Prodígios: Faixa Preta de Jiu-Jitsu em três anos. Certo ou errado?

Todo praticante de arte marcial sonha em atingir a tão sonhada faixa preta. Além de “status”, ela representa o reconhecimento e a dedicação. Muitos lutadores demoram bastante para atingir...

Todo praticante de arte marcial sonha em atingir a tão sonhada faixa preta. Além de “status”, ela representa o reconhecimento e a dedicação. Muitos lutadores demoram bastante para atingir tal graduação. Já alguns, tidos como “prodígios”, atingem a faixa preta mais rápido do que qualquer um atingisse a faixa roxa. Estamos falando de BJ Penn, Caio Terra, Lloyd Irvin, entre outros. Conversamos com alguns  professores e colhemos algumas opiniões, sobre o descumprimento das normas da CBJJ e da IBJJF. Confira:

TARCÍSIO JARDIM – CHECKMAT 



“Rapaz, em todo esporte existe os fenômenos, pessoas que nascem com o dom para fazer aquilo, mas nenhum fenômeno tem o direito de quebrar as regras e regulamentos do seu esporte. Ao meu ver, todos deveriam respeitar a carência de faixa, ou seja, o tempo mínimo de permanência em cada graduação, isso ajuda o atleta a amadurecer, pois caso chegue rápido a faixa preta se frustrar. Temos vários exemplos de lutadores que ganharam tudo nas faixas coloridas e quando chegaram na preta não ganharam nada durante muito tempo, alguns até parando de lutar por conta da frustração vivida. É complicado você ser acostumado a ganhar tudo e depois não ganhar nada, isso detona o psicológico do cara, principalmente se ele já tiver uma mente fraca. Por isso acho importante respeitar a carência em cada faixa. Não concordo em deixar o atleta “mofar” em uma graduação, como se vê por aí professores deixando alunos 3 ou 4 anos em uma faixa colorida, isso pra mim é perda de tempo, tem que haver equilíbrio, nem pouco nem muito, mas pelo menos o tempo mínimo, afinal para que pressa demais para chegar a faixa preta, se dali vc não passa mais? Sou faixa preta 2 dan do mestre Leonardo Vieira e ganhei a preta após 10 anos de jiu jitsu.”

Tarcísio ao centro, com Leo e e Rico Vieira. Foto: Arquivo Pessoal

Tarcísio ao centro, com Leo e e Rico Vieira. Foto: Arquivo Pessoal

 

FABIANO “PAPEL” – HALAVANCA BJJ

“Acho que a temporização é importante para disciplinar e regulamentar o esporte, mas como em tudo na vida, há exceções e no jiu-jitsu não poderia ser diferente. Os nomes citados, são atletas de ponta, muitos deles, campeões mundiais inclusive na faixa preta. Tempo não mede conhecimento de ninguém, o que mede é esforço e trabalho duro. O tempo é importante, mas algumas pessoas estão acima das outras e aprendem as coisas com muito mais facilidade. Eu mesmo, tenho um aluno que não treina, porque escolheu estudar, é faixa azul, mas se jogar guarda para qualquer faixa preta do mundo, com certeza dará muito trabalho e ele só treina a 2 anos, desses, creio que 1 ano e meio foi parado ou treinando muito pouco. Eu mesmo, tenho uma história bem atipica dentro do jiu-jitsu. Treinei de 98 a 2001. Passei quase 10 anos parado, sem vestir um kimono. Voltei no final de 2010 e com dois anos peguei a faixa preta. Se for contabilizar o tempo, treinando, peguei minha preta com 5 anos e meio de treino.”
Fabiano Papel com os dois de seus alunos. Foto: Arquivo Pessoal

Fabiano Papel com os dois de seus alunos. Foto: Arquivo Pessoal

MIKEIAS BEZERRA – ALLIANCE
“O que a confederação fez foi estipular um tempo mínimo na expectativa de melhorara a qualidade técnicas dos faixas pretas, Porém se o atleta mostra conhecimento e interesse pela arte porque comigo aconteceu uma coisa mais ou menos parecida. Quando eu passei para faixa preta de Jiu-Jitsu, com 6 meses fui lutar o estadual e os professores não queriam deixar eu lutar. Aí foram falar com Sensei Ricardo, que na época presidia a federação. Aí ele me perguntou: Você se acha competente para lutar a faixa preta? Eu respondi que sim. Ele me disse:  Então você vai ter que me provar. E por glória de Deus me sagrei campeão da minha categoria e ainda subi ao pódio no absoluto. Eu recebi a minha faixa preta em torno de uns 5 anos.”
Mikeias Bezerra. Foto: Arquivo Pessoal

Mikeias Bezerra. Foto: Arquivo Pessoal

 

ALISSON FERRAZ – GRACIE BARRA

“Então por mais prodígio que o cara seja,o tempo mínimo de graduação deve ser respeitado, pois isso serve até para a valorização do nosso esporte. Como iremos fazer para graduar nossos alunos sendo que nós mesmos não respeitamos o tempo mínimo de graduação? Eu, por exemplo, só peguei a faixa preta após 12 anos de treino efetivo e tenho 2 anos de faixa preta.”

