Uma lenda viva do Jiu Jitsu! Um papo com o mestre Sylvio Behring!

Fala meus amigos do NR tudo beleza ? Finalmente segue o papo que bati com uma das maiores lendas do Jiu Jitsu brasileiro. O grande mestre Sylvio Behring! 1...

Fala meus amigos do NR tudo beleza ? Finalmente segue o papo que bati com uma das maiores lendas do Jiu Jitsu brasileiro. O grande mestre Sylvio Behring!

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1 – Conte nos um pouco da sua história no Jiu Jitsu ?

Falar da minha história no Jiu Jitsu, eu comecei com 4 anos de idade, sempre fui um garoto jeitoso, tinha habilidade física, fácil de aprender, mas também uma  personalidade fácil de lidar também, obediente, disciplinado, comportado, então era um aluno bom, um garoto fácil de trabalhar. E assim foi, na minha casa meu pai, um mestre um casca grossa, um cara de uma complexidade física a frente do tempo dele, malhava numa época que ninguém malhava, malhava de uma forma que ninguém malhava, e fazia o treinamento seríssimo levava a sério todos os aspectos da defesa pessoal, preparação, era outro nível então realmente exigiu o máximo de mim e do meu irmão, a minha história foi essa.

2 – Conte nos um pouco da sua relação com seu irmão Marcelo que é amplamente considerado uma das figuras mais importantes do Jiu Jitsu da década de 1980. Graduado faixa preta por Rickson Gracie, Marcelo Behring era frequentemente elogiado por Rickson como sendo um dos seus melhores alunos, sendo também descrito pela mídia como o segundo melhor lutador do mundo (sendo Rickson o melhor) na época.  Conte nos como se sentiu com a morte prematura de seu irmão em 95 ?

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Falar sobre Marcelo, é a referencia que a gente tinha na verdade na nossa época, o Marcelo foi um cara destemido de uma personalidade muito forte, uma habilidade incrível, ambidestro, tinha habilidade para os dois lados, era canhoto de mão e destro de perna, então em qualquer atividade que ele fizesse ele se destacava, por ter essa facilidade e no Jiu Jitsu não foi diferente, minha relação com ele era uma relação de irmão, relação complicada em alguns momentos, mas de muito amor, de muita cumplicidade, treinávamos muito, éramos os maiores adversários um do outro mas também os maiores companheiros, a maior cobrança um do outro também, então sempre foi muito importante a figura do Marcelo na minha vida. Ele foi considerado um dos maiores atletas do seu tempo e não se cansava de exigir de mim, que tivesse um aproveitamento, por que afinal de contas nossos treinos eram duros e ele não se conformava em eu não estar me destacando na época, no cenário, sendo que eu tinha condições de treinar com ele que era a referência, então ele me pegava pela mão me levava pra academia Gracie me botava pra treinar, realmente era um cara que me exigia o máximo e a morte prematura do Marcelo veio com muita dor, sofrimento muito grande não foi só a morte dele, que foi traumática mas todo o processo de auto destruição que ele entrou e que a família toda se envolve de uma forma plena e muito difícil pra todos nós. Mais difícil com certeza pro meu pai e pra minha mãe, vendo o filho com todo aquele potencial se destruindo mas no final, o que fica são as lembranças positivas de um cara brilhante uma pessoa com um coração imenso, capaz de fazer amigos em poucos segundos em qualquer lugar do mundo, como também era capaz de arrumar a maior confusão que ninguém teria coragem de encarar e com um grande sorriso no rosto, Marcelo era único, e pessoas como ele vão sempre deixar muita saudade, lembranças muito boas, são pessoas que estabelecem limites, são pessoas que estabelecem um outro parâmetro, ele foi um deles, e isso deixou muita saudade.

3 – Em uma recente reportagem da revista tatame, eu Luis fiz até menção da vossa reportagem aqui no nosso site, o senhor levantou a velha questão do Jiu Jitsu da antiga, focado na defesa pessoal, e como os valores do Grão mestre Hélio Gracie vem se perdendo aos poucos com o passar dos anos. O que o senhor tem a dizer para os leitores do NR a respeito dessa sua posição ? No que ela se baseia mestre Sylvio ?

