, como de praxe, fica a cargo do Canal Combate. Ainda não foram divulgadas informações sobre uma possível transmissão na Rede Globo.

(C) AMANDA “LEOA” NUNES

A campeã de 29 anos está em alta no UFC. A atleta da American Top Team fez a luta principal do UFC 200, maior evento do ano; lutou contra a extremamente vendável ex-campeã Ronda Rousey e a venceu facilmente. Vem com uma sequência de 5 vitórias, incluindo nomes como Miesha Tate, Sara McMann e a sua adversária da noite, Valentina Shevchenko. Nesses últimos 5 combates, duas vitórias por nocaute técnico, duas por finalização e uma por decisão unânime, o que demonstra o quão completo é o jogo da brasileira. Na carreira, Amanda tem um cartel de 14-4, sendo 10 das suas vitórias por nocaute ou nocaute técnico. No UFC, a brasileira está 7-1, sendo sua única derrota para a ex-desafiante Cat Zingano. 

A campeã do Ultimate é uma faixa-preta de jiu-jitsu e marrom de judô, que progressivamente incorporou o boxe e o muay thai ao seu jogo. Amanda já treinou na MMA Masters e atualmente treina na American Top Team, e sabidamente tem um bom jogo de quedas ofensivo. Entretanto, Nunes tem intensificado o seu trabalho na trocação. Nos últimos cinco combates, apenas duas quedas, ambas contra Valentina Shevchenko. A brasileira trabalha muito bem os low kicks, vem evoluindo significativamente no boxe, tem uma combinação jab-direto mortífera e muita agressividade. 

(#1) VALENTINA “THE BULLET” SHEVCHENKO

A desafiante Valentina, também de 29 anos, quer conquistar seu primeiro título na sua jornada pelo MMA. Ela deseja também vingar sua derrota sofrida no UFC 196, por decisão unânime. No kickboxing, são 6 títulos mundiais, tendo um cartel de 58 vitórias, 2 derrotas e 1 empate! No muay thai, 9 medalhas de ouro. Diga-se de passagem, um background absolutamente espetacular.

No MMA, a quirguistanesa radicada no Peru tem um cartel de 14 vitórias, sendo 6 delas por finalização e 4 por nocaute ou nocaute técnico, demonstrando qualidade na luta agarrada da também faixa-preta de judô. Vem de duas vitórias em lutas programadas para 5 rounds, contra Holly Holm por decisão unânime e uma finalização (chave de braço) sobre a grappler Julianna Peña. Tem duas derrotas na carreira e está 3-1 no UFC.

Bullet ainda é uma faixa-preta de Taekwondo e mestre em kickboxing, boxe e muay thai. Curiosamente, ao contrário da sua adversária, Shevchenko veio da trocação e incorporou a luta agarrada ao seu jogo, tanto que conseguiu quedas em todos os seus combates no Ultimate, com um aproveitamento de 52% das tentativas de queda (melhor que o da atual campeã, que tem 38%).

 

O QUE ESPERAR?

O combate válido pelo título da divisão representa um legítimo duelo entre as duas melhores lutadoras da divisão, e no aspecto técnico, duas das melhores lutadoras de MMA da história. O ingrediente de ser uma revanche parece apenas uma “cereja no bolo” de uma luta em que esperam grandes demonstrações de habilidade técnica, visão tática, muita movimentação, e, em especial, muito equilíbrio.

Amanda costuma começar sendo a agressora, geralmente colocando pressão e desferindo mais golpes em suas adversárias – tanto que nos últimos 5 combates, apenas um passou do primeiro round. A combinação de força física e agilidade da brasileira, aliada à sua qualidade na luta em pé, tem sido devastadoras para as atletas da divisão peso-galo feminino. Essa receita pode ser interessante contra uma Valentina que costuma “entrar mais tarde” nos seus confrontos. Ressalto que Bullet venceu seguramente o primeiro round em apenas um dos seus quatro embates pelo UFC, na estreia, contra Sarah Kaufman.

À priori, ser mais agressiva, deixar Valentina sem espaço para lutar no início e causar muito dano nos primeiros rounds, até que viesse um nocaute ou nocaute técnico seria a melhor estratégia. Estratégia essa, que foi utilizada no UFC 196 pela brasileira, e que deu certo, rendendo até um 10×8 no segundo round. É fato sabido que Amanda pode vencer qualquer atleta da divisão até 61kg por nocaute ou finalização nos rounds iniciais, dado o seu poder de fogo e a sua versatilidade.

Entretanto, estamos falando de cinco rounds de luta. No mesmo UFC 196, Nunes demonstrou muito cansaço no terceiro round, após desgastar suas reservas musculares golpeando com força e punindo a quirguistanesa nos rounds anteriores, tanto que Shevchenko venceu com folga o terceiro round, que possivelmente seria um 10-8 caso a luta ocorresse nas regras atuais. Valentina já foi a cinco rounds contra a ex-campeã Holly Holm e demonstrou um condicionamento físico invejável, bem como um ótimo preparo tático, fazendo um jogo quase perfeito e dominando Holm em pé e no chão.

A despeito da evidente vantagem física de Amanda, Valentina tem menos massa muscular para consumir oxigênio e gerar ácido lático, dosa melhor o gás e está acostumada a lutar mais rounds. Além disso, tem uma ótima absorção de golpes, boa movimentação e se defende bem em pé. Se conseguir impedir a aproximação da Leoa, utilizando o seu jogo de pernas para frustrar as investidas da adversária, a loira tem tudo para dominar nos rounds finais do duelo.

No chão, o equilíbrio permanece. Como já foi articulado previamente, Amanda tem as maiores chances de conseguir quedas nos rounds iniciais, dada a sua maior intensidade. Entretanto, apesar da defesa de quedas de Bullet ser mediana e dar algumas brechas, é clara a evolução técnica no jiu-jitsu da quirguistanesa, defensiva e ofensivamente. Não acredito numa vitória por finalização da brasileira, a menos que consiga um knockdown, pois Valentina se defende muito bem e é perigosa mesmo por baixo.

Em contrapartida, Amanda também dá algumas brechas em sua defesa de quedas (muito bem exploradas por Cat Zingano, por exemplo). À medida em que os rounds forem caminhando, com o possível cansaço da brasileira, Valentina pode sim explorar sua luta agarrada para castigar ainda mais a campeã.

Uma certeza eu tenho: é, legitimamente, o maior desafio da carreira da brasileira, que, caso vença a desafiante, fica numa posição aparentemente confortável na categoria. Atletas como Holm, Peña, Zingano, Pennington, de Randamie parecem distantes do patamar das competidoras do sábado.

Então não perca, no sábado, a luta principal do UFC 213, que colocará em jogo o último cinturão brasileiro no evento!



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