Alisson Ferraz. Foto: Arquivo Pessoal

Alisson Ferraz. Foto: Arquivo Pessoal

 

GUSTAVO BRILHANTE – BRAZILIAN TOP TEAM

“Respeitar o tempo de graduação é tudo, Principalmente para que o jiu- jítsu não perca sua credibilidade. E a graduação aplicada sem respeitar o tempo de graduação está indo contra o órgão maior que são as federações que regulam e analisam o tempo necessário de cada graduação. Todavia há um estudo detalhado e baseados nos limites de graduação a cada faixa. Aqueles que passam seus atletas a próxima faixa sem analisar o regulamento dos órgãos que regulam o tal, está desrespeitando e indo contra a instituição. Enfim, graduar um atleta a faixa preta sem respeitar o tempo mínimo necessário pra graduar está indo contra todos os princípios imposto pela federação… Assim colocando em risco toda a credibilidade do nosso esporte…”

Gustavo Brilhante. Foto: Arquivo Pessoal

Gustavo Brilhante. Foto: Arquivo Pessoal

 

JUNIOR RIBEIRO – NOVA UNIÃO

“Sou Faixa Preta desde 2008. Cheguei na faixa preta com 15 anos de muito treino, posições e campeonatos. É injustificável que um atleta em apenas 3 anos de jiu jitsu chegue a faixa preta, nada contra aos prodígios que são campeões, mas sem o prazo minimo que é estipulado pela IBJJF não rola. Precisamos de um órgão fiscalizador mais enérgico nessa situação para que sejam seguidas a risca as regras. “

Júnior Ribeiro (Terceiro da esquerda para a direita) com seus alunos. Foto: Arquivo Pessoal

Júnior Ribeiro (Terceiro da esquerda para a direita) com seus alunos. Foto: Arquivo Pessoal

MARCIAL SERRANO – Lutador e Escritor

“Responder o que eu acho da graduação para Faixa Preta em Jiu-Jitsu em três anos, é colocar qualquer um que você perguntar entre a “Cruz e a Espada”. Jiu-Jitsu Tradicional? Jiu-Jitsu Esportivo? Ou de Jiu-Jitsu no MMA? No Jiu-Jitsu Tradicional onde você tem um formulário completo, de Luta em pé (Quedas), Autodefesa, E a luta no solo. Em torno de 6 a 8 anos (se o aluno for um fora de série pode ser graduado nesse mesmo tempo a 1ª Grau, pulando a Faixa Preta Lisa). O Mestre que ainda ensinam o Jiu-Jitsu Tradicional, oriundos dos Mestres de Notório Saber, tem ainda outros critérios para promoverem seus alunos. Como a índole do aluno, e se realmente o aluno tem condições de receber a graduação que o vincula eternamente ao sua Academia. No Jiu-Jítsu Esportivo as Confederações solicitam uma ficha cadastral onde o solicitante da inscrição na entidade declara e comprova com documentos suas origem e graduações. E tem uma tabela de tempo entre as graduações que o praticante tem que cumprir para quem é praticante, uma contagem de tempo, e para quem é professor outra contagem. E as promoções por Mérito e Reconhecimento. Nas Academias de lutas mistas MMA, os critérios são outros que ainda não conseguimos compreender. Agora a promoção de Faixas Pretas fora dos critérios estabelecidos pelas Confederações, e sem a origem de um mestre de real valor técnico e moral já virou caso de Polícia, até “online” hoje você se gradua. A graduação virou um comércio: Já tem academias que graduam os alunos opôs ele cumprir uma quantidade pré-estabelecida de participações em campeonatos.

Inicio no Jiu-jitsu: 1976 Graduação: Faixa Preta 1º Grau: 1982 Graduação 7º Grau – 2013 Certificado pela CBJJE, CBJJP, CBLP, CBMMA, USFBJJ. ABMJJ. FPJJ – Medalha do Mérito Esportivo 2013 – “Grande Colaborador do Esporte”. FPJJ – Medalha do Mérito Esportivo –2014 – “Benemérito”.

Mestre Marcial Serrano (o primeiro da esquerda para a direita). Foto: Arquivo Pessoal

Mestre Marcial Serrano (o primeiro da esquerda para a direita). Foto: Arquivo Pessoal

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Escrito por Bruno Carvalho



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