Nocaute na Rede entrevista Marcial Serrano, o escritor do polêmico “O Livro Proibido do Jiu-Jitsu – A história que os Gracies não contaram”. Confira!

Os amantes do Jiu-Jitsu constantemente são bombardeados por diversos relatos sobre a Família Gracie. Entrevistamos hoje o escritor e lutador Marcial Serrano, autor de diversos livros sobre a Arte Suave,...

Os amantes do Jiu-Jitsu constantemente são bombardeados por diversos relatos sobre a Família Gracie. Entrevistamos hoje o escritor e lutador Marcial Serrano, autor de diversos livros sobre a Arte Suave, como “O livro Proibido do Jiu-Jitsu -A história que os Gracies não contaram“.

Em alguns fóruns de debate sobre a Arte Suave, o livro citado anteriormente tem chamado bastante atenção, e porque não dizer “Polêmico”. Para alguns, como este que escreve esta matéria e que fez a entrevista, a importância da Família Gracie não será diminuída, mas precisamos levar em consideração outros mestres do passado, esquecidos nos acervos da Biblioteca Nacional. Pra que não conhece, o Marcial Serrano iniciou praticando no Judô em 1961 e em 1976 começou a praticar Jiu Jitsu, sendo graduado Faixa Preta em 1982.



Mestre Marcial Serrano. Foto: Divulgação

Mestre Marcial Serrano. Foto: Divulgação

Poderia nos contar como foi seu início nas artes marciais? (O que o levou a praticá-las).
“Na adolescência eu pratiquei Judô com o Grande Mestre Messias Rondarte Correia e seu irmão Sebastião (saudosas memórias). no início de 1976 o Taekwondo estava em moda, e eu estava motivado a ir aprender com o Mestre Kim. Lendo o Jornal Diário Popular (jornal que junto com o Estadão anunciavam empregos, e eu como pequeno empresário anunciava no referido jornal a procura de colaboradores). No Diário Popular daquele domingo, havia uma reportagem de colunista Trud Landô, entrevistando o Grande Mestre Carnivalle, e na reportagem tinha o telefone da Academia Carnivalle. Eu nunca havia ouvido falar em Jiu-Jítsu, como a reportagem dava uma pequena explicação sobre a arte, telefonei ao Mestre Carnivalle que prontamente me atendeu e deu as explicações sobre a arte. Como o Mestre Carnivalle é também um judoca formado pelos irmão Ono, era fácil para ele explicar as diferenças entre as artes nos anos 70, já que são a mesma arte que hoje caminham sobre diferentes regras.”
Alem de escritor, sabemos que o senhor também é tradutor de obras de linguagem japonesa para o português. Como foi a aceitação desta tradução?
Quanto a ser tradutor, nem pensar, os dois manuais que publiquei do Grande Mestre M. Kawaishi, um eu traduzi do espanhol, que como descendente apanhei menos, o outro do inglês de tradução livre (apanhei muito). A intenção de publicar os manuais do Mestre Kawaishi em 2012 tinham o proposito de mostrar aos novos praticantes que as técnicas mostradas como inovações não passavam de técnicas básicas mostradas nos velhos manuais. Tanto que mudei o título original de “Meu Método de Judô“, para “Jiu-Jitsu Original Moderno” (O termo Judô, erroneamente vinculado ao Kodokan e ao Grande Mestre Jigoro Kano, já que muitas Ryus (escolas) usavam o termo Judô para a sua arte). Mas isso vamos esclarecer na obra “Gênesis do Jiu-Jítsu” a ser lançada ainda em 2015. QUERO OBSERVAR QUE OS LIVROS QUE LANCEI SÃO OBRAS DE PRINCIPIANTE E QUE TEM O VALOR NO CONTEÚDO, NÃO COMO OBRA LITERÁRIA. JÁ QUE O DIAGRAMADOR, O TRADUTOR E O REVISOR (EU), É MARINHEIRO DE PRIMEIRA VIAGEM. Como fala meu Mestre Carnivalle, o que interessa é o conteúdo e esse é a “expressão da verdade”. 
O que o levou a escrever esses livros, que possuem títulos altamente polêmicos, visto que a história que é mais amplamente divulgada é aquela contada pelos Gracies?
Bruno, o que me levou a publicar os primeiros manuais do Mikonosuke Kawaishi em 2012, foram as distorções do que se comentava nas redes sociais, mostrando técnicas tidas como inovações. Meu filho caçula me questionava porque sabendo da verdadeira história da arte, perguntava porque os Mestres mais antigos não tinham se manifestado contra tudo aquilo que os Gracies colocavam como sendo heróis, campeões e introdutores  (tentaram mas não tiveram espaço, já que os Gracies eram especialistas e sabiam do que gostava a mídia – criar heróis). Nos fórum quando ele colocava alguma coisa que contrariava a história contada pelos Gracies, era motivo de gozação.
Capa do Livro "Geo Omori, o Guardião Samurai". Foto: Divulgação

