UFC 232: Jones vs Gustafsson 2 – Resumo, resultados e bônus

Card principal foi animado e 4 das 5 lutas terminaram pela "via rápida"
Amanda Nunes, a primeira lutadora a ter cinturão de duas categorias e, de quebra, de forma simultânea (Foto: MMA Fighting)

Neste último sábado, 29, aconteceu o UFC 232: Jones vs Gustafsson 2. O evento ocorreu em Phoenix, capital do Arizona, e teve como destaques o retorno de Jon ‘Bones’ Jones, fazendo a revanche contra o sueco Alexander Gustafsson na luta principal, e a superluta entre as campeãs Cris Cyborg, peso-pena, e Amanda Nunes, peso galo. Além desses combates, o card principal contou também com Michael Chiesa vs Carlos Condit e Chad Mendes vs Alexander Volkanovski. Confira o que de melhor aconteceu nos principais combates de mais um grande evento do Ultimate.

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Jon Jones castiga Gustafsson no ‘ground and pound’ e vence por nocaute técnico (Foto: Reprodução)

Na principal luta da noite, Jon ‘Bones’ Jones retornou após exatos 1 ano e 5 meses e já enfrentando Alexander Gustafsson pelo título vago da categoria meio-pesado. Logo após vencer Daniel Cormier no UFC 214, em 29 de julho de 2017, Jones testou positivo para substâncias proibidas e foi suspenso, além de perder seu cinturão. O retorno foi diante de um velho conhecido. No primeiro combate, no UFC 165, em 21 de setembro de 2013, os dois fizeram uma luta tão disputada que terminou sendo premiada como “Luta do Ano 2013” pelo MMA World Awards, o Oscar do MMA. Após mais de 5 anos de provocação, principalmente pelo lado do sueco, os dois voltaram a estar frente a frente e em uma disputa de título – Daniel Cormier decidiu ficar somente na categoria peso-pesado, onde é campeão, e abriu mão do título da divisão até 93 kg.



A performance dos dois lutadores era uma incógnita. Se Jones estava há 1 ano e 5 meses sem lutar, Gustafsson chegava a 1 ano e 7 meses. A luta foi morna. Os dois se movimentavam bastante, até acertavam alguns golpes, porém sem contundência. ‘Bones’ investia em algumas tentativas de quedas, mas ‘The Mauler’ conseguia se defender muito bem, assim como fez na primeira luta. Apesar do pouco movimento, o primeiro round foi claro para o americano. O segundo, continuou sem emoção, mas foi mais equilibrado. Poderia ter ido pra qualquer lado. No terceiro assalto, Jones deu o “bote” certeiro, entrada de queda perfeita, e conseguiu colocar o oponente no chão. Gustafsson esperneou, tentou na técnica, mas não conseguiu sair da posição e os golpes começaram a entrar. Diante da situação, virou as costas e protegeu o rosto. Jones prosseguiu com o ‘ground and pound’ até a interrupção do árbitro. Vitória por nocaute técnico aos 2:02 do 3º round. O americano volta a ser campeão meio-pesado da divisão, enquanto o sueco perde a terceira disputa de cinturão da carreira.

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A precisão de Amanda derrubando Cris Cyborg (Foto: Reprodução)

Na luta co-principal, duas brasileiras, campeãs, dividiram o octógono. Após muitas provocações, Amanda Nunes subiu até o peso-pena e enfrentou a rainha da categoria, Cris Cyborg. Quando o árbitro Marc Goddard deu início ao combate, as duas pouco se estudaram e já começaram a pancadaria. Cris acertou 4 golpes e não foi tocada. As “bombas”, no entanto, não acertaram em cheio. Daí em diante só deu a “leoa”. As duas foram pra trocação franca, entraram no ‘in fight’, e ‘The Lioness’ Amanda passou a levar ampla vantagem. Cris tomou 3 ‘knockowns’ e 1 ‘flashdown’ antes de tomar o golpe derradeiro. Vitória da “leoa” Amanda Nunes por nocaute aos 51 segundos do primeiro round. Ela foi a primeira brasileira a ser dona de um cinturão do UFC. Agora é também a primeira e única, pelo menos até o momento, a ter títulos em duas divisões femininas e de forma simultânea. Já Cris, chega a sua segunda derrota na carreira. Após perder logo na estreia, a lutadora cria da Chute Boxe passou 13 anos sem sentir esse amargo gosto.

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Michael Chiesa aplicou uma linda kimura fazendo a pegada com apenas uma das mãos (Foto: Reprodução)

Na antepenúltima luta do evento, Michael Chiesa enfrentou o ex-campeão interino dos meio-médios, ‘The natural born killer’ Carlos Condit, pela divisão até 77 kg. No primeiro round, Condit tentou soltar o jogo que o consagrou, na trocação. Chiesa foi paciente, até que deu bote e derrubou. Mas ainda assim, o ex-campeão foi mais perigoso, dando inclusive “botes” pra sair na chave de braço e que por pouco não encaixa. No segundo round, Chiesa foi letal. Conseguiu a queda logo no início e não demorou a encaixar uma kimura no adversário. Por finalização aos 56 segundos do round 2, Michael Chiesa consegue pôr fim a sequência negativa que já somava duas derrotas consecutivas. Já Condit chega a sua oitava derrota nas últimas 10 lutas. No UFC 154, em 17 de novembro de 2012, o lutador, que era o campeão interino, enfrentou o campeão linear, Georges St Pierre. Após 5 vitórias consecutivas, acabou sendo derrotado pelo canadense. Desde então, a fase só vai de mal a pior. Com a derrota no UFC 232, chegou a sua quinta derrota consecutiva, três delas por finalização.

