EXCLUSIVO: Nocaute na Rede entrevista o renomado treinador de Jiu Jitsu, Ricardo 'Cachorrão' Almeida | Nocaute na Rede

EXCLUSIVO: Nocaute na Rede entrevista o renomado treinador de Jiu Jitsu, Ricardo ‘Cachorrão’ Almeida

Multiplas vezes campeão de Jiu Jitsu e atualmente treinador de diversos atletas do UFC, o grappler de elite Ricardo Almeida é o nosso entrevistado da semana.

Um dos treinadores de grande destaque na parte de grappling pelo mundo do MMA, o faixa preta de quarto grau de Jiu Jitsu, Ricardo Almeida é uma das peças chaves por trás de grandes lutadores da era moderna do Ultimate Fighting Championship e também foi um grande competidor na sua época, estando a beira de um title shot ao temido reinado de Anderson Silva anteriormente nos pesos médios. Nos dias de hoje, “Cachorrão” apesar de afastado das lutas profissionais como um combatente, segue em atividade no mundo da luta, sempre presente como treinador na vida de nomes do calibre de Eddie Alvarez, Zabit Magomedsharipov, Frank Edgar, Edson Barboza e Timur Valiev. Nessa semana, o renomado treinador e ex atleta nos concedeu uma longa e extensa entrevista, falando um pouco sobre sua carreira, a parte como treinador de nomes importantes, sobre a atual situação de pontuação das lutas em geral, um pouco sobre ADCC e muito mais. 

Almeida registra 13 vitorias e 5 derrotas no MMA profissional, alem de uma extensa carreira vitoriosa no ADCC, com medalha em 5 ocasiões,  e em eventos de Jiu Jitsu sem e com kimono, suas vitorias mais expressivas ficam nos nomes de Nate Marquadt, Kazuo Mizaki, Matt Brown e TJ Grant, na epoca que lutava profissionalmente. 

NR: Você estava com 34-35 anos na época que se aposentou, para os padrões do MMA, não e uma idade avançada, porque se decidiu aposentar do MMA profissional?

Almeida: Sempre tive na cabeça que queria continuar lutando enquanto tivesse chance de lutar pelo título. Quando eu estava perto de parar de lutar, quase cheguei a lutar com o Anderson Silva, perdi numa decisão dividida pro Patrick Coté. Decidi baixar de peso, estava indo bem, com 3 vitórias seguidas e perdi pro Matt Hughes, em uma luta que estava indo bem, mas acabou entrando um golpe e fui finalizado. Depois venci o TJ Grant e perdi numa decisão contra o Mike Pyle, que eu não lutei bem, mas acho que poderia ter ganho na decisão. Eu sempre pensei que no dia em que não quisesse mais estar ali, seria perigoso continuar lutando. Nessa luta contra o Pyle, sabia que seria difícil voltar ao ranking e disputar o título novamente. Então decidi que era a hora certa de parar, porque estava novo, ainda havia a oportunidade de fazer outras coisas. Eu quis parar com o MMA antes que o MMA me desgastasse.

NR: Você bateu duas vezes na trave no ADCC com o segundo colocado, você pretende continuar lutando no evento até conseguir o ouro? Quais seus pensamentos sobre isso?

Almeida: O ADCC é uma época muito boa da minha carreira, a qual tenho muito carinho. Fiz duas finais em 98 e 2001, acabei batendo na trave, perdi por muito pouco. Meu último campeonato do ADCC foi em 2003, mas nunca pensei em voltar a lutar, estou sempre lutando nos campeonatos da confederação, como o pan que lutarei semana que vem, além dos masters que também participo muito. Mas quanto ao ADCC não, é um nível de treino muito forte, tive um acidente de carro há 2 anos e machuquei minhas costas, não tenho mais como manter esse ritmo de treino e competir. Pra eu me comprometer com um campeonato assim, tenho que estar muito bem, pra ter a chance de ser campeão, porém estou com 40 anos, o corpo não é mais o mesmo. É o momento de observar a garotada, meu aluno Tom DeBlass vem competindo e vencendo, tem o Garry Tonon e o Gordon Ryan que são ótimos lutadores também, além dos craques do jiu-jitsu como Buchecha, André Galvão, etc.

NR:  Na época de Pancrase, você conseguiu vitórias importantes sobre Nate Marquadt, Kazuo Mizaki, Ikuhisa Minowa, qual delas é a mais importante e lembrada da carreira?

Almeida: Eu tenho muito carinho pela luta contra o Misaki, porque depois a gente ficou muito amigo. Ele treinou comigo pra luta contra o Dan Henderson, virou muito amigo, um irmão pra mim, a gente teve uma luta bem díficil. Mas em termos de memória, sem dúvidas contra o Nate Marquardt, que foi pelo título, ele era campeão na época, teve uma carreira brilhante, lutou pelo título do UFC, já venceu Demian Maia, Woodley, e eu ter tido essa oportunidade de finalizar ele e ganhar o título no Japão, é a que mais me marca.

NR:  O que você acha dos critérios de pontuação das comissões atléticas e sobre as decisões polêmicas que ocorrem constantemente, se caso fossem ex-lutadores como você, seria diferente?