Capa do Livro “Geo Omori, o Guardião Samurai”. Foto: Divulgação

Ao pesquisar perante a Biblioteca Nacional, foi chocante para o senhor o que foi encontrado?
Bruno, quanto a descoberta da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, foi um presente da Espiritualidade para que a verdade viesse à tona. Resolvi então, ainda em 2012, publicar o “Gêsesis do Jiu-Jítsu“, onde poderia ajudar a esclarecer os questionamentos das redes sociais quanto as reais raízes do Jiu-Jitsu, e consequentemente do Judô. Já tinha um expressivo volume de reportagens e artigos recolhidos de trabalhos postos na rede (venho acumulando livros e reportagens desde 2012 – quando do boom do Jiu-jitsu, com as lutas dos Gracie nos EUA e no Japão). Após a introdução da Internet em 1996 pela Embratel, as coisas foram ficando cada vez mais fáceis, pois já podíamos acessar os sites da Holanda, França e Alemanha, onde o Judô estava também muito desenvolvido, e tinha reportagens bem interessantes. Só uma observação, as pesquisas devem ser feitas fora do domínio da Kodokan, já que após a Segunda Grande Guerra ela herdou a história de diversas ryus (principalmente da Dai Nippon Botuku kai), e se proclamou como a criadora do Judô (mais de 1.500 obras consagrando o Kodokan como criadora do Judô (Jiu-Jitsu Moderno)), o que não é verdade, isso vai ser bem esclarecido no “Gênesis do Jiu-Jítsu”. É necessário pesquisar também outras artes correlatas como o Aikidô e o Karatê. Então, quando pesquisava sobra a luta havida entre Carlos Gracie e Géo Omori (personagem quase desconhecida, já que não havia nenhum registro sobre ele, somente a luta com Carlos Gracie, e de seu envenenamento em Minas Gerais. Bruno, comecei então a procurar pelo Géo Omori, e nada encontrava, cheguei a pesquisar no arquivo da imigração estrangeira, e nada. Liguei para o meu Mestre Carnivalle, e falei “Mestre a luta do Carlos Gracie com Géo Omori  é factoide do Carlos”. Meu mestre afirmou que Géo Omori havia existido sim, e que o George Gracie (seu professor em 1950), falava muito dele. Então parti para pesquisar em jornais antigos, e eis que de repente, pesquisando na Biblioteca Nacional, no ano de 1929, aparece uma reportagem de Géo Omori em São Paulo, lutando no Circo Queirolos, que ficava no Vale do Anhagabau (Rua Formosa). Entrei em “orgasmo mental”, tinha diante de mim a primeira foto de Géo Omori. Aí fui obrigado a parar com o “Gênesis” que já estava com 1900 páginas de pesquisas, para me dedicar a recente descoberta. Eram tantas as reportagens que mostravam a verdades dos fatos ocorridos, que resolvi então lançar o “Géo Omori – O Guardião Samurai“, consultei alguns Mestres e meu advogado para saber das consequências de revelar tudo aquilo que havia encontrado. E recebi o incentivo de publicar a verdade que era mostrada nos jornais da época. E assim nasceu o “Géo Omori“, com 700 paginas (era o limite de páginas para a obra de um só volume). Só que tinha muita reportagem que não tinha adicionado, e fui incentivado a publicar o restante das pesquisas. E aí um amigo Mestre Roberto Sant’ Anna, 6º Grau em Karatê, me apresentou outro Karateca que mora nos EUA, que é um especialista na publicação de livros, que produziu as capas e sugeriu o novo título “O Livro Proibido do Jiu-Jitsu – A História que os Gracies não contaram“, que hoje tem previsão para 6 volumes (lanço o quinto ainda essa semana, já chegou o nº de registro do ISBN, e só aguardando a capa ser enviada pelo Jonas para publicá-lo.
Com a publicação, o senhor esperava algum tipo de problemas, principalmente da tradicional Família Gracie?
Bruno, nunca passei por nenhum constrangimento por parte da família Gracie. Eles tem méritos que devem ser propagados independente do erro histórico que causaram, não contando a verdadeira história, já que tinham a obrigação devido terem sido um dos protagonistas. O lugar dos Gracie na história do Jiu-Jítsu já é consagrado, só falta corrigirem a sua história.
Geo Omori e Carlos Gracie. Foto: Acervo Biblioteca Nacional

