Na Rede da Nostalgia: WVC 3

Nesse mês de Janeiro iremos homenagear um dos eventos percussores do MMA no Brasil. Voltamos há 17 anos.  Em 19 de Janeiro de 1997 acontecia a terceira edição do...

Nesse mês de Janeiro iremos homenagear um dos eventos percussores do MMA no Brasil. Voltamos há 17 anos.  Em 19 de Janeiro de 1997 acontecia a terceira edição do WVC (World Vale Tudo Championship), evento promovido por Frederico Lapenda, que ficaria marcada por situações curiosas e uma final épica, ocorrendo um dos maiores castigos já vistos e o surgimento de um dos lutadores mais temidos da década de 90.

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O WVC tinha pouco menos de um ano de existência, tendo realizado seu primeiro evento em Agosto de 1996.  O WVC 3 representaria um marco no MMA nacional, pois foi o primeiro evento nacional a ter transmissão do Pay-Per-View. Segundo Lapenda: “O ponto principal do WVC 3, foi a inauguração do Pay-Per-View no Brasil, e é o Pay-Per-View que é o coração e o sangue do MMA. O MMA só existe graças a ele, pois é o que o gera o dinheiro e faz a máquina funcionar. A partir daquele momento, eu introduzi a máquina que daria sustentabilidade e iria alavancar o esporte que eu amo tanto.”.

Confira a entrevista com Frederico Lapenda no link https://bit.ly/1miYi54

WVC 3 – Os Lutadores

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O WVC 3 chegava a São Paulo, seguindo o formato clássico de torneios, com 8 participantes.  O vencedor do torneio teria que encarar três lutas na mesma noite, para se sagrar campeão. Os nomes do torneio eram:

Mestre Hulk – Lendário capoeirista que em 1995 venceria o desafio internacional de vale-tudo com uma vitória histórica sobre Amaury Bitetti, grande nome do Jiu-Jitsu.

Zane Frazier – O gigante kickboxer de 2 metros de altura, campeão mundial de karatê, lutou no primeiro UFC, além de ter lutado no K-1.

Mark Kerr – Com um currículo rico no Wrestling, Mark Kerr ainda era um novato no mundo do Vale-Tudo.  Entrava como estreante no torneio.

Paul Varelans – Um dos mais populares do torneio. O “Urso Polar”, de mais de 2 metros de altura e pesando 140 kg, Varelans já tinha nove lutas no UFC no seu cartel.

Michael Pacholik – Conhecido como “The Assassin”.  Pacholik havia lutado na primeira edição do WVC, obtendo uma vitória em cima do brasileiro Denílson Maia.

Nobuhiro Tsurumaki – O Japonês de 26 anos era outro estreante no vale-tudo.

Fabio Gurgel – O “General”, Gurgel, multicampeão no Jiu-jitsu, iria fazer uma superluta com Jerry Bohlander, porém com o cancelamento da luta, Gurgel aceitou participar do torneio, mesmo sendo mais leve que os adversários. Era o lutador favorito do público.

 Patrick “Pat” Smith – Faixa preta em Taekwondo, Hapkido e Kempo. “Pat” Smith além dos títulos no Kickboxing, tinha no currículo diversas vitórias no UFC e no K-1.  Era mais um nome conhecido do evento.

Fases Eliminatórias: Quedas do ringue, estreia fulminante, e interferência de fã!

As regras do torneio divulgadas na transmissão eram limitadas a duas proibições: sem dedo no olho e sem morder o adversário. As lutas eram sem luvas.  A transmissão do evento começava com a apresentação de cada lutador, mostrando vídeos de todos em uma academia, fazendo musculação. Antes dos lutadores entrarem no ringue, vinha o vídeo da apresentação de cada lutador, falando sobre qual arte defendia.

Na primeira eliminatória, o brasileiro Mestre Hulk de início já levantou o público com seus chutes rodados da capoeira, porém a luta logo foi para o solo e o terminou com os dois caindo do ringue. Frazier desistiu acusando fortes dores.  Mestre Hulk passava de fase.

A luta seguinte trazia um duelo de americanos. De um lado o estreante Mark Kerr, do outro o gigante Paul Varelans.  Debutando no vale-tudo, Mark Kerr precisou de pouco mais de dois minutos pra mostrar o que seria temido nos anos seguintes: seu GNP avassalador.  Michael Pacholik representando o Pitfitghing luta nativa que misturava o wrestling com o que chamavam de ‘luta de rua’ (socos, chutes e joelhadas), não teve dificuldades para derrotar o japonês, Tsurumaki, se juntando aos outros dois vencedores para as semifinais.