A minha posição quanto ao Jiu Jitsu clássico é clara, eu sou clássico, eu sou antigo, comecei em 66. Sou de uma geração que bebeu na fonte as informações e sabe dar valor ao caminho que nós percorremos, qual foi nossa base, por que chegamos aonde chegamos, formar os profissionais que formamos, nós tivemos uma base muito bem estruturada, então por que não dar a eles a mesma oportunidade ? O que eu vejo é que você descaracterizando a base da cultura, o resultado final você não sabe, é uma incógnita, então, estamos enfrentando uma transformação nós estamos mexendo na base do trabalho onde a informação de iniciação é completamente diferente, não sabemos qual vai ser o caminho no futuro, talvez seja de genialidade ou de perda também. Na verdade a defesa pessoal é o carro chefe de qualquer arte marcial. O Jiu Jitsu só foi depois realmente lançado como opção esportiva quando os campeonatos começaram a aparecer, era a vitrine do esporte que começava a fazer com que as pessoas se interessassem em praticá-lo, mas a forma com era praticado era todo baseado no conceito de auto defesa de auto controle de auto conhecimento, eu sou dessa linha, dessa base, acredito que os profissionais que formei, formei dentro dessa linha e todos se destacam no cenário, e aqueles que conseguem manter esse trabalho vivo, fazendo um trabalho completo, são os caras que vão preservar realmente a essência do nosso esporte, da nossa arte marcial. Aqueles que escolhem a competição as técnicas de luta em si pra poder fazer seu trabalho, é uma opção, ninguém é obrigado a fazer o que não gosta . O jiu jitsu é um esporte que é um pacote completo. Se houvesse uma direção de uma entidade forte que desse as diretrizes de como o esporte ele realmente é composto e o que é obrigatório em termos de conhecimento seria mais fácil. A entidade não obriga ninguém a nada. Você só precisa de uns anos de faixa preta pra pegar seus grauzinhos na faixa, você chega lá, paga sua conta e tá resolvido, e depende de alguém gostar de você pra poder dar esse reconhecimento, então é realmente complicado, ninguém precisa mostrar nada pra ninguém. Agora se você obriga os caras a mostrar os conhecimentos demonstrar que conhecem a arte tão preservando a cultura, você vai dar muitos parâmetros em termos de estudo, e não deixar tão livre pra deixar os esporte pras pessoas fazerem o que querem e transformarem o esporte da maneira que quiserem. É lógico que a liberdade é fundamental até por que a interpretação é pessoal, mas uma coisa é o que você leva jeito, o que você faz a sua manha, o seu jeito de fazer e aquilo que é obrigatório e faz parte da cultura.

4 – Conte nos como é a sensação de ver seu prodígio Fabrício Werdum campeão do UFC ? Você tem esperança de ver ele disputando algum campeonato específico de Jiu Jitsu, que sabe um ADCC ou mesmo um Abu Dhabi um dia ?

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Na foto acima, Werdum da esquerda pra direita, mestre Sylvio e Corletta!

O Werdum foi sempre uma grande promessa, que se tornou realidade. Era um rapaz que tinha sonhos, nem sabia que tinha esses sonhos. Quando entrou no tatame foi que descobriu esses sonhos que tinha. Era um garoto sem direção na época que entrou no Jiu Jitsu. Mas foi o Marcio Corletta quem realmente potencializou todas as capacidades do Werdum diretamente, que era o treino dele e o Mário Reis também foi um grande companheiro dele também que deu a ele a determinação e força de vontade pra ser um lutador dedicado e estudioso. Não tenho expectativas quanto ao Werdum com relação a nada, só que ele seja um exemplo, que use essa imagem dele para ser uma pessoa positiva pra que as próximas gerações tenham uma referência de postura de ser humano de verdade. Então essa forma dele lidar com as pessoas, essa forma divertida, descontraída, simpática, honesto é um cara verdadeiro, comete suas falhas comete seus erros como todo mundo comete, como todos nós vamos cometer sempre, mas prevalece aí, os pontos positivos do comportamento que ele tem com as pessoas e com o mundo inteiro. Quero só que ele faça o que ele gosta e faça bem feito, que seja um profissional de qualidade e um grande amigo que ele é . A gente se diverte muito, hoje em dia as conversas que a gente tem, quando a gente se encontra, o bate papo já me trazem alegria o que é o mais importante.