Geo Omori e Carlos Gracie. Foto: Acervo Biblioteca Nacional

Como o senhor encara a divulgação que o Jiu-Jitsu recebe hoje?
Quanto a divulgação que o Jiu-Jítsu recebe hoje (por meio da imprensa esportiva), ainda é muito pouco pelo que a arte já representa em números de campeonatos regionais, estaduais e nacionais. O Jiu-Jítsu é a mais completa arte marcial já criada pelo homem (genuinamente japonesa), com o tempero brasileiro. Acredito que é só questão de tempo, hoje temos a aberração de ter diversas confederações representando a mesma arte, e com as mesmas regras desportivas. Isso aconteceu devido a CBJJ organizada e dirigida por Carlinhos Gracie ter se tornado uma entidade donal (tem dono), quando deveria ser uma entidade aberta a outros participantes (ser democrática, poderia continuar a ser seu presidente, mas outras vozes teriam que serem ouvidas).  Hoje eu tenho a certificação da CBJJE, CBJJP, CBLP, CBMM e ABMJJ e sei da luta diária que todas passam. Eu acredito muito na ABMJJ-Associação Brasileira de Mestres de Jiu-jitsu sediada na cidade do  Rio de Janeiro e organizada pelos Grandes Mestres Luiz Carlos Guedes de Castro e Wilson Pereira Mattos e outros. Que no futuro se torne uma entidade de classe como a OAB, ou outras entidades, e que represente e discipline a graduação de mestre do Jiu-Jítsu, dando um caráter único nacional na identificação dos atuais mestres do Jiu-Jítsu Brasileiro. O crescimento do Jiu-jítsu atualmente é algo a ser considerado pela imprensa esportiva (é igual a água morro abaixo, ninguém segura), só temos com o tempo reunir todas as Confederação em uma só entidade (difícil, mas não impossível), Que surja dai uma organização democrática e que represente os interesses de todos. Se isso não acontecer (já começou a acontecer só não vê quem é cego), os americanos em muito pouco tempo dominam a arte a nível mundial. Já batizaram a arte como “SPORT JIU-JITSU“, e já possuem uma Federação Sul-americana no Brasil na cidade do Rio de Janeiro, e tem a matriz em Los Angeles. E já propagam o “Sport Jiu-Jitsu” como modalidade Olímpica para 2028.
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As 4 capas dos 4 volumes escritos por Marcial Serrano. (Foto: Divulgação)

O Jiu Jitsu hoje está muito diferente do Jiu Jitsu que o senhor aprendeu?
Quanto ao Jiu-Jítsu que se pratica ainda em algumas academias, comparado com o que se pratica na grande maioria das academias hoje, já não dá para fazer comparações, mas vou tentar. O Jiu-Jitsu dos anos 50, 60, 70 era uma arte japonesa de Autodefesa que ensinava a luta em pé e no solo. A partir do final dos anos 70 passaram também a uma modadlidade esportiva como o Judô do final dos anos 50 e 60 (antes das Olímpiadas de Tóquio), A partir dos anos 90, quando do “Vale Tudo” de 92, as regras foram ditadas pelos Gracie, principalmente pelo Mestre Carlson Gracie, que eram deficientes em nege-waza (luta em pé), e que priorizavam a luta no solo. Em 1995 com a vinda do Mestre Berhing para São Paulo, os campeonatos paulistas passaram a seguir as regras cariocas. 
Membros da tradicionalíssima família Gracie criaram um método de graduação online, onde voce recebe a faixa azul a distância. O que o senhor acha deste tipo de graduação?
Bruno, hoje o aprendizado a distância é um fato. Só que as artes marciais, como outras atividades é necessário um bom professor. Nem um bom manual substitui a presença física e os ensinamentos de um mestre.

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Escrito por Bruno Carvalho



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2 Comentários nesta publicação.
  • Jiu-Jitsu: Entenda a briga de Federações e os diversos “Campeonatos Mundiais” | higajiujitsuclube
    23 junho 2015 at 13:40
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    […] com o Mestre Marcial Serrano, atleta, pesquisador e escritor de vários livros (Géo Omori – O Guardião…, além de faixa preta de Judô e de Jiu-Jitsu (Coral 7º Grau, pela CBJJE, ABMJJ, C.F.Fadda, CBJJP, […]

  • Jiu-Jitsu: Entenda a briga de Federações e os diversos “Campeonatos Mundiais” | Nocaute na Rede
    23 junho 2015 at 02:47
    Responder

    […] com o Mestre Marcial Serrano, atleta, pesquisador e escritor de vários livros (Géo Omori – O Guard…, além de faixa preta de Judô e de Jiu-Jitsu (Coral 7º Grau, pela CBJJE, ABMJJ, C.F.Fadda, CBJJP, […]

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