NA REDE DA NOSTALGIA: Há 17 anos, Wallid Ismail e Royce Gracie faziam uma luta histórica em Copacabana

A noite de 17 de dezembro de 1998 foi uma das mais emblemáticas, marcantes e históricas para os amantes de jii-jitsu. Dois dos maiores nomes da história da arte...
Wallid Ismail comemorando a vitória (Foto: Wallid Ismail)

Wallid Ismail comemorando a vitória (Foto: Wallid Ismail)

A noite de 17 de dezembro de 1998 foi uma das mais emblemáticas, marcantes e históricas para os amantes de jii-jitsu. Dois dos maiores nomes da história da arte suave de todos os tempos se encontraram na arena montada na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro para assistir o duelo entre o multi-campeão de jiu-jitsu, Wallid Ismail, e o primeiro campeão da história do UFC, Royce Gracie.

Fiel escudeiro de seu mestre, o lendário Carlson Gracie, Wallid Ismail foi oito vezes campeão brasileiro de jiu-jitsu, além de ter um cartel sólido no MMA com 9 vitórias e 3 derrotas. Mas essa luta contra Royce Gracie, para ele, é uma das mais importantes de sua história.



Já Royce é camepeão dos UFC’s 1, 2 e 4 e, praticamente, mostrou o jiu-jitsu para o mundo. Ele derrotou atletas de outras modalidades para se tornar campeão. Tempos depois, ele foi introduzido ao Hall da Fama do UFC e é respeitado e admirado por onde quer que ele vá em todo o planeta. Simplesmente uma lenda.

Como essa luta foi marcada?

Segundo o próprio Wallid, a família Gracie estava desafiando qualquer campeão de jiu-jitsu para um combate. O pedido foi levado para o secretário de esportes do Rio de Janeiro e ele topou fazer o evento. As únicas condições eram: Não ter pontos e nem limite de tempo. Wallid aceitou o desafio e encarou Royce, que já havia criado a sua fama por causa do UFC.

A luta

Na grande luta que todos esperaram durante anos. Wallid Ismail e Royce Gracie se enfrentaram numa luta sem tempo e sem pontos, só terminando por finalização ou por desistência do oponente. Wallid era muito mais baixo que Royce, mas era mais forte e tinha um jogo de pressão bem afiado,capaz de amassar e dar calor até no melhor faixa preta. Pois bem, sabendo disso o Gracie não quis chamar pra guarda e trabalhou um Judô simples e eficiente pra derrubar seu oponente.  Wallid rapidamente repôs a meia guarda e ganhou a esgrima que foi importante pra que ele conseguisse a raspada e fosse pra cima com toda a pressão pra passar a guarda do Gracie que na tentativa de impedir e conter Wallid acabou dando as costas, o erro foi tão fatal que o baixinho abusado encaixou um belo reloginho, o golpe foi tão justo que apagou o Gracie pra surpresa de todo o público que adentrava a arena em Copacabana. Wallid enfim provava a todos que era o nome a ser batido e jogava por terra toda a hegemonia da Família Gracie

Wallid Ismail comenta sobre o combate:

O Nocaute na Rede conseguiu conversar com Wallid Ismail sobre esse emblemático combate. Ele falou sobre tudo o que aconteceu antes da luta, o combate em si e pregou muito respeito ao seu antigo adversário:

Eu lembro bem como foi o combate, na época. O combate foi incrível! O Royce chegou no Brasil desafiando todo mundo pra lutar sem pontos e sem (limite de) tempo e, na reunião que nós tivemos na época com o Zé Moraes, que era o secretário de esportes do Rio de Janeiro, ele perguntou quem aceitava. E, na reunião, o único que aceitou lutar sem pontos, sem tempo, do jeito que o Royce queria fui eu. Ainda falei assim: “Pode falar para o Royce que eu luto com ponto, sem ponto, com kimono, sem kimono, do jeito que ele quiser”. Aí todo mundo ficava pedindo: “Ah, mas tem que ter 15 pontos de diferença, quem abrir 15 pontos na frente, leva ou quem tiver uma superioridade muito grande, leva. Não pode ser uma luta sem pontos, que pode durar 5 horas”. Eu falei: “Não, eu aceito do jeito que ele quiser”. E eu aceitei e, graças a Deus, venci. Com quatro minutos e cinquenta e poucos, se eu não me engano, de luta. E foi uma luta histórica, porque ele tinha sido campeão três vezes do UFC e foi a primeira derrota dele depois do UFC. Então foi realmente incrível. Foi em Copacabana, arena lotada. A arena lotou as 3 da tarde! Foi incrível! Foi realmente histórico e eu fico feliz de fazer parte da história e ter ajudado a construir a história.

Wallid também falou sobre a repercussão gerada pelo duelo:

A repercussão foi enorme. Saiu em todos os jornais, na época. Revistas, programas… foi realmente incrível a repercussão da luta! Saiu no SporTV, então foi realmente demais. E isso eu tenho que agradecer até a ele (Royce) mesmo. Porque ele sempre foi marrento mesmo, ele sempre mandou bem. O Royce manda bem. Ele é um cara duro. Ele ajudou a mostrar para o mundo a força do jiu-jitsu, foi um dos grandes responsáveis por mostrar a força do jiu-jitsu para o mundo todo. E eu ter ganho dele, em uma época em que ele estava tão forte, foi incrível para a minha carreira.

O que Wallid e Royce fazem hoje em dia?

Wallid Ismail é hoje o promotor do maior evento de MMA da América Latina, o Jungle Fight. Além disso, ele também é empresário de alguns lutadores que, hoje, lutam no UFC e que passaram pelo seu evento. Alan Nuguette, Bethe Correia e Erick Silva são alguns exemplos. 

Royce Gracie estava aposentado, apenas fazendo seminários e trabalhando como embaixador do Bellator MMA. Ele vai sair de sua aposentadoria e, no dia 20 de fevereiro, enfrentará um velho rival na luta principal do Bellator 149: Ken Shamrock, com quem fez a luta mais longa do UFC (36 minutos). Essa é a primeira luta de Royce no MMA desde 2007.

CONFIRA O VÍDEO DA LUTA:

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Escrito por: Lucas Costa e Nickolas Lyra Rodrigues
Colaboração: Renan Assunção


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EspeciaisJiu JitsuLutas

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