Uma lenda que a nova geração não conheceu – Marcelo Behring

Olá, amigos do Nocaute na Rede! Tudo bem com vocês. Hoje o comentário é puxado pra uma vibe mais saudosista do nosso amado Jiu Jitsu brasileiro. Hoje tenho a...

Olá, amigos do Nocaute na Rede! Tudo bem com vocês. Hoje o comentário é puxado pra uma vibe mais saudosista do nosso amado Jiu Jitsu brasileiro. Hoje tenho a honra de falar um pouco sobre um cara, que é aquele tipo de lutador que surge uma vez a cada século: ”Marcelo Behring”. Já tive a honra de entrevistar o seu irmão, o mestrão casca grossa Sylvio, aqui mesmo no Nocaute!

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Sabe aquele tipo de pessoa com um determinado talento? Aquele tipo de pessoa que acaba se tornando uma espécie de mito, lenda dentro do seu ramo, seja lá qual ele for…? Marcelo é disparado este tipo de pessoa. Poderia dizer, que se o Jiu Jitsu, MMA, fosse como o ritmo musical ”Blues”, Marcelo, seria o nosso Robert Jhonson.

Marcelo Behring nasceu em 1965 no Rio de Janeiro, Brasil. Filho de Flávio Behring (faixa Vermelha de Jiu-Jitsu) um mestrão casca grossa, que foi um dos pioneiros na malhação e musculação, atrelados ao treino de tatame nos anos 60 , e irmão do professor de Jiu-Jitsu Sylvio Behring. Sendo de uma família com raízes fortes nas artes marciais, lógicamente Marcelo começou praticando Jiu-Jitsu desde criança, treinando BJJ com seu pai e Judô com o Mestre Hélcio Gama (e  mais tarde com George Medhi).

Quando Marcelo atingiu 14 anos de idade, o seu pai lhe deu a letra, podia treinar onde quisesse. Marcelo escolheu a academia de Rickson Gracie. Apesar de Marcelo treinar maioritariamente na academia de Rickson, ele gostava de variar a sua preparação treinando frequentemente também com Roberto Lage em São Paulo. Com 16 anos ele era já instrutor auxiliar da academia Gracie. A relação muito próxima da família Behring com a família Gracie abriu caminho a que Marcelo “cortejasse” Kirla Gracie, a filha de Carlos Gracie Senior. Dessa relação, Marcelo e Kirla tiveram dois filhos, Kyron e Kywan Gracie Behring. Outra das grandes paixões de Marcelo era o surfe, e na época ele era um nome bem conhecido no circuito de surfe do Rio de Janeiro e na costa de São Paulo, frequentemente entrevistado por revistas dedicadas ao esporte. O amor de Marcelo pela sua família e pelo surfe andavam de mãos dadas, um sinal evidente de isso mesmo era o que tinha escrito em sua prancha:

Kyron e Kywan God bless and protect my sons and best friends. I love you guys so fu–ing deep. All my energy, my waves, my fights, my best feelings and energy. Jesus Christ, please take care of them.

(Deus abençoe e proteja os meus filhos e melhores amigos. Amo vocês demais. Toda a minha energia, as minhas ondas, as minhas lutas, os meus melhores sentimentos e energia. Jesus Cristo, por favor, olhe por eles.)

Dá só uma curtida na foto abaixo…

CARLSONGRACIETEAM

Nessa foto mostra, Marcelo que treinou também na turma do Carlson com nomes como, Walid Ismail, Zé Mario Sperry, Murilo Bustamante, dentre outros.

Marcelo, treinava na academia também de Rickson Gracie, cujo de qual recebeu a faixa preta de Jiu Jitsu. Na época em questão Rickson, era considerado o melhor lutador do mundo, seguido logo atrás, por Marcelo. Há relatos, ”lendas”, ”comentários”,nos bastidores das antigas do Jiu Jitsu, que Marcelo saía na mão com Rickson nos treinos e não se intimidava com nada. Um cara que sai na mão com Rickson Gracie, não pode se dizer que foi qualquer tipo de lutador que apareceu por aí.

A morte de Marcelo, foi um choque muito grande para a comunidade do Jiu Jitsu na época. Marcelo continuou competindo no Jiu-Jitsu e no Vale Tudo enquanto dava aulas e ajudava a promover os campeonatos em São Paulo. Por volta de 1992 ou 1993 Marcelo viajou até á Austrália, onde se conta que experimentou drogas  pesadas pela primeira vez (cocaína). Quando voltou ao Brasil, mostrava os primeiros sinais de vício. A sua família tentou coloca-lo numa clinica em 94 mas ele não completou o tratamento, voltando a dar aulas de Jiu-Jitsu para se manter afastado das drogas, isso acabou não resultando tendo tido uma recaída pouco tempo depois. A sua família perdeu o seu rasto durante meses em 1995 e contratou um detetive para descobrir onde ele estava. O investigador descobriu depois de 4 meses que Marcelo Behring tinha sido assassinado (tiro na cabeça) e tinha sido enterrado como indigente. Foi visto pela última vez na companhia de uma menina subindo a “Ladeira dos Tabajaras” em Copacabana, possivelmente procurando um traficante (era uma área povoada por traficantes).

Muito pouco se sabe, o que pode ter levado Marcelo a decidir por esse caminho. Medo, angústia, por ter e carregar na época um notável peso nas costas, de ser um grande lutador e referência dentro da família Behring, como me disse o próprio mestre Sylvio. Segundo suas palavras:

Marcelo era único, uma capacidade imensa de fazer amigos em poucos minutos assim como uma capacidade imensa de se meter nas maiores confusões, que ninguém se meteria”

Marcelo, é o tipo de cara, que os anos vão passar, e a lenda de sua vida como ela foi, como profissional, lutador e pessoa, vão ser tão longas quanto as histórias lindas que este esporte maravilhoso chamado Jiu Jitsu, pode nos proporcionar. Marcelo era de fato como disse o mestre Sylvio, alguém único. Seus valores dentro do jiu jitsu serviram de inspiração para outras pessoas e abriram caminhos. Marcelo mesmo após anos a sua morte, é padrão de referência na arte suave!

Marcelo Behring, uma lenda que a nova geração não conheceu!

 

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Escrito por Luis Augusto de Campos



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