A última luta das quartas era entre o brasileiro representante do jiu-jitsu, Fábio Gurgel, enfrentando o conhecido kickboxer, Pat Smith.  Gurgel era o lutador mais aguardado pelo público e entrou aos gritos de: – jiu-jitsu.  Logo no início do combate, Gurgel procurou a queda, mas Pat Smith se segurava pelas cordas e o golpeava com cotoveladas. Um fã que estava na plateia se levantou e empurrou o americano que ficou completamente indignado e se recusou a voltar à luta, acusando falta de segurança no evento. Gurgel passava de fase e a luta teve um dos registros de finalização mais curiosos já vistos: Win by Submission (Fan Interference). Lapenda, organizador do evento, comentou que aconteceu uma reunião com os lutadores antes do evento, na qual tinha deixado claro que não era pra ninguém segurar nas cordas.

As semifinais estavam decididas.  Na primeira delas, o brasileiro Fábio Gurgel precisou de menos de 5 minutos para derrotar Pacholik depois de imobilizá-lo com um triângulo e desferir fortes golpes na cabeça.   Na outra semifinal, Mark Kerr colocou novamente seu forte jogo de quedas, arrancando até um dente do Mestre Hulk com seu GNP agressivo, e mais uma queda no ringue acontecia, mas dessa vez não foi acidental. Mestre Hulk acabou desqualificado por fugir do combate.  A final estava definida: Mark Kerr vs. Fábio Gurgel.

Duelo de campeões na Superluta, e na final o futuro número 1 do mundo surgia.

Antes da grande final do torneio, estava marcada uma superluta entre os campeões do primeiro torneio do WVC, Richard Heard, gurgel-9
e o campeão do torneio do WVC 2, Pedro Rizzo.  O pupilo de Marco Ruas se sagraria o vencedor.  Após vencer o combate,
Rizzo ingressaria no UFC, onde faria uma longa carreira, disputando o cinturão por três ocasiões.

A final do WVC 3 representava o duelo entre as duas Eras do então, Vale-Tudo. Como a maioria sabe, a história do surgimento do UFC
se baseava na promoção do jiu-jitsu brasileiro como a arte marcial superior entre todas as existências. Até 1995, Royce Gracie era o grande
o nome do UFC, porém após sua saída do evento, uma nova Era estava se criando: a Era dos wreslters. 

Mark Coleman, wrestler renomado, foi o grande nome do UFC em 1996, vencendo dois torneios. Existia uma grande expectativa de um duelo
entre um grande nome do wrestling contra um forte representante do jiu-jitsu.

Mark Kerr e Fábio Gurgel protagonizaram esse duelo clássico.  Um combate que ficou marcado na história.  Foram 30 minutos de um massacre do
americano. A excelente guarda de Fábio Gurgel foi totalmente ineficaz.  Mark Kerr não diminuiu o ritmo em nenhum momento, uma verdadeira
máquina de bater. Socos, cabeçadas, além de utilizar os dedos na feridas abertas, o que seria recorrente nos anos seguintes.  Para Lapenda, produtor
do evento, os méritos da luta eram todos de Gurgel, além de questionar a atitude de Kerr no combate: “houve uma grande falha nessa luta. Existe uma
hora que Mark Kerr morde o dedo de Fábio Gurgel, e naquele momento o brasileiro reclama para o árbitro. Mark Kerr se aproveitou disso e deu uma
cabeçada no Fábio. Nesse momento que abriu o corte no brasileiro, e o dedo de Fábio foi inflamando durante a luta”.

L34Após o fim da luta o público aplaudiu Fábio Gurgel pela sua incrível raça em aguentar tamanho castigo e mesmo assim buscando a finalização da luta até o fim.  Mark Kerr quebrou as duas mãos, passando quatro dias no hospital e até hoje considera Gurgel o adversário mais difícil que já enfrentou.  Gurgel encerraria sua carreira após a luta.  Mesmo com a derrota, o brasileiro eternizava seu nome no esporte pela sua incrível garra.  Mark Kerr sairia com muita moral do evento. Se tornaria o lutador mais temido do mundo.  Venceria dois torneios no UFC, emplacaria diversas vitórias no Pride e até 2000 era considerado o melhor lutador em atividade.  Reinado que acabaria no Pride GP 2000 em uma zebra histórica, mas isso deixamos para outra viagem ao tempo. Até a próxima.

Assista ao vídeo completo do evento:

[youtube=https://youtu.be/xHtesBK9GIk]

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Escrito por Cassio Lopes



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