Tempo, o adversário que nunca pode ser derrotado

Quando eu era garoto, meus pais, avós e demais pessoas com idade superior a minha sempre diziam que o tempo era o melhor remédio para tudo. Obviamente eles estavam...

Quando eu era garoto, meus pais, avós e demais pessoas com idade superior a minha sempre diziam que o tempo era o melhor remédio para tudo. Obviamente eles estavam utilizando uma figura de linguagem pra poder dizer “Calma, filho. Aguarda um pouco o tempo passar e tudo vai se resolver”.

Claro que falavam isso quando havia alguma situação não muito boa para aquele cuja frase estava sendo direcionada. Mas o grande lance é que o tempo não passa somente para as coisas ruins. As coisas boas também possuem um prazo de validade. E no mundo dos esportes assistimos até com frequência a queda de grandes atletas por consequência do “pai tempo”.



E este vilão impiedoso, implacável e imbatível derrubou mais um grande nome do esporte. No último sábado, 29, no co-main event do UFC Fight Night 175: Smith vs Rakic, ‘ruthless’ Robbie Lawler chegou à sua 4ª derrota consecutiva, dessa vez para Neil Magny. Um cara que em seu auge foi praticamente imparável, agora se tornou “inofensivo” perante a ação cruel do grande demolidor (o tempo).

Lawler atravessou gerações. Estreou no MMA profissional em 2001, aos 19 anos de idade. Em 2002, com apenas 20, já estava trocando socos no Ultimate. Entre passagens pelo UFC, Elite XC (foi campeão), Strikeforce e novamente UFC, saiu na mão com alguns dos grandes nomes do esporte em suas devidas épocas, como: Pete Spratt, Nick Diaz, Jake Shields, Renato Babalu, Murilo Ninja, Melvin Manhoeff, Ronaldo Jacaré, Josh Koscheck, Rory MacDonald, Johnny Hendricks, Carlos Condit, Tyron Woodley, Donald Cerrone, Rafael dos Anjos e por aí vai.

De 2013 a 2016, na segunda passagem pelo UFC, chegou a ter 8 vitórias em 9 lutas. Só perdeu para Johnny Hendricks na disputa de título, mas venceu a revanche e se tornou o campeão. O cara era um competidor voraz, agressivo, destemido. O boxe de qualidade, excelente defesa de quedas, o queixo duro e o gás acima da média o tornavam um pesadelo para os adversários. O cara era tão psicopata que até deixava os oponentes lhe golpear e enquanto isso ficava sorrindo. E quando esteve em desvantagem nas suas lutas, partia para um “concurso de brabeza”.

 

Robbie Lawler x Rory MacDonald, a luta do ano de 2015 (Credits: Tenor.com)

Era trocação pura, agressiva. Era tomar um e acertar dois, três ou mais golpes. Com quintos rounds avassaladores, conseguiu sobressair nos combates contra Hendricks (quando foi campeão), Rory MacDonald (1ª defesa) e Carlos Condit (2ª defesa). E não à toa essas 3 lutas foram disputar o prêmio de “luta do ano” no MMA World Awards, o Oscar do MMA. Em 2015 conseguia que sua luta contra Rory fosse premiada. Um combate épico, que gerou um dos momentos mais icônicos de todos os tempos e fotos, dos dois com rostos ensanguentados, algumas das melhores imagens feitas numa luta em toda a história.

 Mas aí o “senhor tempo” entrou em ação.  Em 2016 o cara foi nocauteado por Tyron Woodley, perdeu o cinturão e entrou num declínio. Contra Donald Cerrone até saiu vencedor, mas ali a performance já não foi como antes. O preparo físico já se mostrou não muito bem. E os combates posteriores, no qual teve 4 derrotas seguidas, apenas comprovaram. Completamente dominado por Dos Anjos, Colby Covington e Neil Magny. Nem de longe lembrava o lutador tão temido de outrora.

O que Lawler está passando, essa ação do tempo, já foi e/ou ainda é vivido por outras lendas do calibre, por exemplo, de BJ Penn, Anderson Silva, Wanderlei Silva, Vitor Belfort, Rashad Evans e por aí vai. Aliás, este último, Rashad, ao se aposentar em 2018 disse, em entrevista à ‘ESPN americana’, que não podia se enganar, que não se via mais em condições de brigar de igual pra igual com os demais atletas pelo topo do esporte.

O tempo, infelizmente, é um inimigo que nenhum ser humano pode vencer. Ele sim, diferente de Thanos, é inevitável. No caso dos lutadores, uma derrota sempre estará garantida no cartel. Como já diria Chorão, do Charlie Brown Jr, na letra de uma das suas famosas canções, o tempo é rei.

Texto e edição: Kaio Lima

 

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Pai, marido, neto, amante da família; filho de Deus; Graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) na Universidade Federal do Maranhão; Editor chefe do Nocaute na Rede, sonha em seguir carreira na área esportiva; Redator nas seções de MMA nacional e internacional; Apaixonado por rádios, jornais, livros, podcasts, filmes, séries, comidas, esportes em geral (principalmente MMA, futebol e basquete); Praticante de MMA e muay thai;
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