Prévia: Análise Técnica e Tática de Johnny Walker vs. Corey Anderson

Kauê Macedo analisa Johnny Walker vs. Corey Anderson
Foto: Reprodução

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Um dos melhores eventos do UFC no ano está chegando e trás consigo casamentos muito interessantes, como Johnny Walker vs. Corey Anderson. Esse será o teste mais difícil da carreira do brasileiro, mas também o adversário mais imprevisível de Corey Anderson. O vencedor do confronto deve ficar a um passo de disputar o cinturão.

Análise Técnica

Johnny Walker tem uma ótima envergadura (2,08m), possivelmente a segunda maior da categoria de peso no UFC (atrás apenas de Jon Jones), e a utiliza bem para fazer a manutenção de distância e aplicar seu jogo na trocação.



O pouco tempo de luta dentro do octógono que Walker tem dificulta bastante o processo de análise, porque performances dentro e fora do UFC costumam ser bem diferentes, mas ainda assim é possível encontrar alguns hábitos, pontos fortes e erros em seu jogo.

Walker trabalha da média para a longa distância durante a maior parte da luta e combina isso bem com golpes longos. Com as mãos, os golpes longos e retos predominam em questão de volume, pois mescla bem a necessidade de manter a distância com a contundência (essa última que vem através do direto). Os chutes altos também são comuns e carregam muita potência, além de uma velocidade impressionante para um lutador do seu tamanho.

Ele utiliza muitas fintas para ameaçar tanto golpes quanto para mudanças de distância, o problema é que isso é feita de forma muito constante e pouco imprevisível. Uma boa leitura corporal é o suficiente para distinguir quando ele está apenas ameaçando e quando está de fato avançando para atacar. Se as fintas fossem feitas a partir da média distância seria mais difícil para o adversário, que teria que correr mais riscos em aceitar a finta ou adiantar a defesa do golpe, mas como é feita da longa distância, isso disponibiliza um tempo maior de resposta ao adversário.

O chute frontal no joelho é um dos seus golpes mais comuns e são frequentes no início de suas lutas. Por ser um atleta maior que a média da categoria, ele consegue golpear de uma distância considerável e o chute frontal é um golpe difícil de contra-atacar na trocação, tendo como brecha mais viável apenas tentativas de single leg.

O thai clinch é possivelmente sua arma mais forte no clinch. Sua pegada é muito forte e os adversários tem uma dificuldade bem acima do comum para escaparem, como aconteceu com KhalilRountree. A partir do clinch, ele aplica bem as joelhadas e cotoveladas que são, como aparentam ser todos os seus golpes, bem contundentes.

Outro aspecto importante de seu jogo são os golpes mais imprevisíveis, como chutes e socos rodados e joelhadas voadoras. Para isso, suas fintas são fundamentais (quando bem aplicadas), assim como a noção de distância. Até o momento, foi a mescla de imprevisibilidade e precisão que garantiu suas três vitórias no UFC.

Em sua última luta antes de entrar no UFC, quando enfrentou Henrique da Silva na temporada brasileira do Dana White’s Contender Series, Walker aparentou ser um lutador bem diferente do que soma três nocautes consecutivos. Pode parecer distante, mas isso aconteceu há apenas um ano e é de extrema relevância para analisar essa luta.

Enquanto manteve a distância, Walker foi soberano e dominou boa parte da luta (o que lhe garantiu a vitória por decisão), mas quando seu adversário encurtou a distância, Walker ficava constantemente em desvantagem.

Da média para a curta distância, Walker apresentou dificuldades e falhas defensivas para lidar com odirty boxing e com o jogo de clinch. A insistência em manter o thai clinch o prejudicou no controleposicinal (já reparou o quão raro o thai clinch é utilizado no alto nível? É justamente porque ele abre muitas brechas para tentativas de quedas e controle posicional no clinch).

A defesa de quedas ainda é uma incógnita, mas temos alguns poucos exemplos. Henrique da Silva foi capaz de colocar Walker de costas para o chão, mas pecou no controle posicional no solo. Walker compensou a falha em defender as quedas com um boas raspagens no chão e jiu-jitsu superior ao do adversário, mas vale lembrar que esse não é seu carro chefe.

Na trocação, Corey Anderson gosta de manter a luta na média distância. Por depender muito de seuwrestling, ele precisa dessa distância para balancear os espaços que tem para investir em uma queda e para recuar defensivamente quando é atacado pelo adversário.