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Mendes não resiste e cai diante da pressão de Volkanovski (Foto: Getty Images)

Na abertura do card principal, Chad Mendes, um dos grandes da categoria, enfrentou o australiano Alexander Volkanovski pelo peso-pena. Após 2 anos de suspensão por conta de doping, Mendes retornou em 14 de julho de 2018 e nocauteou Myles Jury ainda no primeiro round, ganhando inclusive bônus de “Performance da Noite”. O oponente da vez era o complicado australiano que só perdeu uma vez na carreira, vindo de 15 vitórias seguidas, 5 delas pelo Ultimate.

Volkanovski foi pra resolver na trocação e começou levando vantagem. Chad buscava as quedas e até conseguia, mas não mantinha o adversário no solo. Apesar da menor qualidade de ‘striking’ que o oponente, Mendes é veloz e tem mãos pesadas. Quando o golpe entrou, o australiano sentiu. ‘Money’ cresceu o olho, foi pra cima, golpeou, mas não conseguia dar números finais ao duelo. O segundo round, aliás, foi insano. Os dois trocaram muita pancada. Corpos desgastados, rostos sangrando, lutadores com muita vontade. A luta seguia com Volkanovski levando vantagem na trocação e quando apertava um pouco mais, era agarrado e jogado no solo. O americano conseguiu, após uma queda, chegar às costas do adversário. Mas ao tentar fazer uma movimentação pra sair na montada, o australiano acompanhou e conseguiu se levantar. Depois disso, Alexander foi com tudo, colocou pressão, acertou bons socos, uma forte cotovelada e duas joelhadas na barriga. Mendes sentiu os duros golpes, tudo isso somado ao cansaço. Na sequência, um gancho na barriga foi o suficiente para o já castigado ‘Money’ desabar. Volkanovski só precisou acertar mais alguns golpes para que o árbitro separasse, dando vitória por nocaute técnico aos 4:14 do segundo round. Com a derrota, Chad, quinto colocado no ranking, deve descer algumas posições, enquanto Alexander, o décimo, deve ficar bem próximo de uma vaga no top 5.

RESULTADOS COMPLETOS:

Card Principal

MeioPesados: Jon Jones venceu Alexander Gustafsson por nocaute técnico aos 2:02 do 3º round;
PenasFeminino: Amanda Nunes nocauteou Cris Cyborg aos 0:51 do 1º round;
MeioMédios: Michael Chiesa finalizou Carlos Condit aos 0:56 do 2º round;
MeioPesados: Corey Anderson venceu Ilir Latifi por decisão unânime (triplo 29-28);
Penas: Alexander Volkanovski nocauteou Chad Mendes aos 4:14 do 2º round

Card Preliminar

Pesados: Walt Harris venceu Andrei Arlovski por decisão unânime (29-28/27-30/29-28);
PenasFeminino: Megan Anderson nocauteou Cat Zingano aos 1:01 do 1º round;
Galos: Petr Yan nocauteou Douglas D’Silva aos 5:00 do 2º round;
Leves: Ryan Hall finalizou BJ Penn aos 2:46 do 1º round;
Galos: Nathaniel Wood finalizou Andre Ewell aos 4:12 do 3º round;
Médios: Uriah Hall nocauteou Bevon Lewis aos 1:32 do 3º round;
MeioMédios: Curtis Millender venceu Siyar Bahadurzada por decisão unânime (29-28/29-28/30-27);
Galos: Montel Jackson finalizou Brian Kelleher aos 1:40 do 1º round

BÔNUS DA NOITE

Chad Mendes x Alexander Volkanovski – US$ 50 mil para cada pela “Luta da Noite”

Amanda Nunes e Ryan Hall – US$ 50 mil para cada pelas “Performances da Noite”

 

TRANSPARÊNCIA PARA COM O PÚBLICO

Sabemos que Jon Jones leva consigo uma multidão de fãs. Dessa forma, pode surgir alguns questionamentos com relação a escolha da foto de capa desta matéria, uma vez que o lutador também teve grande destaque no evento, sendo campeão, novamente, da divisão meio-pesado. 

Amanda conquistou algo inédito (a primeira mulher a se tornar campeã de duas divisões de peso), além de ser sobre uma adversária considerada por muitos como invencível e que não conhecia uma derrota há 13 anos. ‘The Lioness’ ainda subiu de peso, foi até a “casa” de Cyborg, o que torna sua conquista muito mais grandiosa, considerando até uma epopeia. Por sua vez, ‘Bones’ reconquistou o cinturão, sobre um oponente que já havia vencido anteriormente e que desde o primeiro combate entre eles lutou 5 vezes, perdendo duas e vencendo três. Com esses motivos apresentados, esse que aqui vos escreve espera ter justificado a todos ou pelo menos a maioria o motivo de ter colocado a foto de Amanda Nunes como capa da matéria.



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Pai, marido, neto, amante da família; filho de Deus; Graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) na Universidade Federal do Maranhão; Editor chefe do Nocaute na Rede,; Redator nas seções de MMA nacional e internacional; Apaixonado por rádios, jornais, livros, podcasts, filmes, séries, comidas, esportes em geral; MMA é uma paixão absurda; Praticante de MMA e muay thai; Crítico Social
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