5 – Existe algum trabalho de algum mestre como o senhor que é da Old School do Jiu Jitsu  que ainda está em atividade que o senhor admire ? Se sim, quem ? E por que ?

Minhas referências tanto no judô quanto no jiu jitsu ? Me deram uma base muito forte, mestre Roberto Barreto, mestre Álvaro, meu pai o Grande mestre Helio Gracie, Rickson, Relson ,aqueles que tive oportunidade de ter aula na minha vida, no judô, Geraldo Bernardes, Edgar Freitas, Sensei Helcio Gama, Ney Wilson, pessoas que me ajudaram muito na minha formação, tanto minha quanto meu irmão e a minha história foi essa, fui um competidor que não lutou tantos campeonatos, mas só perdi uma luta na faixa preta, minha segunda luta, tive bons resultados, sempre fui um cara que lutei com tranqüilidade, então fazia bonito nos campeonatos, fazia direitinho, só perdi o primeiro campeonato de faixa preta que eu lutei que, realmente fui despreparado, confiante demais e tomei logo uma lição de humildade, não ouvi meu mestre e aprendi a lição rapidinho, mas também não perdi pra qualquer um, perdi pro Peixotinho que era um grande craque na época, e é isso, vivo do jiu jitsu, viajo o mundo inteiro graças ao Jiu Jitsu, tenho as oportunidades que tenho hoje graças ao que eu faço, os amigos os conhecimentos, então eu sou muito grato a tudo isso, grato ao mestre Helio Gracie por ter iniciado essa arte pra gente, e grato aos meus mestres por estar aonde estou.

6 – Treino das antigas, conte nos como era ? Que diferenças o senhor vê com a preparação dos atletas atualmente ?

Antigamente a gente treinava, era muito mais natural o treino, era muito mais em termos de habilidade e o desempenho era mais na base do que a gente era capaz de fazer, mas não tinha nada dessa de esteróide, de anabólicos, era muito difícil encontrar isso, então o dopping era muito mais velado, muito mais difícil, não se exisitia essa intenção. A competição se tornou assim a necessidade de se afirmar. Naquela época o treino valia mais, era mais falado, vocÊ ia rolar com alguém em algum lugar era comentado. As pessoas sabiam quem era quem no treino, na competição haviam os destaques lógicamente mas o treino era o que valia, então hoje a gente vÊ o  cara se profissionalizando na faixa branca, naquela época não tinha isso não. Então a gente via atletas de destaque que se destacavam pela sua habilidade hoje se vê mais quem se destaca pela sua capacidade física principalmente.

Se o senhor quiser deixar uma mensagem para os amigos leitores do NR sinta se à vontade mestre Sylvio! Desde já me sinto muito grato e honrado por ter reservado um tempinho pra nós!

Recado pra rapaizada é o seguinte, TREINA! Tem que treinar seguidamente, não tem segredo não, somos o que fazemos repetidamente o negócio é fazer acontecer o tempo todo, praticando estudando colocando a teste todas as situações pra que se possa avaliar informação por informação, verifica para que você possa fazer algo bem feito é isso aí! OSS obrigado pela oportunidade! Grande abraço!

Desde já quero deixar meu agradecimento sem precedentes ao grande mestre Sylvio pelo papo com a galera do NOCAUTE NA REDE! Foi uma honra mestre Sylvio!

OSS!        

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Escrito por Luis Augusto de Campos



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