Renan Barão: Acaso ou ressurreição?

“Você só é tão grande quanto sua última luta”. Esse é um ditado bem conhecido dos fãs de esportes de combate, e ele revela como até mesmo um histórico...

“Você só é tão grande quanto sua última luta”. Esse é um ditado bem conhecido dos fãs de esportes de combate, e ele revela como até mesmo um histórico invejável pode se tornar, da noite pro dia, insignificante nos corações e mentes dos fãs, caso o lutador que o possua falhe em se apresentar de forma convincente em suas mais recentes performances. No caso dos lutadores brasileiros, nenhum personifica melhor a veracidade desse ditado que o potiguar Renan Barão.

(Foto: UFC)

(Foto: UFC)

Barão iniciou sua carreira profissional no MMA com derrota, em 2005. Mas, desde então, só conheceu sucesso, derrotando todos os adversários que enfrentou nos eventos nacionais e internacionais pelos quais passou (com exceção de uma única luta “sem resultado”, em 2007), e, finalmente, no UFC. Ele conquistou o cinturão interino dos pesos galos com vitória sobre Urijah Faber, quando o então campeão Dominick Cruz sofreu uma lesão no joelho, e posteriormente foi promovido a campeão linear, quando uma nova lesão no joelho deixou Cruz afastado do octógono por tempo indeterminado.



Barão estava na crista da onda. Havia derrotado quase todos os top contenders de sua divisão, conseguiu um contrato financeiramente mais lucrativo e era constantemente citado pelos fãs e pelo presidente do evento, Dana White, como um dos melhores lutadores peso-por-peso do mundo, senão o melhor. Parecia que ninguém poderia pará-lo… Até TJ Dillashaw entrar em cena. Com uma estratégia impecável, Dillashaw derrotou Barão de forma convincente e impressionante, impondo seu jogo durante toda a luta, até conseguir o nocaute técnico na metade do quinto e último round.

Desde a derrota para Dillashaw, Barão não aparenta ser o mesmo lutador. Teve sua revanche com o novo campeão cancelada graças a um desmaio ocorrido na véspera da luta, que o impediu de bater o peso, e passou por relativo sufoco para derrotar Mitch Gagnon, que nem no top 10 da categoria estava. Com esses resultados, a desconfiança de que Barão nunca mais será o mesmo tomou conta dos fãs, que passaram a se questionar acerca do futuro do lutador.

(Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

(Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Images)

E é nesse clima de desconfiança que Barão finalmente enfrentará Dillashaw novamente no UFC 186, marcado para o dia 25 de abril. Enquanto muitos acham que o resultado da primeira luta entre ambos não passou de um golpe de sorte, resultante de um cruzado de direita aplicado por Dillashaw logo no primeiro round, que teria deixado o brasileiro lutando no “piloto automático” pelo resto do combate, muitos outros acreditam que o campeão possui o “mapa da mina” para derrotar Barão, e que repetirá o feito tantas vezes quantas forem as lutas marcadas entre eles.

Independente de quem tem razão, o fato é que Barão se encontra em uma posição delicada. Por mais bem preparado que ele venha na próxima luta, dificilmente virá com um jogo muito diferente do que apresentou até agora. Um lutador profissional de tamanha experiência já tem um estilo bem definido e, por mais que ele evolua, dificilmente irá se reinventar nessa altura da carreira dele. Se Dillashaw realmente tem o jogo de Barão mapeado, as chances de que repita a performance dominante da primeira luta são grandes, e, caso isso aconteça, Barão ficará numa posição extremamente complicada. Provavelmente, não lutará pelo cinturão dos galos de novo tão cedo, e a divisão dos penas é dominada por seu companheiro de equipe e parceiro de treinos, José Aldo, o que o impediria de subir para tentar a sorte na categoria de cima. Restaria ao potiguar se manter relevante como contender e esperar pelo retorno e possível vitória de Dominick Cruz sobre Dillashaw, para que uma nova disputa de cinturão envolvendo seu nome passasse a fazer sentido.

Se, do contrário, a primeira luta tiver realmente sido um golpe de sorte de Dillashaw, e Barão conseguir dar o troco no americano e reconquistar o cinturão, a desconfiança dos fãs provavelmente se esvairá tão rápido como começou, e ele imediatamente voltará à crista da onda, onde ficará pelo menos até o resultado do inevitável tira-teima entre ambos. Afinal, como diz o ditado, neste esporte, “você só é tão grande quanto sua última luta”.

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Escrito por Daniel Batista Caldas



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