Defensivamente, isso faz com que ele precise ter uma noção muito boa do espaço disponível no octógono, pois é imprescindível ter a disposição espaço suficiente para caminhar para trás quando é atacado.

Ofensivamente, a noção de espaço não é tão importante assim, porque ele pode quedar tanto com o octógono livre quanto com o adversário encostando na grade. Pelo seu estilo, é até melhor quando consegue o controle do centro do octógono e coloca o adversário na grade, pois ali ele consegue encaixar melhor a posição dos braços e efetuar a queda com mais eficácia, apesar de ser posteriormente prejudicado no controle posicional no chão.

Sua trocação se resumo em um básico jogo de boxe, que inclui golpes longos e retos, como jabs e diretos, que o ajudam a evitar o engajamento na curta distância, e alguns cruzados e overhands. Ele também sabe variar corpo e cabeça e também faz combinações que são bem eficientes para um wrestler do seu estilo, mas está longe de ser um striker de alto nível.

Parte significativa de sua trocação serve para confundir o adversário e poder colocar seu ponto mais forte em jogo, o wrestling.

A transição da trocação para a queda tem alguns defeitos. Corey faz a movimentação do corpo para as pernas de forma previsível e relativamente lenta, o que o prejudica bastante na luta, pois ele sabe combinar bem o boxe com o wrestling.

Apesar dos erros na mudança de nível, quando alcança as pernas Corey é bem perigoso. Seuwrestling no MMA é de altíssimo e ele tem um bom arsenal ofensivo, com single e, principalmente,double legs aplicado com muita técnica, força e persistência.

A precisão nas quedas não é muito alta, ele precisa praticamente de duas tentativas para cada acerto, mas o volume de tentativas é tão alto que ele sobrepõe essa dificuldade e consegue colocar para baixo grande parte dos lutadores da categoria.

Seu jogo de chão tem um bom nível, mas ele tem dificuldades de manter o adversário no chão e de avançar posições. O controle posicional no chão e o ground n’ pound claramente são frutos do seuwrestling com adaptações aplicado para o MMA, porque o jiu-jitsu é quase inexistente. Apesar de colocar quase todos os seus adversários para baixo no UFC, Corey nunca sequer tentou aplicar uma finalização em sua carreira no UFC.

Análise Tática e conclusões

Na trocação, Johnny Walker deve ser superior. Ele tem muita contundência nos golpes e deve ganhar o respeito do adversário logo cedo na luta, mantendo a distância e trabalhando principalmente os golpes longos e retos, além de usar sua imprevisibilidade de sempre, especialmente com a joelhada voadora, que é ótima em wrestlers com o hábito de abaixar a cabeça quando o adversário avança de forma brusca.

Corey Anderson não deve se abster da trocação, pois isso pode fazer com que suas entradas de queda sejam muito previsiveis. O americano deve utilizar seu volume de golpes para tentar manter o centro do octógono e encurtar a distância, deixando Walker perto da grade para pode entrar com quedas em alto volume.

Se Corey Anderson foi capaz de quedar 12 vezes Patrick Cummins, que é vice-campeão da primeira divisão de wrestling da NCAA, além de quedar 4 vezes o ex-campeão mundial Maurício Shogun e 7 vezes o ex-desafiante ao cinturão Glover Teiceira, é difícil concluir que Johnny Walker, que foi quedado por Henrique da Silva, consiga defender todas as quedas.

A única solução que resta para o brasileiro é usar o ataque como medida defensiva. Walker precisa encerrar a luta antes das brechas para queda aparecerem, e isso é uma missão mais difícil do que parece.

Essa luta tem dois resultados mais prováveis, Johnny Walker vencendo por nocaute ou Corey Anderson vencendo por decisão. É difícil acontecer um cenário no qual Anderson vença por nocaute e ainda mais difícil um no qual Walker vença por decisão.

Johnny nocauteando ou Corey vencendo por decisão devem somar cerca de 80% das probabilidades totais da luta, sendo 40% pra cada. Diria que uma vitória do americano por nocaute representa algo como 15%, enquanto uma vitória por decisão do brasileiro estaria em torno de 5%.

Dos cenários supostos, meu palpite é que o americano sobreviva ao poder de nocaute do brasileiro, consiga trabalhar o wrestling e pontue o suficiente para vencer a luta.

Prognóstico: Corey Anderson por Decisão

 

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Bacharelando em Jornalismo, Analista de MMA e boxe no PitacoEsportivo.com e Nocaute na Rede. Contatos: [email protected] (via e-mail) e @kauemcd (via Twitter)
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