A combinação de estilos e o “segredo” do sucesso no MMA

Ao observarmos os campeões mundiais do UFC, Bellator e One Championship, três das maiores Organizações de MMA do mundo, é possível ver que estes lutadores possuem algo em comum:...

Ao observarmos os campeões mundiais do UFC, Bellator e One Championship, três das maiores Organizações de MMA do mundo, é possível ver que estes lutadores possuem algo em comum: a habilidade em diferentes estilos de artes marciais. E não só os campeões são assim. No UFC, por exemplo, onde já há um ranking oficial e conhecido, no top 15 de cada divisão de peso, os atletas também têm essa combinação. Alguns atletas podem até não aparentar, como o striker Conor McGregor e o grappler Demian Maia, mas possuem um casamento de estilos que os fizeram ter sucesso em suas empreitadas no esporte. Pode parecer algo óbvio, mas nem sempre o esporte foi dessa maneira.

No Brasil, houveram clássicos entre artes marciais. Os antigos torneios de vale-tudo traziam, por exemplo, desafios entre jiu jitsu vs luta livre e jiu jitsu vs muay thai. Aliás, foi pelo desejo de mostrar que a “arte suave” era a arte mais eficiente de todas que surgiu a hoje maior Organização do mundo, o UFC. Na 1ª edição do Ultimate, em 12 de novembro de 1993, oito lutadores se enfrentaram em um torneio. Representantes do jiu jitsu, sumô, savate, kickboxing, caratê, boxe, wrestling e taekwondo estiveram frente a frente e Royce Gracie, o representante brasileiro e do jiu jitsu, foi o grande campeão.



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(Créditos: Betway)

Na edição número sete do UFC, apareceu um cara, brasileiro, chamado Marco Ruas. Ele foi o campeão deste torneio, finalizando dois oponentes e nocauteando o último na grande final. Com essa variação, mostrando-se bom tanto em pé quanto no chão, o “rei das ruas” demonstrou que para se alcançar a vitória, importante mesmo era conhecer todas as artes marciais. Dana White, presidente do UFC, já declarou: “Marco Ruas foi o primeiro brasileiro a mostrar algo mais que o jiu jitsu. Era um mestre da luta em pé. Muitas coisas que ele fazia naquele tempo eram consideradas impossíveis”. Foi de Ruas em diante que os lutadores começaram a mesclar cada vez mais artes marciais para obterem sucesso.

Strikers perceberam que seria difícil se manter de pé e, uma vez no chão, sofreriam finalizações senão aprendessem a se defender do jogo agarrado, de wrestlers, judocas e representantes do jiu jitsu. Os grapplers entenderam que seria cada vez mais difícil derrubar os strikers senão aprendessem o mínimo de trocação, suficiente para se aproximar e depois agarrar e desenvolver seu jogo. E é dessa forma que chegamos aos dias atuais, no qual é praticamente impossível figurar entre os tops se dominar apenas um estilo de luta. No mundo das lutas onde não se pode piscar por um segundo, ter um bom índice de acertos é um ponto muito positivo ao seu favor para ao menos ganhar na pontuação com golpes contundentes, e alguns atletas como Kamaru Usman (53%), Amanda Nunes (51%) e Valentina Shevchenko (51%) são lutadores(as) que possuem essa taxa acima dos 50%, conforme pesquisa feita pela Betway.

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(Créditos: Betway)

Já vimos atletas como Rafael dos Anjos, José Aldo, Fabrício Werdum, Robbie Lawler e TJ Dillashaw, lutadores que tiveram o background em lutas agarradas e se tornaram excelentes no jogo da trocação. Do outro lado podemos citar Valentina Schevchenko, Joanna Jedrzejczyk e Alistair Overeem, strikers de alto nível que desenvolveram excelentes habilidades em lutas agarradas. No caso da polonesa, talvez haja estranhamento por estar sendo citada, uma vez que nunca buscou combates agarrados, mas seu jogo defensivo nestas modalidades é inegável. Foi assim que escapou das quedas da excelente wrestler Carla Esparza e até foi derrubada por Cláudia Gadelha e Jéssica Bate-Estaca, duas boas representantes do brazilian jiu jitsu, mas não passou apuros e conseguiu levantar até sem tanta dificuldade. Para se ter uma ideia da evolução do campeão Jon Jones, o americano tem 95% dos golpes defendidos em tentativas de quedas, além disso ele defende 65% dos golpes significativos tentados contra ele, segundo dados publicados pela casa de apostas Betway.

E dessa forma o esporte segue evoluindo, exigindo que os atletas estejam cada vez mais afiados na parte técnica e conhecendo diferentes estilos de artes marciais. Com o nível cada vez mais alto, pequenos detalhes desse conhecimento passarão a fazer cada vez mais a diferença. E é assim, por meio dessa combinação de estilos, que têm sido construído os melhores lutadores de mixed martial arts do planeta.

Texto e edição: Kaio Lima / Nocaute na Rede

 

 



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Pai, marido, neto, amante da família; filho de Deus; Graduando em Comunicação Social (Rádio e TV) na Universidade Federal do Maranhão; Editor chefe do Nocaute na Rede, sonha em seguir carreira na área esportiva; Redator nas seções de MMA nacional e internacional; Apaixonado por rádios, jornais, livros, podcasts, filmes, séries, comidas, esportes em geral (principalmente MMA, futebol e basquete); Praticante de MMA e muay thai;
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