Almeida: Eu não tenho sido mais juíz lateral, porque meus alunos estão sendo lutando, então não posso ficar como corner e juíz lateral no mesmo evento. Mas são dois casos na parte das regras, o primeiro é o conhecimento técnico que tá ali, se a pessoa nunca lutou em pé, no chão, se a pessoa nunca lutou, ela tá julgando algo totalmente diferente da realidade. Quanto mais ex-lutadores ou pessoas que conhecem o esporte, pode não ter sido um cara de alto nível, mas sempre essas pessoas envolvidas deveriam ter respaudo. Quem nunca esteve lá dentro não consegue julgar a luta, pois acaba tendo o julgamento do fã, de se impressionar com um movimento mais mirabolante na luta. Cada round tem 5 minutos, deve julgar cada momento, tem que haver o conhecimento, especialmente da comissão de Nevada que é terrível. O segundo ponto é haver muita ambíguidade nas regras, dando muita margem à interpretação, e não há nenhum tipo de punição. Se o juiz errar, não tem consequência pra ele, então falta punição pro juiz que cometer erros.

NR: Caso tivessem dado a vitória contra o Patrick Côté, você disputaria o cinturão, e seria o primeiro grappler de nível diferenciado que enfrentaria o Anderson Silva. Você pensou sobre isso na época e qual seria a estratégia pra bater o Anderson?

Almeida: Eu não lutei bem, lutei mal, depois da luta fiquei vomitando, não sei se foi nervovismo. Se eu tivesse vencido, teria lutado contra o Anderson pelo título, e independente de quem fosse, lutar pelo título do UFC é uma oportunidade única na carreira do atleta. Poder entrar no octogóno contra uma lenda como Anderson Silva, teria sido um grande teste e uma honra enorme. Em termos de estratégia, eu levaria a luta pro chão, que é minha especialidade, caras bons levaram ele pro chão e acabaram sendo finalizados. mas eu tentaria imprimir meu jogo onde ele teria menos chances.

NR: Como tem sido o trabalho em geral no grappling com Frankie Edgar, Marlon Moraes e Edson Barbosa? Já que a melhora é visível e você é o responsável por esse treinamento.

Almeida: São três craques. O Frankie tem blackground de wrestling, então pra ele é mais natural a transição, mas Marlon e Júnior são muito habilidosos no chão, são super atletas, super rápidos, muito fortes, flexíveis, esses caras poderiam estar em qualquer esporte. O meu papel como treinador de jiu-jitsu dentro do MMA é fazer com que eles soltem o jogo deles aonde a luta for, não adianta pegar caras como Marlon e Edson e tentar transformar eles em lutadores de jiu-jitsu, que bota pra baixo, segura, tenta finalizar, isso seria um desperdício de talento e tempo. Tento focar mais na parte defensiva, pra eles soltarem o jogo em pé, e também o lado ofensivo no ground and pound, o Frankie vem soltando cada vez mais o jogo dele no solo, o Edson também vem aprimorando o ground and pound, e o Marlon com algumas finalizações no WSOF. O meu projeto é dar confiança pra eles soltarem o jogo em pé e quando cair em posições boas, tentarem a finalização, mas nunca de esquecer o jogo principal e fazer jiu-jitsu. Mas qualquer um que treinar com eles 3 sem kimono, vai se impressionar com o nível técnico de cada um. 

NR: Ultimamente alguns atletas do Daguestão têm ido treinar na sua academia, como Zabit Magomedsharipov, Magomed Bibulatov e Timur Valiev, o que você tem a dizer sobre esses caras?

Almeida: Esse novo batalhão vindo do Daguestão é formado só de feras. Treinar esses caras é uma quebra de barreiras, de esteriótipos, pois a gente acha que os muçulmanos são de uma determinada maneira, e esses mencionados e outros que vieram sempre me tratam como ouro, são caras super educados. A gente olha as fotos deles nas redes sociais e ficamos meio assustados, pois a cara deles é meio fechadas mesmo, mas são super respeitadores, educados e apreciam muito essa oportunidade de treinar com Edgar, Marlon Moraes, Alvarez, Edson Barboza, e sempre chegam em um nível altíssimo de striking, wrestling e de chão também, que é diferente do jiu-jitsu, porque é mais de controle de posições. Claro que como todo lutador possuem buracos no jogo, mas geralmente sempre possuem um jogo muito sólido e forte. É um prazer ter esses lutadores do Daguestão aqui, até pra apreciar a cultura deles, entender mais e quebrar certos esteriótipos de que muçulmanos serão de determinada maneira. Todos têm nível pra serem campeões, o Zabit é um gênio, um fenômeno, ele tem muitas chances de lutar pelo titulo um dia, ser campeão e marcar uma era nesse peso. O Muslim Salikhov é outro craque, incrivel em pé, campeão de Sanda, vem treinando aqui com a gente e pode fazer uma luta na China. Uns tem base mais de striking, como Zabit e Salikhov, outros têm uma base de wrestling, como o Bibulatov e o Timur, mas todos são duríssimos, além de pessoas incríveis, sempre ajudando um ao outro, e mesmo não entendendo muito bem o inglés, estão sempre tentando entender e apreciando a técnica. Tem sido uma parceria muito grande, chegaram pra absolver e adicionar ao time e dar muito trabalho.

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Jornalista - seguidor dos esportes de combate desde 2006 - Fã de Shogun e Mousasi.
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