Por que Ronda Rousey e Conor McGregor são os atuais queridinhos do UFC?

Conheça os motivos que fazem com que eles sejam considerados fenômenos de vendas, e consequentemente recebam uma atenção especial por parte de seus empregadores. O UFC é um negócio...

Conheça os motivos que fazem com que eles sejam considerados fenômenos de vendas, e consequentemente recebam uma atenção especial por parte de seus empregadores.

(Foto: USA Today)

(Foto: USA Today)

O UFC é um negócio e não um esporte. O esporte se chama MMA. O Ultimate Fighting Championship é uma liga esportiva que pertence à Zuffa, empresa privada dos irmãos (Frank e Lorenzo) Fertitta além de outros acionistas minoritários (dentre eles Dana White, presidente da organização). E assim como qualquer outra empresa privada do mundo, o objetivo da Zuffa é obter o maior retorno financeiro possível. E para os dirigentes da companhia, os principais lutadores não são necessariamente os campeões das categorias, mas os que mais ajudam a divulgar a marca UFC no mundo. E não estão errados, eles investem seu dinheiro visando lucro, e para isso eles tem que aproveitar os fenômenos comerciais que surgem esporadicamente e que ajudam a aumentar o número de fãs do evento ao redor do mundo, consequentemente aumentam os números de audiência na TV, gerando acordos mais lucrativos com publicidade e patrocínios, além das vendas de pacotes PPV.



Então se você assiste o UFC esperando que sigam corretamente os rankings e que a meritocracia seja fator decisivo para a decisão de quem disputará o cinturão, então com certeza você já se decepcionou com diversas decisões tomadas pelos dirigentes da organização. Eles têm a faca e o queijo nas mãos, podem casar as lutas de acordo com seus próprios interesses, e dessa forma facilitar ou até mesmo dificultar a vida de um atleta. O exemplo mais recente desse tipo de favorecimento foi o caminho que o irlandês Conor McGregor teve que passar para chegar a disputa do cinturão, com lutas que casavam bem com seu estilo de jogo, tanto que na prática ele não teve maiores problemas para chegar rapidamente ao posto de campeão interino da categoria. O McGregor é um lutador top, isso não se discute, mas o ponto é que o fato dele estar constantemente na mídia significa que ele está divulgando de forma massiva a marca UFC, e isso para a empresa é um grande retorno do funcionário, portanto eles fazem o possível para ajudar o irlandês a permanecer no topo pelo maior tempo possível, pois quanto mais os holofotes estiverem voltados para ele, mais a empresa estará sendo divulgada e valorizada.

Conor McGregor e Ronda Rousey (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Conor McGregor e Ronda Rousey (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Outra queridinha do evento é a campeã peso-galo feminina Ronda Rousey. Mas ao contrário do McGregor, o caminho dela em nenhum momento foi facilitado e ela teve que provar seu valor antes mesmo de existirem lutas femininas no UFC e dessa forma abriu os olhos dos dirigentes para esse novo mercado. Hoje estão colhendo os frutos, pois a Ronda se tornou um fenômeno comercial, conhecida no mundo inteiro até por quem não acompanha o esporte. Já participou de alguns filmes de hollywood e ao que tudo indica, seu sucesso só tende a crescer ainda mais. Mérito dos dirigentes da Zuffa que lá atrás enxergaram esse possível mercado a ser explorado, e hoje estão apenas começando a receber um retorno bastante lucrativo com as lutas femininas no UFC, grande parte disso graças a Ronda Rousey.

(Foto: Reprodução Youtube)

(Foto: Reprodução Youtube)

Mas o melhor favorecimento, ou retribuição, que o UFC oferece a um grupo muito seleto de atletas, é a participação nas vendas de Pay Per View. Geralmente os detalhes desses acordos não são divulgados, variando a porcentagem para cada atleta. E para que a organização proponha ao funcionário um acordo desse nível não basta apenas ser um campeão dominante, aliás as vezes lutadores que não são campeões recebem participação de PPV enquanto alguns campeões nunca receberam. Alguns atletas que já receberam esse tipo de participação são Chuck Liddell, Tito Ortiz, Randy Couture, Matt Hughes, Michael Bisping, Chael Sonnen, Georges St-Pierre, Brock Lesnar, Jon Jones e agora o McGregor e a Ronda. O Anderson Silva mesmo longe de ser um grande vendedor também recebeu, já no final da carreira, uma boa bolada de participação de PPV. Ou seja, o UFC só fechou esse tipo de acordo com lutadores que ajudam a vender um maior número de pacotes de PPV, fazendo a companhia lucrar ainda mais. Já um campeão dominante como o José Aldo, que não faz nenhum esforço para aparecer na mídia, acaba não divulgando tanto a marca UFC, portanto nunca recebeu uma participação nas vendas de algum evento que tenha participado. Ele iria receber pela primeira vez na luta que teria feito contra o McGregor em julho, porém se machucou e acabou não recebendo nada. Provavelmente seu empresário deve ter fechado um acordo igual para a próxima luta, o que fará o Aldo passar de um atleta que ganha bem, para um que ganha milhões. E ele tem que agradecer ao irlandês por estar recebendo esse tipo de participação em suas lutas a partir de agora, por que se o Conor não existisse, provavelmente o brasileiro encerraria a carreira sem nunca ter recebido uma participação tão alta em um único evento. Se fizermos uma conta rápida, o McGregor provavelmente recebeu em sua última luta mais do que o Aldo recebeu em toda sua vitoriosa carreira. Mais uma prova de que pra fazer parte do seleto hall de queridinhos da empresa, não basta ser o melhor dentro do octógono, mas também ser o melhor lá fora, nas coletivas de imprensa, entrevistas e demais aparições na mídia. São nesses momentos que certos atletas se destacam, chamam atenção do público, e automaticamente divulgam o evento. Quando o Conor McGregor dá uma entrevista para a CNN, ele está divulgando a marca UFC para milhares de pessoas que estão assistindo e muitas delas, talvez a maioria, não acompanham o esporte. E isso é valiosíssimo para a empresa, um funcionário divulgando o nome da companhia tanto em canais especializados quanto não especializados, gerando não só mais vendas de PPV como também trazendo novos fãs para o esporte. Isso sem contar o fato dele popularizar o evento na Europa, que é um mercado que interessa bastante a empresa. Se o Michael Bisping que nunca foi campeão, nem sequer chegou a disputar um cinturão, foi tão promovido pelo evento e ganhou tanto dinheiro pelo simples fato de ser europeu (e um bom vendedor), imagina então o Conor que já está com um cinturão em volta da cintura e é um vendedor ainda melhor que o Bisping.

Muita gente reclama da forma como o UFC lida com seus atletas, consideram injusto alguns ganharem muito mais do que vários outros que esportivamente falando mereciam mais. Porém o mundo dos negócios não é justo. E como eu falei no começo da matéria, o UFC é um negócio. Agora, caro leitor, eu gostaria da sua opinião. Se você fosse o presidente da organização, iria pagar melhor para os atletas que mais divulgam a companhia, ou tentaria ser o mais justo possível e daria os maiores salários para os campeões mais dominantes (mesmo sabendo que isso poderia acabar quebrando a empresa)? Comentem.

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Escrito por Brutus



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